A chuva caía incessante naquela noite fria, dramatizando ainda mais o prenúncio de caos que rondava Verona. Entre as sombras, Tyler caminhava com a instrução clara e precisa: infiltrar-se nos Coven e trazer informações vitais para seu verdadeiro líder, Thiago. Seu semblante permanecia confiante enquanto ele se aproximava do edifício antigo que abrigava a sede dos De Lucca.
Dentro da sede dos Coven, a tensão era tangível. Leonardo e Lucy, os gêmeos que comandavam a poderosa organização, revisavam seus planos de expansão. Um segurança abriu a porta, interrompendo suas discussões.
- Senhor, o garoto chegou - anunciou o homem, seus olhos varrendo a sala em busca de ordens.
- Traga-o aqui - ordenou Léo, sua voz preenchida de curiosidade controlada.
Quando a porta se abriu novamente, Tyler entrou na sala. Seu olhar era firme, seu porte decidido. Leonardo levantou-se da cadeira, cruzando a sala em direção ao novato.
- Você é Tyler, certo? Me disseram que tem potencial. O que trouxe você até aqui? - perguntou o moreno, estendendo a mão para cumprimentá-lo.
- Sim, senhor. Ouvi dizer que vocês são a gangue mais poderosa e quero fazer parte disso. Estou pronto para provar meu valor - o garoto respondeu com um tom que escondia qualquer hesitação.
Lucy, que até então permanecera ao fundo, observava com olhos atentos.
- Então, Tyler, espero que esteja preparado para o que pedimos. Não toleramos falhas ou deslealdade aqui - seu tom era firme, carregado de uma suspeita latente.
- Estou pronto para qualquer coisa.
- Não pense que estamos aqui para brincadeiras ou apenas por status.
- Quero que você vá ao galpão e prepare tudo. Mantenha o lugar seguro e discreto. Temos trabalho a fazer mais tarde e preciso que esteja tudo pronto para receber o nosso novo amigo. Se sentir qualquer vibração suspeita, avise-me imediatamente - falou com sobriedade a Marco, segurança que havia levado Tyler até eles.
- Sim, senhora. Vou garantir que tudo esteja em ordem - seu capacho responde com um aceno firme, desaparecendo rapidamente pelos corredores do esconderijo.
Conforme a noite avançava, Léo decidiu que estava na hora de uma pausa. Os gêmeos se dirigiram a um dos clubes mais exclusivos de Verona, um local marcado pelo luxo e pelas conexões perigosas. Ao adentrarem a balada, as luzes coloridas pulsavam em sincronia com a música ensurdecedora, enquanto corpos se moviam ao ritmo do som.
Entre risadas e olhares discretos, os dois aproveitavam a balada. O “glamour” e a atmosfera vibrante do clube permitiam ambos alguns momentos de escape e risadas. Eles se permitem relaxar, conversando sobre velhos tempos e batalhas ganhas, mandando brindes ao ar com um sorriso de camaradagem.
Durante uma dessas conversas, Lucy começou a sentir uma inquietação crescente. Enquanto observava a multidão, notou alguns homens com tatuagens características dos Warriors em seus braços e pescoços. Mais que isso, a forma como se moviam e comunicavam, com sinais sutis e olhares atentos.
- Léo, acho que precisamos sair daqui… - sussurrou ao irmão, com uma firmeza que não deixava dúvidas - Este lugar pertence aos Warriors - seu olhar se voltava para um grupo num canto, onde um dos homens exibia uma tatuagem com o símbolo dos Warriors – É um detalhe pequeno, mas inconfundível.
Leonardo olhou ao redor, seus olhos treinados rapidamente captando o padrão nos movimentos dos homens. A diversão transformou-se em alerta instantaneamente. Antes que pudessem sair discretamente, os irmãos foram abordados por um dos seguranças, cuja postura ameaçadora indicava problemas iminentes.
- Quem são vocês? São novos por aqui, não? - o segurança disse em um tom curioso e ameaçador com o seu olhar fixo nos morenos à sua frente.
Num movimento rápido, Leonardo empurrou o segurança, criando uma brecha para escaparem.
- Vamos dar o fora daqui!- exclamou ele, puxando a irmã.
Eles se moveram com agilidade através da multidão, os olhares atentos dos Warriors agora voltados para as suas costas. Os sons da música alta e das luzes piscantes pareciam intensificar a urgência da situação.
Os gêmeos correram pelos corredores estreitos do clube, desviando-se de corpos dançantes e mesas repletas de copos. Poucos segundos depois, os seguranças começaram a perseguição.
Leonardo e Lucy alcançaram uma saída lateral, forçando a porta com ombros e encontrando a liberdade na fria noite de Verona. A saída foi abrupta, os corações batendo descontroladamente enquanto se afastavam do lugar.
De volta ao esconderijo, enquanto recuperavam o fôlego, Leonardo estava decidido a dar o próximo passo.
- Preciso que interrogue Tyler. Quero que descubra tudo o que puder sobre ele. Seus segredos, intenções... Não confio nele e precisamos tomar cuidado em quem colocamos dentro dos Coven - Leonardo disse, era possível notar no seu tom de voz a breve adrenalina que ainda o consumia.
Lucy estava pronta. Confiava nos instintos de Leonardo, mas estava determinada a seguir sua própria intuição também. Com passos firmes, dirigiu-se ao galpão onde Tyler estava preso, antecipando um confronto que definirá os próximos passos dos Coven.
Dentro do galpão escuro e frio, Tyler estava amarrado a uma cadeira. Os seus olhos, cheios de desafio e insolência, reconheceram Lucy imediatamente. Um sorriso sarcástico surgiu em seu rosto.
- Achei que fosse seu irmão quem iria me interrogar, não pensei que mandaria a v********a dos Coven
Lucy manteve-se impassível.
- Vejo que essa conversa vai ser longa… - a garota disse, ignorando totalmente o que o mesmo disse.
- Você se acha muito esperta, não é? Pensei que somente homens pudessem se iniciar nos Coven - ele ironizou, suas palavras carregadas de veneno.
- Os tempos mudaram. Vamos ver se você nos ajuda a entender as suas verdadeiras intenções aqui. E acredite, não tenho paciência para jogos - respondeu Lucy, aproximando-se dele com uma autoridade que não podia ser questionada.
- Vamos ver até onde vai essa sua postura de durona. Talvez você descubra algumas verdades que não está pronta para ouvir - sorriu friamente.
Lucy não desviou os olhos. A seriedade da missão a mantinha focada. Ela sabia que, ao fim daquela noite, descobriria o necessário para proteger Leonardo e o legado dos Coven. E se Tyler fosse realmente uma ameaça, ele sentiria o peso dos seus erros.
No fim do corredor, a pesada porta do galpão se fechava atrás de Lucy, enquanto ela avançava em direção ao prisioneiro. Esta noite seria decisiva para determinar a lealdade de Tyler e garantir que os Coven permanecessem firmes em seu caminho de poder. A escuridão da sala refletia a gravidade da situação, e o silêncio era interrompido apenas pelo som dos passos calculados de Lucy.