O ataque começou sem aviso.
Nenhuma ameaça. Nenhuma mensagem. Nenhum sinal de negociação.
A primeira explosão sacudiu o prédio inteiro, fazendo as janelas estremecerem como se o mundo estivesse rachando ao meio.
— Sergei — Levien disse imediatamente, já em movimento.
Lays foi jogada contra a parede pelo impacto, o ar fugindo dos pulmões. Antes que pudesse reagir, Levien estava diante dela, o corpo servindo de escudo instintivo.
— Olhe para mim — ele ordenou, segurando seu rosto com firmeza. — Você está comigo?
Ela assentiu, mesmo com o coração disparado.
— Ele veio com tudo — ela disse. — Não é um aviso… é um começo.
Alarmes começaram a soar. Gritos ecoaram pelos corredores. Homens corriam em formação, armas em punho.
— Ele quer te tirar de mim — Levien respondeu, frio. — E quer que eu veja o preço disso.
Outro impacto. Mais perto.
O prédio era uma das bases mais protegidas de Levien. Se Sergei estava atacando ali, significava apenas uma coisa: ele não se importava mais com consequências.
— Temos que sair — Lays disse.
— Não — Levien respondeu. — Temos que sobreviver tempo suficiente para revidar.
Ele a conduziu por corredores estreitos, guiando-a como se cada curva já estivesse gravada em sua mente. Em um dos acessos blindados, ele parou, trancando a porta atrás deles.
Ali, no silêncio abafado, o mundo pareceu distante.
Lays respirava com dificuldade.
— Ele não vai parar — disse. — Enquanto eu estiver ao seu lado.
Levien a encarou, o olhar mais nu do que ela jamais vira.
— Você não é o problema — disse. — É a desculpa.
Ela se aproximou, segurando as mãos dele com força.
— Então diga — sussurrou. — Se eu for embora… isso acaba?
Ele fechou os olhos por um instante longo demais.
— Diminui — respondeu. — Mas não acaba. Porque ele não me perdoa. E agora… não perdoa você.
Lays sentiu o peso daquela verdade se cravar no peito.
— Então minha escolha nunca foi real — murmurou. — Só atrasou o inevitável.
— Não diga isso — Levien disse, segurando o rosto dela. — Você me mudou. Isso não é pequeno.
Ela encostou a testa na dele, sentindo a respiração dele se misturar à sua.
— Se eu me entregar — disse, a voz firme apesar do medo —, se eu voltar para o meu pai… isso te dá tempo?
Levien abriu os olhos imediatamente.
— Não — respondeu. — Isso te mata. Ele não perdoa deserções.
— Ele ainda me vê como filha — ela retrucou. — Como algo que pode controlar.
— Por enquanto — Levien disse. — Até você se recusar a obedecer.
O som de tiros ecoou mais próximo.
Lays se afastou um passo, os olhos brilhando com uma decisão perigosa.
— Então escute — disse. — Eu não vou voltar como filha.
Levien franziu o cenho.
— Vou voltar como moeda — ela continuou. — Vou fingir que te deixei. Vou fazê-lo acreditar que me perdeu… e que te enfraqueceu.
— Não — ele disse, a voz dura. — Eu não vou permitir.
— Você não pode me proteger de tudo — ela respondeu. — Mas pode confiar em mim.
Ele a segurou pelos braços.
— Isso é um sacrifício final, Lays. Sem garantias de volta.
— Eu sei — ela disse. — Mas é o único que pode nos salvar.
Por um instante, Levien pareceu quebrar.
— Se eu te perder… — começou.
— Você não vai — ela o interrompeu. — Porque eu não estou indo embora de você. Estou entrando no coração da guerra.
O silêncio entre eles foi cortado por uma nova explosão distante.
Levien puxou-a para um abraço forte, desesperadamente contido.
— Eu vou acabar com ele — prometeu, contra o cabelo dela. — Com tudo o que ele construiu.
— Então faça isso — ela respondeu. — E sobreviva tempo suficiente para me buscar de volta.
Eles se separaram lentamente.
— Esta é a última chance — Levien disse. — Se cruzar essa porta… nada será igual.
— Já não é — ela respondeu, firme. — Desde o baile.
Quando ela saiu escoltada por um caminho alternativo, Levien ficou imóvel.
O ataque de Sergei havia funcionado.
Mas não como ele imaginava.
Porque naquela noite, enquanto uma filha caminhava voluntariamente para o fogo, um império inteiro começou a ruir — não por ódio…
Mas por amor.