Chapter 8 - Hello, Father

2493 Palavras
RAVEN RECOBROU A CONSCIÊNCIA AOS POUCOS, acordando apenas seus ouvidos. Ela ouvia o som de um ventilador de teto antigo. Em seguida, acordou seu corpo, sentindo uma forte dor nas articulações de seus ombros, como se estivessem sendo arrancados de seu corpo. Seus pulsos estavam imóveis e apertados. Seus pés estavam arrastando no chão até ela os firmar e ficar de pé. Sua dor diminuiu e seus olhos abriram. Ela se deparou com uma sala cinza e com apenas uma porta e um vidro espelhado. Estava pendurada pelos pulsos em uma corrente presa ao teto. Ao seu lado, havia mais três correntes como aquelas, segurando Diamond, Dante e Kai. Diamond e Dante estavam acordando lentamente, enquanto Kai tentava abrir suas algemas. – Aperi. – ele falou – Aperi Maxima. Nenhum dos feitiços que ele falou deu certo. – Ela acordou! – Diamond exclamou ao lado de Raven e todos olharam para ela, curiosos – Você tá bem? Raven assentiu, com dificuldade para falar. – O que... Aconteceu? – Raven perguntou, erguendo a cabeça para se recompor. – Nós fomos pegos. – Diamond respondeu e Raven a olhou. – Pessoal, não importa o que aconteça, não digam seus nomes! – Kai os instruiu – Principalmente você, ruiva. Raven assentiu e olhou em volta. – Eles vão torturar a gente? – ela perguntou, nervosa – O que aconteceu com nossos poderes? – São as paredes. – Dante respondeu, olhando para as paredes cinzentas – São revestidas com pedras de obsidiana. Os que usam magia dos quatro elementos, como nós, não podemos usar magia. Diamond franziu o cenho e olhou para Raven, tendo uma ideia. – E quanto à magia Celestial? – ela perguntou para o Feiticeiro da Terra e Raven arregalou os olhos. – Magia Celestial funciona, mas a não ser que você tenha uma Feiticeira Celestial guardada no seu bolso, continuamos ferrados. – ele bufou, olhando para frente. Kai e Diamond olharam para Raven e ela assentiu, entendendo. Enquanto estavam ali pendurados, ela bolou um plano de fuga. Depois de alguns minutos, a porta se abriu. Eles ergueram as cabeças para encarar os três Feiticeiros das Trevas que entravam. Dois capangas e o próprio Sebastian Maxim. Kai e Raven se entreolharam e ela permaneceu calma enquanto encarava seu pai em silêncio. Sebastian Maxim  – Vocês são os únicos em muito tempo que foram burros o suficiente de tentarem se infiltrar na nossa base. – a Grande Sombra sorriu, quase contente e parou na frente deles – Eu vou explicar como isso vai ser. Eu vou fazer algumas perguntas e tudo que vocês tem quem fazer é responder. Vamos começar. Quais são os seus nomes? Os quatro permaneceram em silêncio e um dos capangas ergueu a mão na direção de Diamond. – Super anima. – ele murmurou e Diamond começou a gritar e se contorcer. – Deixa ela em paz! – Kai gritou e o homem parou. A Grande Sombra andou até Kai de sobrancelha erguida. – Um britânico. Certamente da Ordem da Luz. – ele observou o rosto de Kai que olhava para ele indignado – Deve ser um Redsteel. Kai, não é? Kai ficou em silêncio e a Grande Sombra assentiu, parando na frente de Diamond que respirava ofegante. – Então, você deve ser a garota Moonglider. – ele apontou o dedo para ela, sorrindo de felicidade pelo joguinho de adivinhação – Filha de Rassun e Ilyana Moonglider. Ele seguiu em frente e não demonstrou interesse em Dante. Ele parou na frente de Raven e ela evitou olhar no olho dele. – E você? – ele perguntou para Raven que continuava olhando para o chão – Quem é você? Ao ficar em silêncio, o capanga ergueu a mão e Raven sentiu uma dor excruciante que a impediu de gritar. Não importava, pois seus amigos gritaram por ela. Diamond, apesar de fragilizada pela dor da t*****a que sofreu, implorou que deixasse Raven em paz. Dante se contorceu na tentativa de se soltar e Kai fez tudo isso, com o coração desesperado. – Pare. – a Grande Sombra mandou e seu lacaio obedeceu. Raven respirou fundo, de recompondo – Quem quer que ela seja parece ser muito importante pra vocês três. Me digam quem ela é, ou ela paga o preço. – Pode me torturar o quanto quiser, ninguém vai falar. – Raven riu com uma expressão fria em seu rosto. Há quem diga que ela soava igual seu pai – Fractos. A corrente de Raven quebrou e ela deu um soco no capanga da frente, o derrubando no chão. – Ossox. – ela ergueu a mão e a fechou quatro vezes, cada vez que abriu e fechou as mãos, um osso do segundo homem foi quebrado e ele caiu no chão ao lado de seu amigo. Raven conjurou uma adaga e partiu para cima do seu pai e ele em reflexo colocou a mão aberta na testa dela e seus olhos ficaram pretos. – Mostre sua mente, seu coração e sua alma, ajoelhe-se perante mim. Tribum nas ex veras. – ele falou e Raven sentiu as Trevas tentando entrar em sua mente e revelar seus segredos. Ela tinha que lutar. Já estava dobrando os joelhos e sendo dominada por seu pai quando brilhou seus olhos em vermelho e com força, ela se reergueu e a magia dele não funcionou. A Grande Sombra ficou em choque e deu um passo para trás ao olhar nos olhos dela. – Eu não me ajoelho diante de ninguém. – ela falou, normalizando seus olhos. O capanga que ela havia derrubado com um soco acordou e segurou os braços de Raven que tentou se soltar, mas voltou novamente seu olhar para a Grande Sombra. Era a primeira vez que ela o olhava nos olhos. – Seus olhos... – ele murmurou, realizando-se de algo. Ele já vira aqueles olhos antes. – Me solta, seu maldito! – ela grunhiu de raiva tentando se soltar e o líder dos Feiticeiros das Trevas se aproximou e segurou o rosto dela, fazendo os dois se encararem novamente. Enquanto analisava cada traço do rosto de Raven, seu sorriso ia abrindo cada vez mais e seus olhos se enchiam de lágrimas. – Ela é feroz. – ele a soltou e ela se contorceu de novo – Assim como a mãe dela. Raven parou e o encarou novamente. Já que seu segredo havia sido descoberto, ela não ia mais se conter. Se contorceu novamente e soltou uma mão. – Mittent! – ela lançou o homem contra a parede e ele caiu desacordado. Raven virou-se para Sebastian e ele a olhava curioso e orgulhoso, sem contar que estava emocionado. – Olá, pai. – ela debochou dele e o homem apenas sorriu. – Raven. Eu procurei por você durante todos esses anos. Onde esteve, minha filha? – Eu não sou sua filha. Coporis imobilia. – ela lançou um feitiço de imobilização sobre ele e a Grande Sombra nem tentou escapar. Ela virou-se para seus amigos e os soltou das correntes. – Você faz magia Celestial?! – Dante exclamou, impressionada e assustado. – Claro que ela faz, tá no sangue dela. – a Grande Sombra respondeu e Raven o ignorou. – Vocês tão bem? – ela perguntou olhando para Kai que assentiu. – Vamos embora daqui. – ele pediu e Raven abriu um portal. – n******e ir, Raven. Seu destino é ficar comigo. – a Grande Sombra tentou convencer sua filha a ficar – Juntos, eu e você vamos transformar o mundo! – Como se eu fosse deixar você me transformar no arauto do fim do mundo. Não, obrigada. – Raven respondeu na frente do portal, ainda de costas para ele ao ouvir seu pai soltar uma risada. – Curioso, essas foram as exatas palavras da sua mãe há 18 anos. – Raven escutou atentamente, se sentindo tentada a perguntar a ele quem era sua mãe – Antes de eu m***r Celeste. Ela arregalou os olhos e virou para ele, apavorada. – O que disse?! Você matou quem? – ela andou até ele e o portal começou a ficar instável porque ela não estava focada. – Celeste. A Feiticeira Celestial. – ele contou com um sorriso no rosto – Ela tentou ajudar sua mãe a te tirar de mim e eu a matei. – Não, não é verdade. – o portal fechou quando Raven começou a ficar muito mais nervosa que o normal. – Raven, o portal! – Diamond a chamou e ela ignorou. – Por que eu mentiria? Eu mesmo a enterrei. Se quiser te mostro onde. – ele falou e ela deu um passo para trás. – Portam magicae. – ela reabriu o portal mas ele continuava instável – Vão. – O quê? – Diamond perguntou. – Eu vou ficar. – Raven revelou e seu pai sorriu. – Ah, mas não vai mesmo! – Kai agarrou Raven e a colocou nos ombros. Ela se debateu e ele aproveitou para pular. Assim que passaram, o portal se fechou e eles caíram na grama. – Não! – Raven se ergueu, desesperada. Ela virou para Kai e começou a dar tapas no braço dele – Como você pôde? – Acabei de salvar sua vida, garota! – ele segurou os pulsos dela e olhou bravo nos olhos dela, mas mudou seu semblante ao ver que ela estava triste – Como você escolheu ficar com ele? – Aquele é o único homem que sabe quem é a minha mãe, Kai! Essa era a minha chance de encontrar ela. Kai contraiu os lábios e puxou Raven para si, a abraçando com força. Por alguns instantes ela recusou o gesto, mas logo fechou os olhos e aceitou. De fora, Dante olhava para a cena e sentia ciúmes. Ele estava interessado em Raven, mas via que ela era muito mais aberta e receptiva com Kai, o que significava que ele precisaria trabalhar para conquistá-la. – Richards, pra onde você nos trouxe? – Diamond perguntou olhando em volta, protegendo seus olhos contra o sol da manhã. – Pra Manhattan. Pra academia. – ela soltou Kai e olhou em volta, vendo que não reconhecia nada – Pelo menos era o que eu queria. – Você pensou em quê? – Dante perguntou. – Pensei: pelo amor de Deus, leva a gente pra academia. Literalmente. – ela respondeu. – Eu sei onde a gente tá. – Dante suspirou – Por sorte, estamos na academia. Só que não em Manhattan. – Aonde então? – Raven indagou e ele andou até ela, virando sua cabeça para a esquerda. Ela despencou sua mandíbula ao ter a vista de uma enorme cidade, cheia de praias, morros, turistas e uma gigantesca estátua de Deus – p***a! – Estamos no Morro do Corcovado, gente. No Brasil. – Dante anunciou e os dois primos se entreolharam – Richards trouxe a gente pra academia do Rio de Janeiro. – Eu nem sabia que o Brasil tinha academia. – Kai protestou. – Todas as grandes cidades tem. Bom, devemos estar na entrada. Eu vou recitar o encantamento pra gente entrar. – Dante anunciou e Kai deu um pulo na direção dele. – Deixa que eu faço. É a minha função. – Kai impediu e Dante o encarou. – A missão acabou, Redsteel, pode descer do pedestal já. – Dante provocou e Kai deu uma rosada debochada. – Acho que é você que precisa fazer isso, Miner. Acho que você se supervaloriza nessa equipe. – Kai rebateu e eles começaram uma discussão ridícula enquanto o verdadeiro motivo da briga estava parada atrás deles com os braços cruzados olhando para Diamond. Assim que a Maga do Ar olhou para ela, Raven indicou com a cabeça para que ela recitasse o encantamento. Diamond ergueu as sobrancelhas e andou até eles. – Lux Ordo ad te revelare. – Diamond falou em um tom alto e claro e a academia começou a se revelar. Os dois pararam de discutir e ela virou para eles, pretensiosa. – Diamond! – Kai exclamou e ela ergueu as sobrancelhas. – Ah, perdão, vocês já terminaram? Porque enquanto vocês estão aí tentando provar algo absurdamente i****a, o resto da nossa equipe continua desaparecida. – ela falou e Raven andou até ela, parando na frente da porta da academia – Vocês vem ou não? Eles entraram na academia e imediatamente foram recebidos por Bruxos prontos para atacar. – Se identifiquem! – uma mulher falou, atrás dos bruxos. – Somos da Ordem da Luz! – Kai anunciou, dando um passo para frente de mãos erguidas – Não queremos machucar vocês, apenas viemos pedir ajuda. Eu sou Kai Redsteel e essa é Diamond Moonglider. Somos filhos de dois dos cinco líderes da Ordem. Os Bruxos baixaram suas mãos e a mulher veio à frente. Ela vestia um terninho feminino azul e tinha cabelos castanhos um pouco abaixo do ombro. Já era uma mulher de idade, mas era muito bonita. Agatha Bithencourt  – São muito bem-vindos aqui. Eu sou Agatha Bithencourt, Feiticeira da Água e líder da academia do Rio de Janeiro. – ela falou, cumprimentando Kai e Diamond – E vocês dois, como se chamam? – Dante Miner, Feiticeiro da Terra. – Dante se apresentou e ela sorriu. – Raven Richards, Maga Primária do Fogo. – a ruiva se apresentou e Agatha sorriu, observando ela atentamente. – A filha da Grande Sombra. – Agatha falou e vários à sua volta exclamaram apavorado – Ouvimos falar de você, srta. Richards, seja bem-vinda. – Como podemos ajudar vocês? – um Bruxo se aproximou e perguntou. – Estávamos em uma missão e fomos separados de nossos companheiros. Gostaríamos de um celular ou computador pra falar com eles. – Diamond pediu e o Bruxo assentiu, indo providenciar. – Vamos disponibilizar alguns quartos para vocês. – Agatha decidiu. – É muita gentileza, sra. Bithencourt, mas não podemos ficar. – Kai revelou e a mulher apenas sorriu. – Mas precisam comer, tomar banho, relaxarem. Vamos. – ela levou eles até os quartos onde iriam descansar. Ela conseguiu arrumar os quartos todos um do lado do outro e mandou levarem roupas confortáveis para eles. Raven entrou no quarto que lhe deram e tomou um banho demorado. Ela só conseguia pensar no que a Grande Sombra disse sobre Celeste. Se era verdade que ele a matou, então a Feiticeira Celestial estava mentindo sobre quem era, o que poderia significar que ela provavelmente conhecia a mãe de Raven. Ao sair do chuveiro, ela guardou o pen-drive, surpresa por ele ainda estar inteiro e vestiu a camiseta e o short que Agatha deu para ela, ficando impressionada em como eram confortáveis. Benditos sejam os brasileiros, ela pensou. Sem perceber, ela adormeceu. Em seus sonhos, viu novamente sua mãe fugindo de seu pai, mas desta vez viu algo a mais. Sua mãe estava cercada por Feiticeiros das Trevas e então eles foram derrubados por uma mulher loira e mais velha que apareceu ali. Ela ouviu uma palavra apenas quando a Grande Sombra conjurou uma adaga e acertou a mulher: Celeste.
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