m***a Sobrenatural

2036 Palavras
Fui até a sala de repouso e ali estava, deitada na última cama da sala. A menina não estava completamente desacordada, mas ainda parecia muito fraca. Meu lado bom achou melhor levá-la até sua casa. Ela não estava em condições de sair daquela sala sozinha. E como a fada antes tinha me dito, estava no momento sendo comandado pelo lado anjo que tinha necessidade de fazer tudo certinho.  —Margot? – Disse me aproximando e sentando ao seu lado. Ela resmungou baixinho e se sentou na cama devagar. Seu corpo era tão pequeno, ela era uma daquelas humanas que pareciam poder quebrar a qualquer instante. Ou talvez esteja a vendo assim por ela parecer bem fraca. Não sabia ainda. —Sim. Quem é você? – ela disse abrindo devagar os olhos e eu vi o reflexo neles. A luz que batia e voltava neles, aqueles olhos totalmente vivos. Era diferente do que eu costumava ver. Ela era... inocente. —Eu me chamo Sofia. Você está bem? – disse voltando a focar no meu objetivo que era fazê-la voltar outro dia e não denunciar o clube. —Ah, eu me lembro de você. Você me fez desmaiar. Por que fez isso? – Ela se retraiu e suas sobrancelhas se franziram. "Porque eu sou um monstro!" até poderia ser uma boa resposta, mas ela ficaria ainda mais assustada e esse não era o objetivo. Além do mais, isso traria mais perguntas, que eu não estava a fim de responder. Até agora péssimo trabalho, Sofia. —Eu sinto muito. Vem...eu vou te levar em casa. – levantei e me virei estendendo a mão para ela. Ela, contrariando todas as minhas expectativas, aceitou minha mão. Tinha que admitir que, pelo menos até agora, ela não parecia do tipo que se assustava fácil. Eu a ajudei a levantar e andar até o estacionamento da boate. Explicar para Yuri o que eu iria fazer foi relativamente mais difícil do que descer com uma menina praticamente desacordada escorada em meus ombros. Yuri estava com medo de que eu matasse a garota, e eu tive que prometer que não tomaria mais o sangue dela naquela noite. Depois de tudo acertado, coloquei ela no banco da frente do meu carro e entrei. Liguei o ar condicionado do carro porque estava muito abafado e eu sentia minha pele quente. Me virei e Margot fazia desenhos no vidro com o dedo indicador, tentando com muita força fingir que eu não estava ali. Tentei não me abalar com aquilo, afinal, eu tinha quase a matado, mesmo que sem querer. Um pouco de desprezo não seria novidade. —Onde você mora, loirinha? – perguntei sorrindo de lado enquanto ajeitava o ar condicionado em sua direção também. —Meu nome não é loirinha. E eu moro na Rua Lauro Müller. – Ela estava com raiva e demorou um tempo para colocar o cinto de segurança. Como se ela me punisse brincando com a própria segurança. Os humanos eram tão estranhos as vezes. Essa podia ser considerado um pouco mais estranha, levando em consideração como eu a havia conhecido. —Botafogo. Tudo bem. Você está bem? Não vai passar m*l no meu carro? – Ela ainda estava com raiva, tudo bem. Se eu não mudasse o tratamento e a fizesse ficar tranquila, teria que apagar a memória da menina. Não sei se eu gostaria de fazer aquilo. Apagar memórias era tão chato. —Eu não bebi! Só estou tonta. É o que acontece quando você perde muito sangue. —Ela disse levantando o rosto e deitando no encosto do carro. - Tudo bem, tudo bem. Já pedi desculpas. Eu sinto muito. Já entendi. - Nossa, a loirinha tinha que superar aquilo. Eu dei partida e saímos do estacionamento. d***a, o que eu iria fazer? Aquilo iria terminar de uma forma muito, muito r**m. —A culpa não é só minha loiri... Margot, não é? Enfim, quando Yuri te chamou ele não disse o que poderia acontecer? Não é possível que ele não tenha falado nada, quer dizer, seu sangue é...eu nem sei como começar a explicar.—Disse coçando a cabeça de nervoso. —É, eu só não achei que aconteceria no primeiro dia. – Agora fudeu. —Você nunca tinha ido ao clube? – Olhei pra ela espantada. Eu estava fudida. Teria que apagar a memória da loirinha, com toda certeza. —Não. O que você quis dizer sobre o meu sangue? – Ela se encolheu com medo da minha reação ao admitir, mas depois se recompôs enquanto fazia a pergunta para mim. Aquele bate bola estava até que interessante, é, eu realmente estava bem entediada. —Quantos anos você tem? – Eu olhava para frente e minhas mãos estavam contidas no volante do carro, o que ela tinha naquela cabeça? Eu não ficava nervosa daquele jeito há um tempo. O cheiro do sangue dela pairava como uma núvem dentro do carro, me distraindo. Yuri nunca tinha feito isso...deixar uma iniciante comigo, ainda mais com aquele sangue? Eu iria tirar essa história a limpo com ele. —Vinte. E você? – Ela perguntou tentando mudar de assunto. —É complicado. Enfim, você ainda é muito nova pra ir em lugares assim. – d***a, ela era uma criança, praticamente. —Nossa, você é quem, minha mãe? Além do mais, acho que não dá pra ficar mais complicado do que você ser uma vampira. – Ela disse rindo e brincando com o vidro elétrico. —Pode acreditar quando eu digo que fica sim. – Agradecendo mentalmente quando o cheiro ficou mais ameno com o vento de fora entrando pela janela. m***a, o caminho até Botafogo nunca demorou tanto. Todas as pessoas do Brasil estavam nas ruas da Zona Sul naquele dia. —Tudo bem, se você não quer me contar. – Ela disse amarrando o cabelo e olhando pela janela. Uma lufada de vento veio em minha direção junto com aquele cheiro divino. Que m***a. Não conseguia arrumar meus pensamentos. Eu segurei sua mão e disse com convicção. —Você foi no clube hoje e se divertiu muito. Tudo que eu te contar você não vai contar a ninguém. Você vai se esquecer e só vai se lembrar quando estiver comigo. Vai ser o nosso segredo. – Eu disse com a voz firme. Não queria ter que apagar sua memória. Aquilo quase nunca funcionava direito e deixava muitos furos no passado da pessoa. —Vai ser o nosso segredo. – Ela repetiu devagar, hipnotizada por um momento. A compulsão, como muitos gostavam de chamar, não precisava de contato visual, apenas contato. Eu podia controlar a qualquer hora qualquer um em que pudesse colocar as mãos. A compulsão visual também funcionava, mas não era a mais elegante de se fazer, principalmente em público. Eu contei a ela sobre ser uma Híbrida e ela escutava tudo com interesse. Quando estávamos perto de sua casa eu terminei a história. —E então? – Perguntei, tentando esconder de mim mesma o quanto eu tinha ficado animada por ter compartilhado minha vida com uma completa estranha. Eu nunca poderia contar nada daquilo a ninguém da minha família. Talvez fosse o caso de fazer terapia. Estava divagando esperando Margot responder. —É extremamente bizarro de formas que eu não consigo nem entender. —Pois não precisa. Você não precisa entender, não precisa fazer nada. A única coisa que você tem de fazer é me perdoar pela minha indiscrição no clube, entrar na sua casa e ter uma boa noite de sono. —Eu te perdôo. Boa noite. Ah, obrigada por ter contado pra mim sua história.– Ela disse abrindo um sorriso calmo na minha direção. Ali estava mais uma vez, nos olhos dela. Um brilho diferente, um reflexo do meu passado que eu não conseguia entender. O que tinha naqueles olhos? —Boa noite, Margot. Ela sorriu mais uma vez e desceu do carro descalça carregando os saltos na mão. Se enrolou pra achar a chave e mesmo quando ela fechou a porta, ainda não consegui sair dali. Tinha um pressentimento de que não seria a última vez que eu a veria. A luz de cima acendeu e apagou e depois de um tempo, me forcei a dar partida e ir embora dali.                           ---------------- O cara estava na minha cola, que saco, era eu quem deveria seguir ele. Aquela situação iria mudar, e bem rápido. Eu continuei andando e o senti perto. De repente, eu parei e ele parou também, tentando achar algum lugar para se esconder. Como se ele fosse conseguir se esconder de mim. -Olá Carlos. Posso saber o por que de você estar me seguindo? – disse me virando pra ele e sorrindo de lado. -Uns amigos meus disseram que você procurou por mim, decidi saber quem era você. – ele estava a passos de mim. Ele estava com medo. Eu não. -E você estava me seguindo há muito tempo? - Eu disse me aproximando dele devagar. Ele ficou ainda mais nervoso e tropeçou quando tentou se afastar de mim de costas. -Olha, eu tenho uma arma.-Ele disse num tom de voz ameaçador, tentando esconder o pânico. Estávamos sozinhos na rua. Ninguém veria o que eu iria fazer. -E o que você vai fazer com isso? Ah, você vai tentar me m***r, né? Bom, vai em frente. – falei rindo e abrindo os braços, encarando ele decidida. Ele apontou a arma para mim e de repente se sentiu poderoso outra vez, mas apenas por alguns segundos. Toda aquela masculinidade foi embora quando a bala voou e se desintegrou antes sequer de conseguir me tocar. -Co..como você fez isso? – Ele gaguejou se tremendo todo. Era um pouco engraçado. -Eu não fiz nada. Até agora. Não se deve machucar uma mulher, todo mundo sabe disso, Carlos. Menos você ao que parece. Vou precisar te ensinar algumas coisas...Mas antes, vem aqui comigo. Eu segurei ele pelo pescoço e entrei em uma loja de materiais de construção que já estava fechada pela hora. Eu o prendi com braçadeiras e uma corda grossa. -O que você vai fazer comigo sua p*****a? – Ele rosnou se debatendo. -Não não não. Que linguajar é esse, Carlos? Eu acho melhor você se comportar, senão vai doer mais. – Eu disse séria apontando o dedo pra ele. Eu peguei um balde e coloquei em baixo dele e fiz um corte em seu braço. Ele gritou tanto que eu tive que fechar a boca dele. Eu não podia matá-lo ainda, mas podia fazê-lo sangrar. E sangue era ótimo. -Eu já vou dar um jeitinho em você, só preciso resolver umas questões financeiras antes. Peguei o celular no bolso do casaco e liguei para o chefe. -E ai chefe! Eu já estou com o seu cara embrulhado pra presente. – Disse rindo enquanto cortava a veia do pulso dele, fazendo mais sangue jorrar no balde. O grunhido dele foi alto dessa vez. "Então o que está esperando? Mate-o." – Ouvi a voz robótica pelo celular. -Então, viu? Não é assim tão fácil. Eu acabei de ver aqui que seu depósito não caiu ainda. E eu só posso terminar o serviço com o pagamento concluído, você sabe disse, não sabe? Conversei com o seu cara sobre isso. "Tudo bem, tudo bem. Agora vá e mate ele" -Falando nisso, agora eu vou precisar de um bônus pelo atraso do pagamento. O senhor sabe como é: juros, parcelas, e todas essas coisas de matemática. Aí, isso tudo é tão chato, né? “Sua piranha.” -Nossa, que grosseria, está me soando como o Carlos. Vocês homens são tão engraçados. Se quiser eu posso falar pra ele quem me mandou...tenho certeza que ele ficaria muito feliz em sair daqui vivo e procurar explicações. Seu tempo esta acabando, chefe. Tic Tac. -Foi só um equívoco rápido. Termine o serviço. – Ele disse deligando o celular. Eu atualizei minha conta e lá estava o pagamento por aquela pobre alma. -Valeu, Chefe. – sussurrei e me virei para o homem suado que estava preso. -Então Carlos, acho que não vai doer muito, pode ficar tranquilo. É só relaxar...vai ser como levar um tiro. Entendeu? Por que você tentou me dar um tiro. - Sorri pra ele e fui completar minha refeição.
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