Chapter 2 - Meeting

4114 Palavras
AO SOM DAQUELA PALAVRA, Raven arregalou os olhos e o cristal brilhou com força, quase a cegando. Ela largou o cristal no chão e tentou correr do homem, mas o mesmo a agarrou pelos braços e a puxou para longe. – Se afastem! Agora, p***a! – ele gritou para toda a turma e Pierce os obrigou a ir para trás. – Acalme-se, por favor. Tenho certeza de que podemos resolver isso pacificamente. – Pierce tentou negociar com o sequestrador enquanto Raven permanecia em silêncio, tentando ficar calma durante a situação. – Cala a boca! – Cooper desembainhou algo que ela esperava ser um revólver, mas era na verdade uma espada e apontou para Pierce, que ergueu as mãos e deu um passo para trás – Leva eles. Dois dos guardas do museu cercaram a turma e levaram eles para longe dos olhos de Raven, a deixando sozinha com o sequestrador. Ele a soltou e começou a andar ao redor da garota, a observando. – Qual o seu nome? – ele perguntou. – Raven Richards. – ela respondeu, olhando para ele. Ela notou que ele a olhou diferente quando disse seu nome. – Qual seu grau de ensino? – Obviamente estou no último ano do ensino médio. – ela revirou os olhos e ele parou na frente dela, levemente irritado. – Ensino mágico, garota! – ele refez a pergunta. – Mas do que p***a você tá falando? Não existe isso de magia. – ela respondeu e ele franziu o cenho, virando a cabeça de lado. – Você nunca fez magia? – ele perguntou e ela negou com a cabeça – Por acaso hoje é seu aniversário? Ela arregalou os olhos, estranhando. – Como você sabia?! – ela perguntou e imediatamente o homem correu até um dos guardas. – Mande uma mensagem pra Grande Sombra: diga que encontramos a Raven. – ele falou e os outros o obedeceram. Cooper mostrou à ela o cristal e agora que não usava mais a luva, o cristal brilhou em sua mão também – Esse é o Cristal do Poder. Ele pode identificar pessoas como você e eu. Ela olhou para o Cristal e então para Cooper, tentando não demonstrar que estava assustada. – Estivemos procurando você por 18 anos, Raven. – Cooper guardou o Cristal no bolso do casaco. – Por quê? – Você faz perguntas demais. – Cooper colocou a espada no pescoço dela e sorriu – Mas pra sua sorte, não tenho permissão de lhe ferir. A Grande Sombra tem planos pra você. Ele se afastou dela que voltou a respirar. Raven começou a olhar em volta em busca de rotas de fuga e ela viu pelo canto do olho, o homem que estava na sala do museu mais cedo. Ele estava se esgueirando pelos cantos com mais dois rapazes. Ela o observou atentamente, enquanto ele colocava um dedo na frente dos lábios, lhe pedindo silêncio. O homem abriu a mão a posicionando perto do chão e murmurou algo. Em seguida, jatos de fumaça começaram a sair de sua mão, logo deixando o lugar completamente infestado e impossível de se ver algo. – É a Ordem da Luz! – Cooper anunciou e os seus dois comparsas ficaram em alerta, procurando pelo garoto e seus parceiros. Raven correu para trás do balcão e observou a luta acontecer. O seu salvador era muito habilidoso na luta corpo a corpo e mais habilidades ainda cada vez que realizava um feitiço. A fumaça começou a baixar e enquanto os dois companheiros lutavam com os guardas, o garoto de cabelos pretos lutava com Cooper, mas acabou levando a pior. Cooper agarrou o braço do rapaz e o quebrou, fazendo ele gritar de dor. O rapaz caiu no chão, fazendo Cooper voltar sua atenção para os outros enquanto o rapaz lesionado se rastejava até Raven. – Certo, Feiticeira. Estamos em desvantagem. – o rapaz falou em um sotaque britânico. E ele a chamou do quê? – Se tiver alguma jogada, essa é a hora. Raven não tinha habilidades e muito menos sabia o que fazer com sua magia. Sua única esperança de sair de lá viva era o ajudando. Ela se aproximou do garoto e ele a encarou, em dor. – Não tem muito que eu posso fazer, e talvez isso nem dê certo, mas... – ela posicionou suas mãos acima do braço ferido dele e fechou os olhos, pedindo às forças místicas que a cercavam – Reficere. Uma luz branca saiu das mãos dela e imediatamente o rapaz começou a mexer seu braço, sem nenhum dano. Ele olhou para Raven, boquiaberto e impressionado. – Caramba, você sabe o feitiço do reparo? – ele sorriu e se ergueu, puxando uma espada da bainha, voltando para a luta – Meu nome é Kai, falando nisso. Kai Redsteel. Ela não teve tempo de se apresentar pois ele já estava de volta para a briga. Enquanto os outros dois rapazes lutavam com os guardas, Kai e Cooper travavam uma batalha acirrada. – Eles não vão vencer sozinhos. Eu tenho que fazer alguma coisa. – Raven murmurou, olhando as páginas de seu caderno de anotações. Mas então, um pensamento lhe ocorreu. Novas palavras vieram à sua cabeça e simples assim, ela soube o que fazer. Raven fechou o punho e os olhos, chamando a Feiticeira que existia dentro de si e quando abriu seus olhos, eles brilhavam na cor vermelha e de sua mão saía uma chama comportada que vez ou outra oscilava, como se quisesse escapar. Enquanto lutava com Cooper, Kai lançava olhares para ela na esperança de ver se ela estava bem, e foi aí que ele viu a chama em sua mão e seus olhos vermelhos. Uma Feiticeira do Fogo, ele pensou e sorriu. – Internum flamma. – Raven murmurou para a chama em sua mão e ela brilhou mais forte ainda. A garota tornou a fechar a mão e em seguida apontou dois dedos daquela mão para um dos guardas. O primeiro parou a luta com o parceiro de Kai e começou a tremer e ficar vermelho. Logo, sua pele começou a derreter e seus olhos queimaram, assim como o resto do seu corpo, e então o homem caiu morto. O parceiro de Kai olhou para ela e a cumprimentou em agradecimento, apontando em seguida para o outro guarda. Ela assentiu e apontou novamente dois dedos para o outro, e o mesmo aconteceu a ele. Só restara Cooper. – Flagellum lucem. – Kai invocou um chicote de luz e acertou Cooper no pescoço, o enrolando e sufocando. Cooper se ajoelhou com a pele de seu pescoço chamuscando e grunhindo de dor. Raven ficou de pé e caminhou até eles, parando atrás de Kai. – O que vocês querem comigo? – ela perguntou, fazendo sua expressão de atriz de seriado. Cooper riu dela. – Você é Raven Maxim, a filha da Grande Sombra. – Cooper revelou e ela se sentiu horrorizada com aquelas palavras – Ele vai achar você. Agora que temos o Cristal do Poder você não ficará escondida por muito tempo. – Killian! – Kai chamou um de seus companheiros e um garoto que parecia muito com ele só que com cabelos ralos e olhos verdes se aproximou e atravessou uma espada no coração de Cooper, o largando morto. Kai revistou os bolsos de Cooper e não achou o Cristal – m***a, ele deve ter enviado o Cristal por um portal. De qualquer forma, missão cumprida, pessoal. Kai e Killian apertaram as mãos enquanto o outro garoto foi falar com Raven, que obviamente estava transtornada. Ele colocou a mão no ombro dela e Raven olhou para seus olhos verdes, notando também que seus cabelos eram castanhos acobreados. – Aquele seu feitiço foi o que virou o jogo pra nós. Valeu pelo salvamento! – ele agradeceu, estendendo a mão para ela – Benjamin Kasket. Ela apenas olhou para a mão de Benjamin, ofegante. – Quem eram eles? Quem são vocês? – ela perguntou e os três se entreolharam, estranhando. – Eles eram Feiticeiros das Trevas. Nós somos a Ordem da Luz. – Kai falou, limpando a lâmina de sua espada como se isso fosse óbvio. Foi só quando ele olhou para Raven e viu que ela estava tão perturbada quanto antes, que ele percebeu – Ah, cara, você não faz ideia do que isso significa, faz? Ela negou com a cabeça, sentindo sua respiração oscilar. – Feiticeiros das Trevas são os seguidores da Grande Sombra, Sebastian Maxim. E nós, a Ordem da Luz, investigamos atividades das Trevas, mas nosso objetivo principal é pegar Maxim e fazê-lo pagar pelos seus crimes. – Killian explicou rapidamente. – Cooper disse... Que eu era filha dele. – Raven tocou na ferida e os três se olharam – Isso é impossível! – Bom, considerando o fato de que a filha dele se chama Raven, nasceu no dia 25 de fevereiro, há 18 anos atrás, tinha cabelos ruivos e está desaparecida desde 01 de março de 2003, é bem possível. – Kai respondeu e Raven se ateve à data que ele falou – Ben, Killian, cuidem do professor e dos alunos. – Mutatio memoriae? – Killian perguntou e Kai assentiu – Certo. Tava a fim mesmo de praticar o feitiço da memória. Os dois saíram, deixando Kai e Raven sozinhos. Raven olhava para o chão, tentando encaixar todas as peças em sua cabeça. Não acreditava na possibilidade de ser adotada. – Você tá bem? – ele colocou a mão no ombro dela e Raven se esquivou, com os olhos cheios de lágrimas. – Que p***a que aconteceu aqui? Como... Como eu fiz aquelas coisas? Kai sorriu de canto. – Você é uma Feiticeira, Raven. Tem poderes como eu, como Ben e Killian. Sei que é muito pra absorver, mas... – ela não o deixou terminar. – Pra mim já deu. – ela falou baixinho e começou a andar em direção à saída. – Ei, pra onde tá indo? Você tem que vir com a gente! – ele a chamou e ela se virou para ele. – p***a nenhuma! Eu não quero ter nada a ver com isso. Feiticeiros das Trevas, Ordem da Luz. Isso não é o meu mundo, não é quem eu sou. Eu tô fora. – ela seguiu andando, deixando ele para trás. – Raven! – Kai chamou, mas ela o ignorou. – Ei, irmão, pra onde a ruiva foi? – Killian perguntou ao seu irmão mais velho assim que eles soltaram o professor e os alunos, que voltaram para o ônibus. – Embora. Mas não se preocupem. Ela volta. – ele assegurou – Voltem pra academia e contem o que houve aqui pra Feiticeira Celestial. Eu vou cuidar da Raven. – Cuidado, viu. Ela é poderosa. – Benjamin advertiu – Nunca vi alguém sem conhecimento algum de magia fazer o que ela fez sem nem suar. – Nem eu. – Kai comentou, enquanto eles e seus parceiros se separavam. Do lado de fora do museu, Raven se aproximava do ônibus da escola quando escutou uma voz conhecida atrás dela. – Ah, srta. Richards! – era o professor Pierce. Ela se virou e viu que ele sorria como se nada houvesse acontecido – Está se sentindo melhor? Ela imaginou que Benjamin e Killian alteraram a memória do professor e de seus colegas para pensar que ela havia passado m*l e voltado para o ônibus. – Sim, professor. Me sinto bem melhor. – ela disfarçou, entrando no ônibus como todo mundo. A viagem inteira ela permaneceu calada, pensando no que ia fazer agora. Quando chegaram na escola, era o horário de almoço, o que significava que seus irmãos estavam almoçando. Ela pegou suas coisas e foi até às mesas do refeitório, procurando pelos atletas do time, o que não foi difícil, pois eles se vestiam com as cores do time o tempo todo. Ao chegar na mesa deles, ela identificou seu irmão, Vincent Brown e Benny Parker. – Roman, pega as suas coisas. A gente tem que ir pra casa. – ela falou, ignorando os idiotas que mexiam com ela. – A gente tá no meio de um planejamento pro próximo jogo. – Roman se negou a levantar – O que quer que seja pode esperar, Raven. – Não, n******e. – ela afirmou a voz – Levanta dessa m***a e me ajuda a achar a Ruby. – Aconteceu alguma coisa com a Ruby? – Vincent se meteu, preocupado. Ele dava em cima de Raven mas era de Ruby que ele gostava. – Não, mas isso é uma emergência de família. – ela olhou para seu irmão de novo, que permanecia imóvel – p***a, Roman! Se eu tiver que te levantar desse banco você me paga! – Tá bom, Raven! Que m***a! Tudo tem que ser como você quer. Foi m*l, gente. – Roman se ergueu, pegando sua mochila. – Mano, se sua irmã disse que é emergência de família, nem esquenta. A gente se fala outra hora. – Vincent o tranquilizou e o garoto passou por Raven, indo em direção à Ruby, a chamando. – Valeu, Vince. – Raven agradeceu o apoio e foi atrás de seus irmãos, indo até à saída. – Raven, o que aconteceu? – Ruby tentou a todo custo adivinhar o que era tão importante, mas Raven não disse nada. Dentro do carro, ela estava claramente transtornada e seus irmãos em silêncio, percebiam. – Raven, será que dá pra você contar o que tá havendo um vez na vida? Se abre com a gente, p***a! – Roman se irritou e ela deixou uma lágrima escapar – Espera aí, você tá chorando? Meu Deus, deve ser muito sério. – Aconteça o que acontecer, vocês são meus irmãos e eu amo vocês. – ela falou e Roman e Ruby apenas se encararam, em choque. Raven quase nunca dizia que amava eles. Chegando em casa, eles desceram apressados do carro e abriram a porta da casa, encontrando Diane sentada na frente da TV, comendo seu almoço. – O que estão fazendo aqui? Voltem já pra escola! – ela largou seu prato de comida e se ergueu, indignada com as mãos na cintura – Raven, o que significa isso? Vocês matam aula agora? – Eu vou te perguntar uma coisa e eu peço, pelo amor de Deus, que você fale a verdade. – Raven parou na frente de sua mãe, deixando as lágrimas caírem. – O que foi, amor? O que aconteceu? – Diane colocou as mãos nas bochechas coradas de Raven, preocupada – Pode perguntar, eu prometo. – Eu sou adotada? – Raven jogou a bomba e o olhar horrorizado de Diane respondeu. Ela soltou o rosto de sua filha e deu um passo para trás, encarando seus outros filhos. – O quê?! – Ruby exclamou, apavorada. – Do que ela tá falando, mãe? – Roman quis saber. – Mãe, olha pra mim. – Raven chamou e Diane, com lágrimas nos olhos, obedeceu – Você disse que me trouxe pra casa do hospital no dia 01 de março. Eu vim mesmo do hospital ou esse foi o dia que você me achou? Diane começou a chorar e aquilo respondia as perguntas de Raven. – Me desculpa, minha filha! Eu nunca quis mentir pra você. – Diane segurou as mãos da garota – Seu pai e eu adiamos tanto esta conversa pra quando você fosse mais velha, porque não sabíamos o que te contar. – Me conta a verdade, mãe. O que aconteceu naquele dia? – Raven perguntou e ela assentiu, tentando se acalmar. – Eu vou contar. Vou contar. – eles se sentaram no sofá da sala, ouvindo a história da mãe – Naquela noite, Harry e eu estávamos voltando de uma consulta no médico. Tínhamos acabado de descobrir que eu era estéril. Eu não podia ter filhos. Então, nós vimos uma garota sentada nas escadas da nossa casa. Ela estava cansada, suja, sangrando, ferida. Nós tentamos ajudá-la, mas ela apenas nos fez algumas perguntas e nos entregou você. Ela colocou a mão na minha barriga e disse alguma coisa. Depois disso, ela entregou uma mochila com alguns pertences seus, uma carta, e disse que você era a nossa primeira filha, mas não seria a última. Nós não sabíamos o que ela queria dizer, mas então, alguns meses depois, nós tivemos Roman e logo depois Ruby. Você foi o nosso milagre, Raven. Raven olhou para baixo, segurando suas lágrimas. Ela se ergueu, abraçou sua mãe. – Tudo bem, mãe. Eu entendo. – ela a tranquilizou e sua mãe sorriu – Eu vou pro meu quarto. Pensar um pouco. – O que aconteceu no museu? – Ruby quis saber e Raven sentiu-se na obrigação de contar aos seus irmãos. – Aparentemente, eu sou filha de um homem muito r**m e poderoso. Ele e os seguidores dele estão atrás de mim desde que eu desapareci. – ela explicou. – E essas pessoas, elas... São mágicas? – a caçula perguntou. Raven assentiu e abriu a mão, mostrando para eles a chama que ardia dentro dela e se manifestava nas palmas de suas mãos. A chama dançou em sua mão o tempo que ela pôde segurar e então ela sumiu. – Eu não sei o que eles são, nem o que eu sou. Mas eu também não quero descobrir. – Raven deu suas últimas palavras antes de ir para seu quarto e trancando a porta. Ela retirou sua jaqueta e a jogou em sua cama, levando um enorme susto quando viu que havia alguém em sua cama. Ele estava deitado na cama dela, com as pernas cruzadas e as mãos atrás da cabeça. Ele estava sem jaqueta, o que deixava seus músculos flexionados bem à mostra. – Isso foi tenso. – Kai cutucou, com um sorriso travesso. – Como você entrou aqui? – ela cruzou os braços, encarando o garoto. Ele apenas sorriu e colocou as mãos no ar, indicando que usaram magia – Dá o fora, Redsteel. Eu quero ficar sozinha. – Não vai dar. – ele se ergueu da cama e começou a andar na direção de Raven – Agora que ficou determinado que você é a filha da Grande Sombra, você tem que vir com a gente. – Não vou m***a nenhuma. – Raven protestou e Kai a colocou contra a parede – Eu quero esquecer tudo isso. – Se você ficar aqui, sua família vai levar a pior. – ele falou, próximo do rosto de Raven e ela o olhou, indignada. Os olhos dela brilharam na cor vermelha e Kai sentiu um calafrio, vendo que deixara a filha da Grande Sombra com raiva. – Ah, m***a! Ela ergueu a mão e Kai sentiu uma força invisível o agarrar e em um movimento rápido, ela trocou eles de lugar, grudando o corpo de Kai na parede, o encarando com raiva. – Acha que pode vir na minha casa e ameaçar a minha família?! – ela falou com sangue nos olhos. – Não foi uma ameaça, Richards, A Grande Sombra tem o Cristal do Poder agora. – E daí? – ela franziu o cenho. – Cooper não mentiu, o Cristal realmente identifica Feiticeiros, mas ele faz mais que isso. – o Feiticeiro explicou – Ele coleta uma amostra da sua magia e eles podem usar isso pra rastrear você até aqui. Uma vez que eles acharem a casa da sua família, vão usar o seu amor por eles contra você pra que vá com eles até a Grande Sombra. Por muitos anos a Ordem da Luz trava uma batalha exaustiva contra os Feiticeiros das Trevas. Você, Raven, pode significar o fim desta guerra de uma vez pra todas. O lado que você escolher será o vencedor. Nós precisamos de você. Ela olhou fundo nos olhos dele, tentando ler o que ele pensava. – Tá bom, não precisa puxar meu saco. – ela baixou a mão e Kai pousou no chão, próximo dela e Raven suspirou – Você tem certeza de que é seguro pra eles se eu partir? – Absoluta. Pra onde vamos, os Feiticeiros das Trevas não podem seguir. – ele explicou e ela andou até seu guarda-roupas, pegando uma pequena mochila. – E pra onde é que vamos? – ela perguntou, colocando algumas roupas na mochila. – É surpresa, mas garanto que você vai adorar. – ele contou, pegando do guarda-roupa um vestido de couro e alça vermelho e colocou na frente do corpo de Raven e imaginando como o vestido ficaria nela – Coloque esse na mala . – p***a nenhuma, seu esquisito. – ela arrancou o vestido da mão dele e o guardou de volta no armário – Ache outra pessoa pra satisfazer seus fetiches. – Gesturum. – Kai sorriu pretencioso e balançou a mão ao dizer essa palavra. O vestido evaporou numa fumaça vermelha e reapareceu na mão dele – Não é fetiche. Apesar de eu querer mesmo ver você usando isso, não é por esse motivo que quero que leve. Feiticeiros vestem suas cores e deve ser a sua melhor roupa. – Como você fez isso?! – ela exclamou, impressionada com o feitiço. Kai sorriu, convencido. – Um feitiço avançado de teletransporte de objetos. Você aprende na fase final do treinamento para se tornar um Feiticeiro e... – ele explicou e Raven revirou os olhos. – Gesturum. – ela balançou a mão do mesmo jeito que Kai e o vestido apareceu na mão dela – c*****o, isso é muito legal! – Como? – Kai exclamou, sem entender – Eu e meus colegas demoramos meses para dominar esse feitiço e você o realizou com apenas uma demonstração?! – Acho que eu sou uma aluna melhor que vocês. – ela deu de ombros, se exibindo e guardou o vestido na mochila, convencida a usá-lo na tal festa. – Você não faz a menor ideia de quem é. – ele comentou, observando cada traço da garota que estava começando a fasciná-lo tanto – Uma Maga Primária do Fogo que nunca teve nenhum contato com magia e que realiza feitiços acima de sua formação. Ela o encarou, terminando a mala. – Pensei que você tinha dito que eu era uma Feiticeira. – ela perguntou, confusa. – Você é. – Então por que disse que sou uma Maga Primária? – ela riu, pensando que ele se confundiu. – Feiticeira é o que você é. Assim como animais são animais e humanos são humanos, Feiticeiros são Feiticeiros. – ele explicou brevemente – Maga Primária é apenas o seu status, sua formação mágica, seu nível de conhecimento sobre a magia. Ela assentiu, entendendo o conceito que ele pintou para ela. – Eu tô pronta. – ela anunciou com a voz baixa, olhando para baixo. Kai abriu a porta para ela e Raven passou pelo corredor com o Mago Primário logo atrás, até chegarem na sala. – Pai? – Raven! – Harry Richards correu para abraçar sua filha, que no susto, retribuiu o abraço – Sua mãe me chamou quando você descobriu. Sinto muito, querida. Queria que tivéssemos feito diferente. – Tá tudo bem, pai. Não importa de onde eu vim, vocês são a minha família. – ela assegurou e Harry a apertou forte, erguendo os olhos e levando um susto ao ver Kai. – Ei. – Kai acenou com a cabeça e um sorriso sarcástico. – Raven, quem é esse? – Harry a soltou, mas não perguntou em tom de braveza, apenas de curiosidade – É seu namorado? – Não, credo. – ela olhou de relance para Kai e riu internamente da expressão de ego ferido dele – Gente, esse é o Kai. Ele é um dos Feiticeiros que me salvou no museu. – Se me permitem, ela está errada. – Kai deu um passo à frente, sorrindo para Raven – Foi a sua filha quem nos salvou. Raven não sorriu, mas sentiu-se orgulhosa. – Eu preciso ir com ele. – ela contou e todos pareceram chocados, não queriam que ela partisse – As pessoas do museu vão voltar e se eles me acharem aqui podem machucar vocês. Eu preciso ir antes que eles me encontrem. – Mas e você? O que acontecerá se te acharem? – Roman perguntou, preocupado com sua irmã mais velha. – Eu sei me cuidar. Mas, já que é importante pra vocês saberem, eu vou pra um lugar seguro. – ela revelou, com um peso no coração – Pra pessoas como eu. Diane respirou fundo, internamente inclinada a trancar Raven em seu quarto para protegê-la, mas como mãe, ela sabia que tinha que deixá-la ir. A nova-iorquina se aproximou de sua filha e a abraçou com força, sussurrando em seu ouvido que a amava. Raven sorriu para ela e se despediu de sua família, partindo com Kai.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR