Capitulo 4

2395 Palavras
Sara. Cheguei em casa e fui direto para meu quarto, tomei um banho e escolhi uma roupa confortável para dormir. Me deitei na cama com abajur aceso, tentei estudar algumas matérias que estavam atrasadas, afinal, amanhã o perrengue iria começar novamente, devo pedir a Deus que me dê forças nessa batalha. (..) Amanheceu e já me levantei preparada para mais um dia, dessa vez iria colocar o uniforme, eu sempre o odiei usar na verdade, mas estava disposta a mudar algumas atitudes. Fiz uma make pesada e prendi meu cabelo em um r**o de cavalo, coloquei o tênis e peguei minha bolsa. Desci as escadas e todos já estavam na mesa. Quando meu pai me viu, franziu a testa. ___Bom dia linda família. - Sorri puxando a cadeira. ___Bom dia, uniforme? Essa é nova. -Disse balançando a cabeça e dei de ombros. __Está linda minha querida. - Minha vó comentou e mandei um beijo voador. ___Espero que essa mudança não tenha a ver com nenhum garoto. - Murmura e o ignoro. Meu pai ainda pensava que tinha nove anos. Términei o meu café e segui rumo ao colégio, Yuri estacionou o carro. Passei no corredor segurando minha bolsa e por algum motivo todos os olhares estavam direcionados a mim, de fato não julguei que minha mudança no visual causaria tanto espanto. Cheguei na porta da minha sala, foi ai que descobri o que estava acontecendo, dois garotos altos estavam fazendo uma escolta impedindo os alunos de entrar. __Posso saber o que está acontecendo aqui? - Perguntei inpaciente e me examinaram de cima em baixo, um deles segurou meu braço me jogando dentro da sala. - Me virei rapidamente em direção a porta e comecei bater. ___Seus idiotas, me tirem daqui agora! Gritei batendo com força. ___Eles não vão te tirar até segundas ordens. -Meu corpo congelou no lugar. Sorri e forcei meus calcanhares a virar em direção ao dono daquela voz. ___Claro, Só podia ser você. - Ele manteve sua postura intacta sentado na mesa me olhando de braços cruzados, estava com a toca, por isso não conseguia ver seu rosto de forma clara. ___Vou fazer uma pergunta simples e objetiva, espero que me responda da mesma maneira, sacou? - Acenei concordando. - Se levantou e caminhou em passos lentos na minha direção, me mantive parada no mesmo lugar sem ousar a mover um musculo. Se aproximou de mim quase colando nossos corpos, me encostei na porta por preocaução, sua mão descançou ao lado da minha cabeça me encurralando. ___ Por que foi perguntar de mim para meu irmão? - Questionou mantendo seus olhos fincados no meu. Agora tão perto conseguia ver um pouco seu rosto. ___Eu queria agradece- lo, graças aquele seu conselho não usei aquelas porcarias. - Respondi e deu uma risada se afastando. ___Não tem que me agradecer por isso, quem decidiu não usar a parada foi você e apenas disse o que acho. Aliás. - Estalou a boca se virando e apontando para mim. __ Não me procure mais, não sou o Super-herói que salva a garota indefesa, então não se iluda. Dá próxima vez que falar de mim para meu irmão não serei tão legal. ___Se não percebeu, não sou nenhuma garota indefesa. Apenas fui educada, sacou? O emito irônica. _Posso sair? ou vai querer esperar a diretora vir abrir a porta pessoalmente. - Bati o pé impaciente, não sei onde estava com a cabeça quando procurei esse garoto. É um convencido. - Ele tirou o celular do bolso e digitou algo, então a porta foi aberta. ___Obrigada chefia - sorrio falso apontando para porta, me retirei da sala tentando ignorar os cochichos dos alunos. ___Era só que me faltava. Você e o Mark, deveria tomar cuidado ele não é para você. - Julia me olhou com desdém e entrou na sala. ⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘⚘ As aulas seguiram normal, na medida do possível. Engraçado, quando tudo que menos quero é chamar atenção é exatamente isso que consigo, por que meu Deus? Tento ignorá-los e focar nas aulas. A professora inventou de fazer duplas, olho para os lados e todos já estão com suas duplas formadas, exceto eu e um garoto nerd que me olha sorrindo e pega a cadeira e arrasta sentando ao meu lado. ___Então parece que é apenas nós dois. ___Felizmente. - escuto risadas, olhei para trás e vejo que a Julia. ___O projeto de hoje é afinidade, vocês terão que citar três defeitos e três qualidades da pessoa ao seu lado baseado nas primeiras impressoês. E me entregar agora. Depois vocês vão ter que ficar três dias com essas pessoas, ou seja, no recreio, sair para lugares que ambos gostam, e em seguida fazer outra lista e irão ver se mudou alguma coisa. - Me virei para ele. Três defeitos são fáceis. Agora qualidades. De qualquer forma só a professora Talita para fazer essas coisas absurdas. __ Não me olha muito, que eu fico com vergonha. - Ele pronunciou e franzi a testa. __ Desculpe. - Apenas respondo fazendo uma careta. Três defeitos. desajeitado, tímido e nerd. Três qualidades. É uma boa pessoa, é nerd e tem uma letra bonita. Escrevo o bilhete e dobro. Percebo que o garoto ao meu lado faz o mesmo. ___Agora me entregue os papeis na ordem. - Ele se levantou estendendo a mão e dou o papel para ele entregar. No recreio, escolho um lugar para sentarmos, será três dias longos, peguei meu lanche e comecei a comer enquanto ele bebia um suco de laranja me lançando alguns olhares. __Então Joel, me conte mais sobre você, tem irmãos? - Questiono puxando assunto. __Sim, duas irmãs mais velhas e você? __Filha única. - Sorri satisfeita. __Deve ser interessante, eu e minhas irmãs vivem discutindo pelo computador é uma loucura. __ Imagino, mas ser filha única pode ser muito solitário às vezes. ___ Concordo, você e a Julia brigaram? - Me pega desprevenida com a pergunta. __Sim. Já deve saber o motivo, afinal a escola inteira falou disso. - Mordo meu lanche. ___Ele não merece você, nunca trocaria uma garota como você por dinheiro nenhum no mundo. - O olhei surpresa. __Que bom que pensa assim. - Sorri de leve, sinto um olhar sobre mim e me viro em direção ao outro lado, mas Mark está dormindo na carteira. Um pouco mais distante avisto Luke com Julia e é exatamente ele que está me fuzilando com o olhar. Continuamos conversando animados e aos poucos descobri que Joel era muito divertido, ele dizia algumas coisas muito engraçadas e combinamos de ir ao shopping jogar amanha depois do colégio. Como ele sempre ia embora de bicicleta eu me ofereci para deixá-lo em casa. ___Sara, não precisa se incomodar o lugar onde moro é perigoso. - Avisou enquanto Yuri colocava a Bike no porta-malas. ___Relaxa Joel, Yuri é meu segurança e certamente saberá me defender. - Cruzo os braços e Yuri me lança um olhar de repreensão. __Se você diz. - Da um sorriso arrumando os óculos. Abri a porta do carro para ele entrar e entro em seguida. __Uau! que carro maneiro. - Analisou assoviando admirado. __Sim, olha esse é meu notebook. Pode me passar seu e-mail.? Coloco o aparelho sobre meu colo e ele acena. Enquanto Yuri nos levava até a casa do Joel, ele me passava algumas técnicas de informática e me mostrava alguns jogos maneiros, se não tivesse sido tão preconceituosa com ele, talvez seriamos amigos a muito mais tempo, ele é realmente um garoto adorável. Houve uma época que eu era a garota mais popular do colégio junto com a Julia, éramos imbatíveis, todos os garotos queriam namorar conosco, fui em algumas festas escondidas, mas nada me preenchia, e quase cheguei fazer uma grande besteira. O carro é estacionado e Yuri tirou a bicicleta dele do porta-malas, desci do carro com os óculos escuros. Estamos diante de uma favela. __Uma favela? Que maneiro! Primeira vez que vejo uma de perto. Pode me levar até sua casa.? - Falei demonstrando minha animação. __Não creio que possa ser uma boa ideia. É um pouco perigoso. - Coça a nuca sem jeito. __Vai Joel! o que custa por favor. agarro seu braço como uma criancinha implorando. Sei que pareço ridícula. __Tudo bem, me convenceu. __ Sara, vamos embora. - Me virei e encaro meu segurança com um olhar fuzilador. __Não, agora que estou aqui não vou fazer essa desfeita com o pobre garoto. Fique parado aí, qualquer coisa eu te ligo. - Me viro para Joel. Caminhamos em direção a entrada, e de longe já avisto caras fortemente armados, uma certa adrenalina invade meu corpo, quando chegamos no portão dois braços fortes nos pararam bruscamente, homens com cara de poucos amigos me analisaram de cima para baixo. __Essa quem é? Pergunta para o Joel. __é uma amiga, ela veio fazer um trabalho da escola. _ eles se entreolham por alguns segundos. __Pode entrar, sejam rápidos. Me olhou__ aqui não é lugar de filhinha de papai. - Replica e eu quase abri a boca para responde-los, mas engoli de volta minhas palavras quando avistei a metralhadora pendurada na suas cinturas. Joel segurou minha mão e subimos o morro correndo. analiso o lugar curiosa, a forma como eles andavam armados como se fosse algo natural era insano, as meninas praticamente nuas me lembravam muito as roupas extravagantes da minha mãe. A subida era enorme, outrora estaria suplicando para voltar, todavia, minha curiosidade falava mais alto. Chegamos em frente ao que parece ser sua casa e bateu na porta. Imediatamente uma garota atendeu. __ Olá. - Ele acena entrando. ___Joel? O que essa patricinha faz aqui? - Gritou e arqueio a sobrancelha. __ Espera, acho que está vendo algo errado, eu não sou... ___Uma filhinha de papai? Com essa cara de rica, e esses sapatos mais caros que minha casa, me poupe. Eu não sei de onde o maluco do meu irmão te tirou boneca, mas aqui não é lugar para você. ___ É minha amiga. - A empurrou e pegando minha mão. __ Ela não é como as outras, E você já reparou que ela lembra a... Ela o corta. __Sim, não sou cega e claro que ela não é como as outras. - Lançou um olhar severo. __ Se o chefe descobre que tem gente estranha aqui você está morto, ou melhor estamos. - Faz sinal no pescoço e ele passa a mão no local. ___Não quero criar problemas. O encaro preocupada. __ Acho melhor você ir então, daqui a uma semana o chefe vai viajar, aí te convido para conhecer. Sorri concordando. __Vou te acompanhar até o portão. Descemos juntos, e joel apontava alguns lugares me contando o que faziam lá, arregalei os olhos com tais revelações. ___Espera! esqueci o dinheiro dos caras. - Parou no caminho. ___Vou buscar rapidinho. Senta-se ali e não saia por nada. - Aponta na calçada perto umas árvores e concordo. Ele sobe correndo e vou até à calçada me sentando. Avisto uma flor-amarela e pego na mão desfazendo-a entediada. ____ Eu já te disse, eu não recebi m***a!- Escuto uma voz conhecida e levanto o rosto avistando três caras encurralando o irmão do Mark. ___Não quero saber, você comprou as paradas e agora tem que pagar beleza? - O agarrou pela jaqueta e o empurrou contra parede. ___E se eu não pagar, o que vai fazer? Riu debochando e rapidamente um soco é desferido no seu estomago. Me levanto surpresa, ele se curva gemendo de dor. ___Isso é tudo que podem fazer? Um soco de m*****s desses? Minha madrasta bate mais forte que isso. - Bradou, o rapaz levanta o punho para acertá-lo novamente, no mesmo estante, não sei o que acontece comigo, se é adrenalina no meu corpo ou o medo de ver um cadaver na minha frente. ___Parem seus imbecis! - Bradei e os rapazes me olharam, inclusive ele que parece que viu um fantasma novamente. Caminho na direção deles confiante enquanto balança a cabeça avisando que não era para me meter, mas já estava metida o suficiente. ___Três contra um? Não acha que isso é uma grande covardia? Coloco a mão na cintura e levanto o queixo - o rapaz o solta me olhando. ___Quem tu pensa que é garota? Tu não é dessa banda. Vou te ensinar a não colocar o bico na onde não é chamada. __Vem para cima de mim me empurrando, dou passos para trás, quando levanta sua mão para me acertar um t**a, sinto meu braço ser puxado com força para trás de um corpo, caiu no chão e os vejo saindo aos socos totalmente agressivos, tampo o rosto com os gemidos. Começo a tremer com toda aquela cena de violência, sentindo meu ataque de pânico querendo dar as caras, peguei o celular com as mãos tremulas e mandei uma mensagem para o Yuri. Não demorou 5 minutos e escutei o barulho da sirene da polícia, rapidamente eles pararam de se agredir e se encaram alarmados. __Sujou! você me aguarde não acabou. __ Estou ansioso por isso. __Você está bem? Estendeu a mão me fitando minunciosamente e seguro firme me levantando __Sim. - Respondo sem graça. Ignorando o ardor no meu joelho. O qual parece notar porque seus olhos estão fixos na minha perna. ___Por que fez isso garota? Você poderia ter morrido. - Sua voz soa autoritária ao mesmo tempo, preocupada? Meu coração bate acelerado. De novo não Sara, você se apaixona muito rápido. ___Eu não queria que te machucassem, Mas parece que não deu muito certo. - Sorri amargamente vendo o sangue escorrer do canto da sua boca e sua testa ferida. Ele passou a mão no lábio disfarçadamente. ___Não foi nada. Nunca mais faça isso, você nem me conhece direito. Nunca arrisque sua vida por ninguém, muito menos por um estranho, entendeu?- Deu um passo aproximando nossos corpos me mirando com suas safiras claras dilatadas. Minha respiração mudou de forma involuntária. - Mordi o lábio concordando. ___ Graças a Deus te achei, Espera! o que está acontecendo aqui? Joel nos encarou preocupado e desviou olhar para minha mão a qual o irmão do Mark estáva segurando. - E a solta se afastando imediatamente, bagunçou o cabelo atordoado ___ Dá próxima vez! não traga problemas aqui, já temos o bastante. - Apontou o indicador em sua face o advertindo, em seguida lançou um olhar para mim passando na nossa frente.
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