Pré-visualização gratuita dois mundos diferentes
Oliver
Ser pai sempre foi o meu grande sonho. Dinheiro não compra amor e a verdadeira felicidade, era isso que o meu saudoso pai costumava dizer. E quando me vi sozinho nessa imensa mansão, tive a certeza de que ele estava coberto de razão. Queria ter alguém do meu lado, que fosse minha companheira e mãe dos meus filhos. Nos eventos da alta sociedade, conheci Nicole, uma mulher bem-sucedida, extremamente bonita e divertida. Começamos a nos encontrar e, meses depois, estávamos noivos. Tínhamos uma química fantástica na cama. No nosso aniversário de um ano de casados, compartilhei com a minha amada esposa o meu grande desejo de ser pai. Ela adorou a ideia e, três meses depois, o nosso bebê crescia no seu ventre. A minha felicidade estava completa. No entanto, o meu coração foi destroçado quando a nossa filha nasceu. Nicole parecia odiar Amora. Não a pegava no colo e reclamava que a nossa doce bebê estragou o seu belo corpo. Brigávamos muito até que, um dia, ela fez as malas e revelou-me que estava com outro homem e que nunca quis ter filhos. Implorei para ela dar mais uma chance para a nossa família, mas não adiantou. Nicole lançou um olhar frio e insensível para mim e a nossa filhinha nos meus braços e foi embora sem olhar para trás. Desde então, me esforcei para ser o melhor pai do mundo e dar todo o amor que a minha pequena Amora merece.
Observo o ser inocente dormindo no carrinho. Ela acabou de fazer seis meses. Margaret, minha fiel governanta, toma conta dela. Contudo, a função dela é cuidar da casa e orientar os empregados a fazerem o seu trabalho direito. Quando confiei em uma baba, a infeliz queria dar refrigerante para um bebê de poucos meses de vida. fiz tudo ao meu alcance para que aquela irresponsável nunca mais fosse contratada como baba por ninguém. Quando a minha presença é realmente necessária, trago Amora para a Veloz Prestige e a minha secretária fica com ela, mas isso terá que mudar. Camila não é paga para fazer o papel de mãe do meu anjinho. Preciso urgentemente da baba perfeita. Espero que essa mulher exista. Passo as mãos no cabelo, bagunçando os fios. Sinto-me um fracasso como pai.
Aurora
Mesmo a minha mãe nunca ter me amado, lamento por sua trágica morte. Dona Luciana não tinha vocação alguma para a maternidade. Após o meu pai morrer devido a um enfarto, ela se casou com um homem nojento que começou a olhar-me com malícia quando virei adolescente. Infelizmente, ela nunca acreditou em mim e, toda a vez que o miserável tentava me espiar tomando banho, eu levava a culpa. A mulher que deveria me proteger machucava a minha pele com um chicote para me ensinar a não dar em cima do seu marido escroto. Estava na escola quando soube do acidente que foi culpa do meu padrasto. Ele vivia bêbado. Até eu completar dezoito anos, morei em abrigos, fazendo faxina e tomando conta de crianças para poder recomeçar. Enfim, fiz dezoito anos há três meses atrás. Aluguei uma pequena casa no subúrbio do Rio de Janeiro e continuei a fazer faxina. No entanto, o aluguel aumentou mais uma vez e estou a ganhar muito pouco. Não consigo arrumar emprego fixo por ser muito jovem e nunca ter trabalhado de carteira assinada.
Sabendo da minha situação, Dona Marlene me contou que um bilionário precisa de uma baba para a filha de seis meses. A sobrinha dela é arrumadeira na casa dele Tenho certeza de que o bonitão vai me expulsar assim que eu falar a minha idade. Contudo, se eu contar da minha realidade, talvez esse homem me contrate como faxineira. Não custa nada tentar.
- Não sei como te agradecer, Aurora. Não tinha nada para o meu menino comer.
O agradecimento de Marta me faz abandonar os meus pensamentos.
Estou ferrada, mas eu não podia deixar uma criança com fome. Comprei alguns alimentos para durar essa semana. O babaca do ex da minha amiga e vizinha Marta atrasou a pensão esse mês.
- Fico feliz em ajudar, amiga.
- O homem que conquistar seu coração vai ser muito feliz. Você é uma mulher incrível.
- Espero o encontrar logo. Estou louca para ser mãe.
Esse é o meu sonho, ter uma família. Vou dar o amor que eu não recebi da minha mãe para os meus filhos.
Me despeço de Marta e sigo para minha casa.
Assim que chego, me jogo no sofá e assisto a uma comédia romântica no meu celular. Após o filme terminar, faço um lanche e penso na bebê Amora, que foi rejeitada pela própria mãe. Eu ia amar cuidar dela. Não conheço essa mulher que trocou a família por conta de um homem, mas já a odeio profundamente. Eu nunca deixaria um filho.
Lavo o prato que sujei e deito no colchão velho, me entregando ao sono.