RAVEN TENTOU MEDITAR MAIS UM POUCO, mas estava muito elétrica por ter descoberto o nome de sua mãe. Ela começou a procurar na sua mochila o vestido que iria usar e o colocou na frente do corpo enquanto se olhava no espelho.
Ela virou para trás levando um susto ao ver Diamond parada na porta. Raven largou o vestido se virou para ela sem dizer nada. Diamond sorriu e entrou com um copo de limonada na mão.
– Vai ficar linda com esse vestido. Tenho um par de botas se quiser emprestado. Vão completar o seu look. – ela falou e Raven sorriu com falsidade, dando dois passos para frente.
– O que tem aí? – ela perguntou indicando a limonada na mão de Diamond que andou até Raven.
– Eu fiz uma limonada pro pessoal tomar antes da missão. – ela ofereceu o copo para Raven que o segurou – Eu li que limão te dá energia.
Raven ergueu as sobrancelhas, debochando.
– Ele te dá energia? Ou inibe os sentidos? – Raven a confrontou e Diamond arregalou os olhos, sem saber o que dizer – Eu não tomo isso nem morta.
Ela empurrou o copo para Diamond, respingando o líquido.
– Sai daqui antes que eu conte o seu segredinho pra todo mundo. – Diamond largou o copo no chão e segurou Raven pelo pescoço.
– Você não vai dizer nada porque não sabe de nada! – ela falou próxima do rosto de Raven, claramente com raiva e com medo – Você ouviu uma fração e acha que por isso sabe a história toda?
Raven brilhou seus olhos em vermelho e empurrou Diamond com uma foça sobre humana e ela bateu na porta.
A Maga do Ar brilhou seus olhos na cor cinza e se ergueu.
– Inrita. – Raven murmurou e a magia de Diamond se cancelou, a deixando apavorada.
– Você faz magia Celestial?! – Diamond se levantou com dificuldade.
– Você não tem ideia do que eu posso fazer, sua v***a traidora! – Raven andou até ela e a ergueu pelo colarinho.
– Não é o que você pensa! – Diamond disse, para se defender – Raven, você tem que me escutar!
– Eu vou avisar você uma vez: – Raven apontou para Diamond – Se você fizer algo para prejudicar esta missão ou essa equipe que seja, eu te prometo que ninguém vai saber o que te aconteceu.
Diamond se ergueu e arrumou a roupa e o cabelo, se recompondo.
– Pois bem. Eu trago as botas depois. – Diamond saiu do quarto, deixando Raven sozinha com sua fúria.
Raven ficou sozinha no quarto por horas até começar a se arrumar. Ela pegou a chapinha e alisou seus longos e grossos cabelos cacheados. Fez uma maquiagem de festa e colocou o vestido de couro vermelho que havia levado. Ela olhou no espelho e não se reconheceu.
– Não vejo a hora dessa missão acabar pra eu poder desmontar isso tudo. – ela suspirou, observando a si mesma.
A porta do quarto abriu e ela virou para encontrar Morgana que trazia um par de botas pretas de veludo e cano alto.
– Diamond mandou eu trazer essas botas pra você. – a garota ergueu os olhos até Raven e deixou as botas caírem, assim como seu queixo – Raven?! Meu Deus, você tá incrível!
– Valeu, Morgana. Você também. – Raven sorriu para ela, que vestia uma saia de couro preta e um top vermelho.
– Aqui, calça as botas, eu quero ver o todo. – ela se vestiu e Morgana bateu palminhas de felicidade ao ver Raven – Amiga, você parece tão poderosa quanto realmente é!
– Valeu.
Elas ouviram alguém bater na porta e elas disseram que podia entrar. Kai colocou a cabeça para dentro e fixou os olhos em Raven. Ela sorriu para ele que entrou no quarto sem dar uma palavra. Ele já achava ela incrivelmente linda sem essa produção toda.
– Eu vou ver se as outras meninas estão prontas. – Morgana achou uma desculpa para deixá-los sozinhos.
– Você tá... Linda. – ele gaguejou. Raven andou até ele. Agora com os saltos, ela ficava na sua altura. Raven olhou nos olhos castanhos de Kai e sorriu.
– Você também não tá nada mau. – ela passou as mãos na gola da jaqueta dele e ela sentiu o perfume envolvente dele – Nada mau, mesmo.
Kai alinhou seu rosto ao de Raven e eles trocaram olhares profundos, tentando adivinhar o que se passava na mente de cada um.
– Você tava meditando antes? – ele perguntou e ela assentiu.
– Eu descobri o nome dela. – Raven revelou, com um sorriso sincero no rosto e os olhos brilhando – Selene.
Kai sorriu.
– Fico feliz por você. Mas por favor, tenha cuidado. O que você tá fazendo pode ser perigoso. – ele advertiu e Raven riu.
– Sei me cuidar, Redsteel. – ela deu um passo para trás.
Ele riu pelo nariz e ergueu as sobrancelhas, indo até à porta.
– Saímos em 15min. Esteja na sala logo. – ele anunciou e ela assentiu, pegando seu casaco e saindo logo atrás dele.
Ao chegar na sala e se encontrar com todos. As meninas estavam todas produzidas, nada parecidas com guerreiras. Inevitavelmente, os rapazes olharam todos para Raven, e até algumas meninas, incluindo as gêmeas Amelia e Katherine.
– Estamos prontos. – Dante anunciou, sem tirar os olhos de Raven, que ficou mais para trás com o g***o.
Eles saíram da casa e Kai abriu o portal até o lado de fora da boate em que os Feiticeiros das Trevas estavam dando a festa. De acordo com Cornelius e Ilyana, a Grande Sombra era o dono da boate e tinha negócios lá. Havia uma chance dele estar lá.
A fila de entrada da boate era longa, mas eles iriam entrar como VIPs. Feiticeiros entravam de graça. As festas eram oportunidades para Feiticeiros de todos os elementos verem a maravilha que é sucumbir às Trevas e se juntarem a eles.
– Richards. – Dante segurou a ruiva pelo braço e ela o encarou, estranhando – Estamos entrando todos com nomes falsos e se formos pegos esses são nossos nomes. Se nos descobrirem, é uma falha, mas não podem te descobrir. Você é a filha de Sebastian Maxim, apenas o seu primeiro nome já é o bastante pra te entregar. Você compreende?
Ela assentiu, séria, e ele a soltou.
O g***o andou de maneira separada até à fila e chegaram no segurança que deixou eles passarem, conforme chegavam.
Raven, Morgana e Ben entraram juntos e logo estavam no pior pesadelo de Raven: uma balada.
O g***o logo se juntou e separou de novo, indo cumprirem suas tarefas. As meninas tentariam se envolver com Feiticeiros homens para tentar enfeitiçá-los a contarem alguns segredos e os homens fariam o mesmo com as Feiticeiras mulheres.
Raven viu que Diamond disparou na multidão, como se tivesse um destino. A Maga do Fogo imediatamente a seguiu, trombando algumas pessoas no caminho e quase perdendo Diamond de vista.
Quando a viu pela última vez, Diamond subiu até o camarote e sentou ao lado de um homem. Raven parou ao olhar para o tal homem. Ele vestia um sobretudo preto, tinha olhos azuis sem vida, uma pele pálida e cabelos loiros e longos presos num r**o de cavalo.
Raven parou na entrada do camarote, em choque ao ver seu pai pela primeira vez. Ao mesmo tempo que ele parecia um anjo, também parecia o d***o.
Diamond e ele conversavam e bebiam como se fossem antigos amigos. A Maga do Ar avisou Raven parada e seu olhar deixou claro que ela falou a verdade. Diamond não estava traindo a equipe. Ela era uma espiã.
Para não estragar o disfarce de Diamond, Raven apenas deu às costas e saiu de lá, atordoada. Ela andou para longe, até trombar em alguém.
– Raven, qual o problema? – Dante perguntou, olhando fixo para ela.
– Ele tá aqui. Eu... Eu não sei se consigo olhar pra ele. – ela respirou ofegante, olhando para baixo. Dante segurou o queixo dela e ergueu seu rosto para cima, fazendo ela olhar nos olhos dele e ficar com o rosto quase colado ao dele.
– Não olha pra ele. Olha pra mim. – Dante falou e ela obedeceu, olhando nos olhos verdes do Feiticeiro da Terra.
Ela se sentiu mais calma e ignorou seu medo.
– Dance comigo. – ele pediu colocando a mão na cintura dela e a trazendo para perto.
– Eu não danço. – ela riu, observando que seu corpo se mexia levemente no ritmo da música – Você tá fazendo isso?
Dante deu de ombros.
– Só um pequeno feitiço de imitação. – ele revelou, aproximando o rosto do dela, consequentemente ela também se inclinou na direção dele. Pararam alguns centímetros de distância um do outro e ele sorriu, inclinando-se para beijá-la.
Por um segundo, Raven se deixou levar e quase permitiu que ele a beijasse, mas logo se apavorou e murmurou a palavra irritum que era o feitiço para cancelar um feitiço específico. Ela deu um passo para trás, deixando Dante confuso.
– A gente não veio aqui pra isso. – ela simples disse isso e saiu, se misturando na multidão.
Depois de se insinuar para vários Feiticeiros das Trevas e não conseguir nenhuma informação, Raven decidiu procurar nas portas trancadas. Ela murmurou invisic, o feitiço de invisibilidade e andou até a primeira porta trancada que achou.
– Aperi. – ela falou com a mão erguida para a maçaneta e a porta se abriu. Assim que passou por ela, Raven se deparou com um corredor à prova de som. Após andar e passar por muitas portas, ela encontrou uma que estava aberta. Parecia uma sala de controle, ou uma sala de vigilância. Havia vários monitores e um painel com vários botões. Havia uma gravação recente no monitor que estava ligado. Raven deu play e assistiu.
Um garoto, adolescente talvez, estava preso à uma cadeira e no chão havia vários símbolos desenhados.
Um homem se aproximou. Alto. Loiro. Assustador. A Grande Sombra.
Ele parou na frente do rapaz e começou a pronunciar um feitiço vindo de um livro. A cada palavra entoada, o rapaz soltava um grito de agonia e se chacoalhava na cadeira, até parar.
De ficar ou imóvel. A cabeça pendeu para frente e de sua boca não saiu nenhum som.
Raven levou a mão à boca, apavorada ao ver que eles haviam matado o garoto.
Ela sentou na cadeira na frente do monitor e procurou nos arquivos por algo mais. Raven encontrou mais vídeos iguais aquele. Sempre o mesmo feitiço, sempre o mesmo destino. A morte.
Raven escutou um barulho vindo de longe e apressou-se. Conjurou um pen-drive e transferiu todos os arquivos para ele. Quando o arquivo ficou pronto ela pegou o Penn drive e o guardou no s***ã.
Ela se ergueu e saiu da sala de controle, dando de cara com um Feiticeiro das Trevas. Ele olhou com raiva para ela e com a mão em sua cabeça, recitou um feitiço e a fez apagar.