KAI CONSEGUIU LOCALIZAR O RESTO DA EQUIPE. Eles conseguiram voltar até o esconderijo e assim que conseguiram contatar seu líder, reuniram todas as coisas e voltaram para a academia.
Raven foi recebida com um abraço de Morgana e Ben. A equipe se reuniu no grande salão e Kai e Diamond foram abraçados por seus pais e por Killian.
– Fiquei tão preocupado com vocês. – Killian revelou, dando um soco de leve no braço de seu irmão – Não façam isso de novo!
– Kai, o que aconteceu? Onde vocês estavam? – Cornelius perguntou.
– Nós vamos contar tudo, eu prometo. Mas antes, temos algo muito importante pra mostrar pra vocês. – Kai falou, chamando Raven para frente. Ela estendeu a mão fechada e o abrir, revelou o pen-drive com os arquivos da Grande Sombra.
– Meu Deus, srta. Richards! Isso aqui pode nos dar a localização de todas as bases da Grande Sombra! – Cornelius sorriu ao abrir os arquivos – Chame a Celestial.
Raven ouviu o nome da poderosa Feiticeira e só conseguia pensar que ela mentiu sobre quem era. Se a atual Feiticeira Celestial não era Celeste, então certamente era a sua filha, e provavelmente conheceu sua mãe. De qualquer forma, ela estava mentindo e escondendo segredos sobre seu passado e ela iria descobrir.
– Isso é ótimo! Vamos montar equipes para desmontar as bases deles uma por uma, enquanto isso, vou trabalhar no feitiço que Maxim está usando e descobrir o que ele faz. – a Feiticeira Celestial anunciou, dando às costas para os membros da Ordem e saindo.
Raven não conseguiu evitar e correu para alcançá-la.
– Espera! – Raven chamou em um corredor e a Celestial olhou para ela, com um leve sorriso no rosto. A ruiva estava séria e desconfiada. Não confiava mais na Feiticeira.
– Sim, Raven? Precisa de alguma coisa? – a mulher se aproximou de Raven, calorosa e carinhosa. Por um momento, Raven se sentiu acolhida.
– Eu só queria contar que conheci a Grande Sombra. – Raven revelou e a Celestial ergueu as sobrancelhas, surpresa.
– Ah, querida! Sinto muito que o homem que lhe trouxe a esse mundo seja como ele. – a Celestial colocou o braço ao redor de Raven e a abraçou, a fazendo se sentir estranha por gostar de seu abraço – Quer me contar como foi?
– Foi... Estranho. Mas é bom finalmente dar um rosto ao nome. – Raven decidiu ficar quieta. Não confrontar a Feiticeira Celestial era a melhor estratégia para descobrir quem ela era.
– Ainda assim, não deve ter sido fácil pra você. As Trevas podem ser muito tentadoras. – ela confessou.
– Eu sei. – Raven respirou fundo, olhando nos olhos da Feiticeira – Eu fui convencida a ficar com ele. Por mais maligno que ele seja, sei que não tenho que ter medo dele.
– Raven, esse homem não tem apreço por você. Se sua própria mãe desejou mantê-la longe dele, com certeza foi por um bom motivo. – a Celestial advertiu, preocupada, mas Raven deu de ombros.
– Só vou saber se perguntar a ela. E a não ser que você saiba quem ela é, ele é o único que poderia me dar qualquer pista sobre ela. – Raven rebateu, voltando a sentir raiva.
– Bom, confio que você tomará a decisão certa e ficará do nosso lado. Detestados tê-la como inimiga. – a Celestial finalizou a conversa e passou por Raven, que virou para ela, desafiadora.
– Isso foi uma ameaça, Celeste? – Raven provocou e a Feiticeira Celestial parou e olhou com um sorriso cordial.
– De forma alguma, querida.
– Para de me chamar de querida. – Raven andou até ela, tentando manter sua calma – Você fala de conhecimento. Que conhecimento é poder e ainda assim, mente pra mim. Ele ao menos me disse a verdade.
– Quando foi que menti pra você? – a Celestial perguntou, se sentindo ultrajada – Você foi recebida por todos com nada além de sorrisos, hospitalidade e confiança. Em uma semana deixamos você ir em uma missão da Ordem.
– Sorrisos, hospitalidade e confiança? – Raven riu, debochando e chamando atenção de algumas pessoas que passavam por ali – Desde que eu cheguei tudo que tenho sido é "a filha da Grande Sombra". As pessoas me olham torto quando eu passo, quando faço magia todos ficam com medo. Isso é sinal de confiança pra você?
A Celestial pensou um pouco e tentou baixar o tom de voz da conversa.
– Você é filha homem mais perigoso e procurado da sociedade mágica, é natural que as pessoas fiquem receosas perto de você. – ela protestou – Não há razão para entendê-los m*l.
– Mas e quanto a você? – Raven apontou para a mulher, sentindo sua garganta fechar – Você governa essas pessoas...
– Eu não sou uma rainha. – a Celestial travou o maxilar para falar.
– ...e ainda assim, eles não fazem a menor ideia de quem você é. No fundo, nem você sabe quem é. – Raven finalizou, deixando a Celestial sem palavras – Lembrou-se de quando foi que você mentiu? O seu nome não é Celeste porque eu sei que Celeste está morta.
Raven deu às costas indo para seu quarto às pressas.
– Celeste era minha mãe, Raven. – a Celestial começou a falar e Raven parou – Sim, eu menti pra você, mas não foi porque eu escondia algum segredo e nem quis te enganar. Sebastian matou a minha mãe, a pessoa que eu mais amava e as pessoas já não falam mais dela, atualmente. Eu queria que você me chamasse pelo nome dela pra que assim, sempre que eu o ouvisse, sentiria que ela estava comigo. Desculpa pela mentira. Eu só sinto muita falta dela.
Raven virou para a Celestial e viu que ela tinha lágrimas nos olhos.
– Se sua mãe foi morta pela Grande Sombra, então ela deve ter tido algo a ver com a fuga da minha mãe. Deve tê-la ajudado talvez. Você não faz ideia de quem era a minha mãe? – Raven perguntou e a Celestial negou.
– Sinto muito. Se soubesse de algo, juro que contaria, mas aquela época é como um borrão pra mim, por algum motivo. – ela revelou.
Raven parou para pensar se contava para ela o que sabia.
– Eu faço magia Celestial. – Raven revelou e a mulher a encarou, chocada – Kai levantou a hipótese de eu ser uma Incomparável e se sua mãe ajudou a minha, deve ter sido por isso. Talvez, a minha mãe seja uma irmã sua ou prima, não sei.
A Celestial negou com a cabeça.
– Eu sou filha única e minha mãe também era, mas... Se você é mesmo uma Incomparável e tem sangue Celestial nas veias, isso explica muito. – a Celestial concordou – Explica também porque minha mãe a ajudou.
Raven estava de novo em um beco sem saída.
– Obrigada, de qualquer forma. – ela virou de costas e saiu, indo em direção ao seu quarto, onde encontrou Diamond e Morgana, sentadas em sua cama.
– Não estou no clima... – Raven murmurou.
– Olha, sei que não fui das mais receptivas quando você chegou aqui. – Diamond começou a falar – E sei que você ouviu algumas coisas que não fizeram sentido na hora, mas, quero que saiba que sou grata por você ter salvo o Kai hoje.
Raven sentou-se ao lado delas e abraçou um travesseiro.
– Sei que gosta dele. – Diamond comentou e Raven olhou para baixo sem dizer nada – E mesmo que não pareça, eu gosto de você. De vocês duas. Então eu vim aqui pra acabar com a hostilidade entre nós.
– Por que você me odeia tanto, afinal? – foi a pergunta de Raven.
Diamond suspirou e olhou nos olhos azuis da Feiticeira do Fogo.
– A primeira coisa que você tem que entender é que a minha família e a de Kai sempre estiveram no topo da alta sociedade. Somos tão influentes quanto a família Hex, a das Celestiais. – Diamond contou e Raven ponderou o sobrenome da Feiticeira Celestial – E estar numa família poderosa assim tem seu preço. Kai e Killian foram treinados para serem os melhores desde que começaram a andar. Eles sofrem uma pressão imensa dos seus pais e o mesmo pode ser dito por mim. Mas eu nasci mulher e nunca recebi o mesmo valor que meus primos.
Raven e Morgana escutaram a história de Diamond atenciosamente.
– Quando entramos para a Ordem éramos os mais fortes e talentosos, e eu queria provar que era muito mais que um rosto bonito e um bom sobrenome. – ela contou – Mas as minhas ideias eram descartadas facilmente quando alguém mencionava o Corvo da Esperança.
Raven franziu o cenho e olhou para Morgana.
– É você. – a Maga do Fogo respondeu e Raven assentiu, entendendo e voltando sua atenção para Diamond.
– Eu fiquei com raiva porque todos esperavam que você os salvasse e nunca me deram uma chance. – Diamond finalizou – Mas agora que conheço você, eu... Estou me esforçando muito pra não gostar de você.
Raven sorriu.
– Eu gosto de você também, Diamond. – Raven assegurou e a Maga do Ar sorriu para ela.
De repente, o celular de Raven começou a tocar e ela franziu o cenho ao ver o nome de Amy na tela.
– Oi, Amy, tudo bem? – Raven atendeu e ficou calada ao ouvir Amy chorando.
– Raven, eu preciso de ajuda. – Amy implorou e Morgana notou o olhar de Raven – Tem três Feiticeiros das Trevas na minha casa. Eles estão procurando você.
– Amy, se esconda! Eu já chego aí. – Raven desligou o celular e se ergueu às pressas para pegar seu casaco e uma espada – Minha amiga está à mercê de Feiticeiros das Trevas. É minha culpa, eu vou salvá-la.
– Não vai sozinha. – Diamond e Morgana se ergueram – Vamos com você.
Sem tempo para protestar, Raven assentiu e as três partiram com pressa para a casa de Amy.
Do lado de fora, Diamond e Morgana se esgueiravam para entrar pelos quartos enquanto Raven entrava pela porta da frente. Com um chute, ela escancarou a porta e se deparou com um dos Feiticeiros que havia amarrado Amy e seus pais sentados em cadeiras, bem no centro da sala.
– Você é um homem morto! – Raven ergueu a espada e quando foi acertá-lo, ele a driblou e ele a segurou por trás, com a mão no pescoço, a impedindo de falar.
– Você é talentosa com magia, mas luta corpo a corpo não é seu forte, Raven Maxim. – ele falou no ouvido dela – Eu a peguei!
Ele chamou seus comparsas e um saiu de dentro de um quarto com uma faca no pescoço de Morgana.
– Olha o que eu achei ali dentro. – Morgana tremia de medo diante da faca em sua garganta e foi então que Raven teve uma ideia. O Feiticeiro das Trevas estava certo sobre uma coisa: ela era talentosa com magia.
Raven ergueu a mão na direção de Morgana e magicamente, a faca saiu da mão de seu opressor e voou na direção de Raven, que não viu aonde ela foi parar, mas ela foi solta pelo Feiticeiro das Trevas. Ao olhar para trás, viu que a faca havia acertado o olho dele.
De um dos quartos, Diamond saiu com uma espada sangrenta na mão e o cabelo bagunçado e alguns cortes. Ela parou atrás do capanga que segurava Morgana e lhe deu um chute nas costelas com toda força. Ele se contorcer de dor e largou Morgana que virou para ele e acertou sua cabeça na parede, o fazendo desmaiar.
– Isso foi divertido! – Morgana riu e ergueu a mão para Diamond fazer um high five mas a garota Moonglider apenas fez uma careta e negou.
Raven andou até Amy e sua família e os desamarrou.
– Raven! – Amy a abraçou chorando e seus pais olharam para os corpos, horrorizados.
– Ah, meu Deus! O que... O que eram essas pessoas? – o pai de Amy perguntou.
Raven olhou em volta, o estrago que a amizade dela com Amy causou à família e à casa de sua melhor amiga e então virou-se para Diamond e Morgana.
– Limpem tudo. Eu cuido deles. – Raven pediu e as duas as sentiram, começando a restaurar a casa.
– O que você quis dizer com isso? – Amy perguntou para sua amiga.
– Amy, eles só vieram aqui porque eu sou sua amiga. Enquanto você estiver ligada a mim eles vão continuar voltando. – Raven falou, com pesar – Você precisa esquecer de mim.
– Não, eu jamais conseguiria! Eu não posso, Raven. – Amy protestou e os olhos de Raven se encheram de lágrimas.
– Eu sei. – os olhos dela brilharam em vermelho e ela ergueu a mão – Mas eu posso. Mutatio memoriae.
O feitiço de alteração de memória afetou as lembranças dos Turner sobre o ataque, e fez Amy esquecer-se de Raven. Enquanto o feitiço fazia efeito, as três Feiticeiras pegaram o Feiticeiro das Trevas que ainda estava vivo e abriram um portal para um beco qualquer onde o jogaram no chão.
– Surgit. Acorde, seu merdinha. – Raven recitou um feitiço e o capanga de seu pai acordou com dor e dificuldade de se mexer – Seus amigos estão mortos. Diga isso pro seu chefe quando voltarem correndo pra saia dele. Diga pra ele pensar duas vezes antes de atacar os meus amigos.
O Feiticeiro das Trevas se sentou e riu malicioso.
– Acha que isso vai impedir a Grande Sombra? – ele cuspiu sangue – Ir atrás de sua amiga foi apenas um aviso. Se você não for até ele, nós vamos atrás de quem realmente importa pra você. Sua família!
Ele começou a rir. Tomada pela raiva e o medo, Raven agarrou o pescoço do capanga de seu pai e o quebrou. As risadas se silenciaram e ela se ergueu, olhando para suas amigas.
– O que vai fazer, Raven? – Diamond perguntou, preocupada.
– Eu tenho que proteger meus pais e meus irmãos. – Raven revelou – Tenho que voltar pra casa.