Sara.
___ Sara, o que deu em você? para querer ir comer em um restaurante simples. -Yuri me olhou pelo retrovisor desconfiado.
__Fome Yuri. É proibido agora? - Coloquei a mão na barriga levantando a sobrancelha.
__Espero que seja só isso mesmo, não quero ter problemas com seu pai. - Sorri da sua ingenuidade.
__Relaxa yurizinho, eu te protejo do monstro de gelo.
Estacionamos o carro em frente ao local, era um lugar simples, totalmente diferente dos lugares que estou acostumada, porém, parecia confortável ao menos. Desci do carro deixando a mochila no assento e fechei a porta.
__Não demora muito. - Alertou de forma autoritária.
___Não vou, e para você não me acusar de maus-tratos, vou trazer algo para comer enquanto me espera. -Pisquei e me olhou surpreso. Deveria achar que fui abduzida por algum extraterrestre, é a primeira vez que lhe ofereço algo para comer.
Entrei no pequeno restaurante apreensiva, sei que uma parte de mim queria ser grata pelo que fez, só que definitivamente não é esse meu motivo de encontrá-lo. Estou curiosa, pela primeira vez existia alguém parecido comigo nesse mundo. Alguém que se esconde atrás de uma máscara e detesta a escola. Não que detestar a escola seja raridade. só que não detesto somente a escola, e sim a maioria das pessoas que vivem nela, e no resto do mundo. Olhei para o local procurando o dono do estabelicimento, quando uma voz rouca surgiu bem atrás de mim.
___Deseja algo senhorita? - Comprimi meus lábios me virando e encarando o dono daquela voz. Seus olhos verdes me fitaram de forma estranha como se tivesse visto um fantasma, entretanto, era normal as pessoas se chocarem com minha aparência de gotíca.
Uma carga de nervosismo passou sobre meu corpo, ele era totalmente diferente do que imaginava, de fato parecia maduro e não vou negar era muito gato.
___é... bem obvio, vim comprar um lanche. Porque raios minha voz saiu cortada? - forcei um quase sorriso, sacudiu a cabeça como se quisesse expulsar algum pensamento, colocou o pano sobre o ombro pegando o cardápio na mesa ao lado.
O garçom se aproximou de mim, e pousando a mão levemente nas minhas costas me conduziu até a mesa. Sentei-me o observando enquanto me mostrava tudo gentilmente, analisei seu rosto e sua barba por fazer, nunca havia me sentido atraída por rapazes desse tipo e olha que não faltava ao meu redor, mas tinha algo nele que me chamou a atenção.
__ Algum problema? - Me encarou franzindo a testa.
___Nenhum em você. Inclusive, está tudo no seu devido lugar. -Pisquei flertando na maior cara limpa. _Quero dizer, vou querer esses dois. -Apontei qualquer lanche e acenou fechando o cardápio. Foco Sara! antes de se retirar segurei seu braço.
___Espera, você é irmão do Mark, não é mesmo? - Perguntei notando seu corpo se enrijecer. Diferente do irmão ele era uma parede com músculos.
___ O que ele fez dessa vez? - Se virou me olhando com a expressão cansada.
___Nada, na verdade queria agradece-lo. - falei indiferente e me olhou pasmo.
___Tem certeza? Não é uma das meninas loucas apaixonada por ele né? - Sorrio sugestivo.
___Claro que não, eca! Tratei de me explicar rapidamente. __Definitivamente não, ele não faz meu tipo. Minto obviamente, porém agora descobri que tenho um novo tipo. __ é que ele me deu um conselho que me impediu de fazer a pior burrada da minha vida e iria apenas agradecer.
__Sério? Sorrio não muito convencido. __ Então me diga, quem faz seu tipo? Ignorou todo o resto que falei. - Escorou-se na mesa arqueando a sobrancelha curioso. Ora! temos um interessado aqui?
__ Você Poderia me informar onde está seu irmão por favor. - Arrumei a postura voltando a mesma de antes. Não tão fácil gatinho.
___Sinto muito, mas não posso dar essa informação. Não sei onde ele está, e mesmo se soubesse não lhe diria. Me pega desprevenida. __ Vou preparar seus lanches Senhorita, com licença. - Acenou se retirando.
Fiquei com a cabeça apoiada na mesa, mexendo nos canudos monótonamente.
___ Já faz mais de meia hora que estou esperando meu lanche. - Yuri entrou enfurecido.
___Calma, estão preparando. - Me pronunciei continuando com a mesma postura. Puxou a cadeira e se sentou na minha frente.
___Você ainda vai me m***r.
___Você está ficando muito estressado Yuri, isso que dá andar muito com meu pai. - Toquei seu braço e me olhou sorrindo.
__Aqui está. - A mesma voz surgiu fazendo me levantar em um pulo. Ele jogou o lanche na mesa e o papel da conta se retirando sem falar nada.
__Que rapaz m*l educado. - Yuri comentou e olhei em sua direção enquanto limpava o balcão me encarando.
___Me espera, vou pagá-lo. - Me levantei e fui até o balcão.
___Aqui está o dinheiro. _ Não vai mesmo me falar onde anda seu irmão? - Questionei e suspirou impaciente.
___ Olha Senhorita, não sou babá dele, se quer saber dele vai até á favela, provavelmente estará por lá, mas não aconselho ir sozinha ou se quer sairá viva para contar história. Agora toma seu troco, e me deixe trabalhar em paz. - Respondeu seco entrando para dentro.
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Era sábado, tinha acabado de me arrumar para ir à igreja, dessa vez não ia me arrumar como sempre estava acostumada, sabe, cores escuras e maquiagem fortes, pelo contrário, quis escolher algo claro e feminino, nem todos sabem. Esse meu jeito de vestir é uma forma de me proteger, não me sentia bem sendo a filha de pais tão ricos, Jaqueline sempre me questionava sobre meu futuro como modelo. Notei antecipadamente que ela gostaria que fosse igual a ela, porém, sua forma Insensata de viver me repudiava. Agora, entretanto era diferente, eu poderia tentar descobrir quem realmente era sem ir de um extremo ao outro, por isso, escolhi essa roupa que com certeza, vai fazer eu me sentir muito estranha.
Entrei no carro juntamente com Yuri e minha avó, também fiquei surpresa quando ele falou que também estava indo na igreja. Não demoramos muito para chegar no local, me encontrava um tanto ansiosa. Descemos do carro e já avistamos a professora e sua família, fomos cumprimentá-los, em seguida entramos.
O culto começou, e por incrível que pareça, cada palavra parecia ser direcionada a mim.
Agora abram a bíblia em provérbios 16:20 O que atenta para o ensino acha o bem e o que confia no senhor esse é feliz.
__ Está claro aqui nesse versículo, que a verdadeira felicidade vem de obedecer a palavras de Deus, é impossível ser feliz sem Deus, E acreditem, até a pessoa mais feliz por fora, se sente vazia e triste em um determinado momento, e sabe porque? a carne não consegue preencher a alma. Já ouviram do faltar algo? os ricos costumam dizer eu tenho tudo, mas parece que ainda me falta algo e não sei o que é, então eles não percebem que esse algo; na verdade é alguém, Deus.
Era exatamente dessa forma que eu me sentia, faltava algo dentro de mim, nunca entendia o porquê era tão infeliz tendo tudo, e agora fazia todo sentido, não tinha o mais importante que era exatamente Deus.
Teve o momento de louvor; e me abri novamente com Deus, mesmo ainda não estando pronta para me entregar por completo, queria tentar mudar, ser uma pessoa melhor talvez.
O culto acabou e nos despedimos de todos, quando estava prestes a entrar no carro novamente, algo me chamou atenção.
__Aqui garotas! a pizza do grupo de jovens chegou. Olhei para o lado e avistei as meninas pegando as caixas, elas riam e conversavam entre si, pareciam felizes. Era algo natural não forçado, mas minha análise terminou ao ver quem era o entregador. Ele segurava o capacete no braço enquanto esperava o troco, e não pude deixar de notar uma delas trocando olhares com ele, enquanto mexia no cabelo fazendo charme. - Revirei os olhos. Até na igreja tinha oferecidas.
___Ei você? não vai querer participar? - Uma garota me chamou sorridente. O esperei olhar na minha direção, e quando aconteceu, nossos olhares se conectaram. Meu coração acelerou por um momento. Sua expressão era indecifrável, algo como perturbado, não sei explicar, e notei de prontidão que ele definitivamente não iria sorrir para mim como fez segundos atrás para aquela garota. Balancei a cabeça negando, e entrei no automóvel seguindo meu caminho de volta para casa.