Capítulo 3: Estratégias e Suspeitas

1353 Palavras
A luz suave da manhã de Verona infiltrava-se pelas janelas, trazendo com ela um instante de calmaria. Na cozinha luxuosa do esconderijo dos De Lucca, o aroma do café fresco preenchia o ar. Os gêmeos estavam sentados à mesa, cada um perdido em suas próprias reflexões enquanto saboreavam a bebida quente. Leonardo, mexendo pensativamente o café, finalmente quebrou o silêncio espesso. — Estou pensativo com as informações que Tyler lhe trouxe — começou ele, sem desviar os olhos da caneca. — Ele pode estar falando a verdade, mas também pode ser uma cilada. Lucy assentiu, compreendendo a preocupação do irmão. — Eu também estou com um pé atrás em relação a ele. Precisamos validar cada fragmento de informação que ele forneceu. Não podemos confiar cegamente. Léo suspirou, colocando a caneca sobre a mesa. — Vou conversar com alguns de nossos informantes e ver se consigo mais detalhes sobre os Warriors e suas movimentações recentes. Precisamos ter certeza de que as informações de Tyler são confiáveis. E você, o que pretende fazer? Lucy pensou por um momento, antes de responder. — Vou ficar de olho no Tyler. Ele ainda está se recuperando, mas quero observar sua atitude, ver se há alguma inconsistência. Talvez eu também possa sondar mais alguma coisa durante o dia. Leonardo assentiu, afastando-se da mesa para pegar seu coldre onde continha suas duas glocks. Ele sabia que o dia seria longo e complexo. Antes de sair, ele se voltou para a irmã, com uma expressão séria no rosto. — Cuidado, Lucy. Ele pode ser mais perigoso do que aparenta. — Fique tranquilo, Léo. — respondeu, vendo o irmão sair pela porta da frente. Após Leonardo adentrar o elevador que o levaria para a garagem, a morena dirigiu-se aos andares inferiores do esconderijo, onde Tyler estava sendo mantido. Ao passar pelo segurança na entrada do corredor, ela foi recebida por um aceno respeitoso. A porta do quarto estava ligeiramente aberta, e ela podia ouvir os sons suaves dele se mexendo na cama. — Vejo que a noite foi longa para você — disse ela, com um misto de ironia e seriedade. O garoto acamado rolou os olhos, claramente exausto, mas manteve o tom desafiador. — Sim, suas habilidades para torturar são realmente impressionantes, Lucy. Ela ignorou o comentário sarcástico, aproximando-se da cama. — Vamos ver como você se comporta hoje. Lembre-se de que estamos de olho em você, Tyler. Deixando-o para refletir, Lucy afastou-se e retirou-se do local, subindo novamente à cobertura onde os gêmeos residiam. O garoto aproveitou-se do momento e tirou um dispositivo que havia escondido em um fundo falso do armário que havia logo ao lado de sua cama, logo teclando e enviando uma mensagem para o líder dos Warriors. “Chefe, acho que estou ganhando a confiança dos De Lucca. Eles estão aceitando minha história.” Não se demorou muito para que tivesse uma resposta “Excelente. Mas não facilite. Eles são astutos. Continue ganhando a confiança deles, principalmente de Leonardo. Precisamos de todas as informações possíveis sobre os Coven.” Após conferir a resposta de seu chefe, o garoto guardou o dispositivo novamente, no fundo do armário e voltou a deitar-se na cama onde estava. Enquanto isso, Léo percorria as ruas de Verona, direcionando-se a um local discreto onde um de seus informantes o aguardava. Esse contato, Antonio, havia trabalhado dentro das gangues por anos, acumulando informações preciosas que muitas vezes faziam a diferença entre vitória e derrota. O moreno chegou ao pequeno café onde o encontro estava marcado. Ele escolheu uma mesa no fundo, longe dos olhares curiosos. Poucos minutos depois, Antonio entrou, vestindo um casaco escuro que o ajudava a se misturar com o ambiente. Sentou-se de frente para Leonardo, sem grande alarde. — Léo, é bom vê-lo! — disse o homem mais velho, suas palavras diretas e sem rodeios. — Igualmente, Antonio. Temos muito a discutir. Preciso confirmar algumas informações que recebemos recentemente — começou Leonardo, mostrando a ele uma lista de dados que Lucy havia juntado e lhe entregado na noite passada. O homem pegou o papel e olhou rapidamente antes de fazer uma pausa, analisando-o com cuidado. — Vou precisar de um pouco de tempo para cruzar estes dados com o que eu tenho — avisou. — Algumas destas informações são específicas e podem demorar um pouco para serem verificadas. Leonardo assentiu, sinalizando compreensão, apesar de sua impaciência. Ele sabia que cada detalhe contava. — Então, vamos começar pelo que você já pode confirmar. Qualquer detalhe pode ser crucial. As horas começaram a passar enquanto Antonio fazia ligações e revia documentos eletrônicos em seu tablet. Entre uma pausa e outra, ele fornecia a Leonardo atualizações fragmentadas. — Olha, — disse Antonio, em certo momento. — Essa informação sobre a movimentação de armas dos Warriors não está inteiramente correta, mas pode haver uma base real. Eles estavam convergindo algumas remessas para um local próximo de onde o garoto mencionou. Preciso de mais algumas horas para ter certeza. Leonardo franziu a testa, anotando mentalmente os pontos discutidos. — E sobre a estrutura interna dos Warriors? Ele também mencionou algumas figuras-chave que podem estar mais vulneráveis do que pensamos. Antonio roçou o queixo, pensativo. — Está parcialmente correto. Os nomes que ele deu são realmente influentes, mas as vulnerabilidades específicas que ele mencionou ainda precisam ser confirmadas. Pode ser informação desatualizada ou uma manobra para nos desviar. Conforme o dia avançava, Antonio conseguiu mais confirmações, algumas que batiam surpreendentemente bem com o que Tyler havia dito, aumentando a credibilidade de sua história. No entanto, algumas áreas ainda permaneciam nebulosas, exigindo atenção adicional. — Leonardo, há algo que me preocupa — disse Antonio, em um tom mais baixo. — Algumas informações batem, mas outras parecem deliberadamente imprecisas. Pode ser parte de um plano maior para te enganar. Leonardo tomou um longo gole do café agora morno, ponderando as palavras do informante. — Continue verificando. Não podemos nos dar ao luxo de tomar decisões precipitadas. Se algo não se encaixar, quero saber imediatamente. Despedindo-se de Antonio, Leonardo voltou à sede, levando consigo as confirmações parciais e a impressão de que estavam lidando com uma informação cuidadosamente calibrada para confundir e enganar. Ao retornar, encontrou sua irmã esperando, impaciente. — O que descobriu? — perguntou ela, ansiosa por novidades. Leonardo entregou os documentos que trouxera. — Parece que algumas das coisas que Tyler disse batem. Ainda precisamos ser cautelosos, mas isso pode ser útil. E você? Alguma novidade? Lucy balançou a cabeça. — Ele está quieto por enquanto, mas isso não é necessariamente bom. Vou continuar observando-o de perto. … Dias passaram-se e Tyler, ainda se recuperando, agora estava suficientemente bem para tentar uma aparência de rotina. Lucy decidiu testá-lo em algumas sessões de treino corpo a corpo, não só para avaliar a sua condição física, mas principalmente para observar quaisquer sinais de traição ou inconsistência em suas atitudes. Tyler chegou ao campo de treino improvisado, onde Lucy já o aguardava. Ainda um pouco debilitado, ele posicionou-se, preparado para o embate. — Vamos ver se você consegue acompanhar — disse Lucy, com um sorriso desafiador. O garoto sorriu de volta, mas havia uma sombra de seriedade em seus olhos. Conforme o treinamento prosseguia, Tyler mostrava-se hábil, mas a certa altura Lucy aproveitou uma pausa para sondar mais informações. — Sabe, me pergunto o que você realmente espera conseguir aqui. Provar o seu valor é uma coisa, mas você parece ter mais em jogo. Ele respirou fundo, levando alguns segundos para responder. — Estou aqui para sobreviver. E se para isso preciso provar o meu valor e agregar ao seu grupo, farei o que for necessário. Lucy observou cada movimento seu, cada palavra dita, em busca de qualquer traço de desonestidade. Por ora, ela não poderia confiar plenamente, mas o jogo de intrigas começava a ganhar clareza para ela. Conforme o treinamento seguia e o tempo passava, os irmãos De Lucca continuavam a equiparar necessidade, oportunidade e confiança. A vigilância aumentava, e cada interação analisada meticulosamente, um jogo intelectual onde cada movimento poderia significar o avanço ou a queda dentro do tumultuado reinado dos Coven.
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