Capítulo 9 — O Que Nunca Será Perdoado

676 Palavras
O salão estava em silêncio quando Lays entrou. Não era o mesmo salão do baile. Não havia música, máscaras ou lustres dourados. Apenas mármore frio, janelas fechadas e homens armados posicionados como estátuas. O poder ali não precisava de espetáculo. Sergei Volkov estava de pé diante da mesa central, as mãos apoiadas na madeira escura. Não sorriu ao vê-la. Também não demonstrou surpresa. — Você voltou — disse, com a voz baixa e controlada. — Como eu sabia que voltaria. Lays caminhou até ele sem baixar os olhos. — Eu não voltei como filha — respondeu. — Voltei para encerrar isso. Algo no olhar de Sergei se alterou. Rápido. Perigoso. — Você fala como se tivesse poder — disse ele. — Mas ainda respira porque eu permito. — Não — Lays rebateu. — Eu respiro porque você ainda acredita que pode me usar. O silêncio se espalhou pelo salão como uma lâmina. — Levien Ivanov te corrompeu — Sergei disse. — Fez você esquecer quem é. — Ele me mostrou quem eu sou sem você — ela respondeu, sentindo o coração bater forte, mas mantendo a voz firme. — E isso é algo que você nunca suportou. Sergei se aproximou um passo. — Tudo o que você tem existe por minha causa — disse. — O nome. A p******o. A vida. — E tudo o que eu perdi também — ela respondeu. — Minha escolha. Minha voz. Minha liberdade. Ele a encarou por longos segundos. — Você é minha maior falha — disse por fim. — E minha maior fraqueza. — Não — Lays respondeu. — Sou o limite que você nunca respeitou. Do outro lado da cidade, Levien Ivanov observava o mapa projetado sobre a mesa de vidro. Cada ponto vermelho representava um posto, um aliado de Sergei, um pilar do império que ele ajudara a construir. — Comecem — ordenou, a voz fria. — Sem recuo. Os primeiros ataques aconteceram quase simultaneamente. Armazéns tomados. Rotas fechadas. Contas congeladas. Homens mudando de lado por sobrevivência. A guerra silenciosa finalmente havia se tornado aberta. De volta ao salão, Sergei percebeu o que estava acontecendo antes que qualquer um ousasse dizer. — Ele começou — murmurou. — Sim — Lays confirmou. — E não vai parar. Sergei riu, mas havia algo quebrado naquele som. — Ele acha que pode me derrubar por você — disse. — Acha que amor sustenta um império. — Não — ela respondeu. — Mas dá coragem para queimá-lo. Ele ergueu a mão. — Leve-a — ordenou a um dos homens. Lays não recuou. — Se fizer isso — disse —, você perde tudo. Porque Levien não vai negociar. E eu não vou implorar. Sergei a encarou como se estivesse vendo uma estranha. — Então esta é sua escolha final? — É — ela respondeu. — E você nunca vai perdoar. Sergei abaixou lentamente a mão. — Não — disse. — Nunca vou. O telefone dele tocou. Ele atendeu. O rosto endureceu. — Ivanov tomou o porto leste — disse a voz do outro lado. — E o banco central cortou nosso acesso. Sergei fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, havia guerra pura ali. — Diga a ele — falou, ao telefone — que isto não termina hoje. Lays respirou fundo. — Termina sim — disse. — Porque depois de hoje, nada do que éramos vai existir. Sergei se virou para ela pela última vez. — Se você cruzar essa porta agora — disse —, deixa de ser minha filha. — Eu sei — Lays respondeu. — E você deixa de ser meu pai. Ela se virou e caminhou para fora sem olhar para trás. Naquela mesma noite, Levien Ivanov deu a ordem que selaria o destino de ambos os impérios. — Não parem — disse. — Até que reste apenas silêncio. E enquanto a cidade ardia em alianças quebradas, traições expostas e estruturas ruindo, uma verdade se impunha: o amor deles havia atravessado o ponto de retorno. Agora, só restava saber quem sobreviveria ao que vinha depois.
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