CAPÍTULO 3- STEFANY

959 Palavras
Como assim, eles já se envolveram? Droga, Tiffany, isso tá ficando cada vez pior. Merda, preciso mudar, senão serei pega logo na primeira semana, e isso seria péssimo. Eu só quero que tudo isso acabe logo e que eu volte para minha vida monótona de antes. Droga, o que tinha naquela carta? Por que meus pais não falaram tudo o que estava escrito lá? Minha vida está escapando por entre meus dedos. E se eu fugir e for embora? Pelo menos eu teria uma chance de sair viva de tudo isso. Fico feliz com essa ideia, mas logo meus pais vêm à minha cabeça. Droga, os dois seriam mortos sem dó nem piedade. Isso é uma grande merda. Poderia dizer que foi ideia minha e da Tiffy, mas e se um dia ela volta e é morta? Droga, não tenho saída. Se eu conto a verdade, morro. Se continuo com isso, morro também. Oh Deus, me ajuda. Preciso de umas aulas de como ser ousada igual à Tiffany. Quando escuto o barulho da porta do meu quarto bater, abro a porta do banheiro e dou uma olhada. Não vejo ninguém. Ufa, graças a Deus, ele se foi. Pego meu telefone e ligo para a Samantha. Ela atende no terceiro toque. O que ela faz acordada de madrugada? — O que faz acordada a essa hora? — pergunto. — O mesmo que você, linda, kkkk. Estou na casa do boy, e tudo que eu faço aqui é muita coisa. Dormir não está incluso na lista, rsrsrsrs. — Pode vir aqui no Alemão depois do almoço? Preciso muito de você. Vou falar para o Terror liberar sua entrada. — Meu Deus, o bagulho é sério! O que faz na casa do boi da tua irmã? Me espera, amanhã estarei aí. Beijos, boa noite. — Boa noite, Sasa. Desligo o telefone, e o sono me bate forte. Me deito na cama e apago. --- DIA SEGUINTE Acordo assustada. Pego meu celular e vejo que já são 8h da manhã. Droga, já está tarde! Vou para o banheiro correndo, faço tudo com pressa, só capricho um pouco mais na higiene. Saio, arrumo meu quarto e vou pegar alguma roupa. Fiquei magoada com minha mãe. Ela trocou todas as roupas da minha mala. Como fez isso, não sei, mas fez. Agora só tem roupa vulgar, mas algumas até que eu gosto. Pego uma jardineira jeans com uma regata branca e uma calcinha preta. Me visto rápido, me olho no espelho e... Nossa, fiquei linda. Nunca me senti assim. Deixo os cabelos soltos, passo meu Lily — amo esse perfume — e desço. Chego na cozinha e vejo que a mesa já está arrumada. Estranho. Será que o Terror preparou o café da manhã? Olho para o relógio na parede: já são 8h45. Me sento e começo a comer. Quando termino, me levanto e vou até a sala ver TV. Depois arrumo isso. Quando acaba o segundo episódio de Grey’s Anatomy, decido que já é hora de levantar, arrumar a casa e preparar o almoço. Mas, ao chegar na sala de refeições, percebo que já está tudo limpo. Que merda é essa? Será que tem alguém aqui? Vou até a cozinha. Está brilhando. Vou até a lavanderia. Meu Deus, está sendo usada neste momento... Mas não vejo ninguém. Se não tem ninguém aqui embaixo, lá em cima deve ter. Subo para os quartos e o banheiro. Droga, tudo limpo, até meu quarto. Mas não vi ninguém. Desço novamente, vou na cozinha e na lavanderia de novo. Nada. Me lembro que no corredor que leva aos banheiros de visita tem uma porta enorme, onde guardam coisas para passar o tempo. Sala de jogos. Vou até lá. Nada também. Escuto o barulho de uma mangueira ligada. Alguém tá lavando lá fora. Chego na área externa e vejo uma senhora magrinha, cabelos metade pretos, metade brancos. Linda. Resolvo deixá-la terminar o serviço antes de falar com ela. Depois de um tempo, ela entra na cozinha, fumando um cigarro e pegando café. Dou bom dia. — Bom dia, senhora. Ela dá um grito, põe a mão no coração, me olha de cima a baixo e sorri. — Bom dia, menina. Tiffany, né? Mas não gostei desse nome, não. Vou te chamar de menina. Me chame de Rosinha. E senhora tá no céu, querida. — Tudo bem, Rosinha. Desculpe. Bom, tá precisando de ajuda com alguma coisa? — Preciso de nada. A única coisa que você vai fazer é ficar com o r**o pra cima, coçando a chana. Ordem do seu macho, rsrsrsrs. — Aff, eu odeio me sentir inútil. O que vou fazer nessa casa enorme? Vou ficar no tédio. Rosinha, e se eu te ajudar escondido? — Se você não sabe, aqui é lotado de câmera. Dá pra fazer tudo, menos esconder a verdade, kkkkk. O Terror me disse pra jogar baralho com você depois do almoço. O que acha? — Não precisa fazer isso. Depois do almoço, a senhora vai embora descansar. Janta e café da tarde eu me viro. — Já disse: senhora tá no céu, rsrsrs. Obrigada. Vou dar andamento no almoço e já nos falamos mais. Saio da cozinha e vou para a sala assistir minha série favorita. Fico ali tanto tempo que acabo cochilando. Acordo com o Terror passando a mão no meu rosto. Grito. Ele ri. Aff, que i****a! — Que susto, seu i*****l! — Que p***a você disse? — Desculpa, eu só... só me assustei. — Acho bom aprender a me respeitar pra não levar madeirada. Não aceito ninguém querendo vir montar em mim, c*****o. Da próxima vez, não tem desculpa. Fica esperta com essa boca imunda. Ele sai bravo. Respiro fundo. Fico aflita. Droga. Eu preciso sair daqui. Que inferno.
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