JJ NARRANDO
E aí, rapaziada, eu sou o Jeferson Juan, mais conhecido como JJ. Tenho 28 anos e sou solteiro. Moleque, o pai aqui é gostoso e tá on! Tenho 1,75m de altura, sou forte, tá ligado? Sou coberto de tatuagens e de correntes. Gosto muito de ruivas, rapaz, adoro!
Faz um mês e meio que o nosso temido soldado Terror foi abatido. Mas, na real, mano, esses dois nem parecem um casal, sem mancada. A mulher dele é meio cheinha e tal, mas, pô, a mina é bonita, com todo respeito. Tem uma b***a e umas pernas que, rapaz, deixam qualquer um maluco, cê é doido!
Já fiz amizade com a mandada, ela é da hora. Um pouco na dela, mas é só chegar e trocar uma ideia que tá tudo certo. A mina é firmeza. Terror tá achando que tem algo de errado nessa história aí, tá ligado? Me pediu pra ficar de olho, mas, pô, a mina é de boa, não deu indícios de nada. E sei lá, cara, Terror tá paranoico com essa p***a aí.
A mina nem foi apresentada como fiel e já tá cheio de galho! (risos) Ela não tem cara de quem vai querer cobrar as piranhas. Sorte a dela, assim não se suja por pouca bosta. (risos)
Tô ensinando várias paradas pra ela nesse um mês e meio e, sem mancada, até hoje não peguei nada de importante não. Mas vamos ver, né? Nem tudo é o que parece.
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Chegando na boca, eu já entro na sala do Terror sem bater mesmo, e ele já xinga. Vixe, o cara hoje tá que tá, irmão! Cê é louco!
— JJ, vai lá na minha casa e vê o que tá pegando. A mina tá lá igual uma barata tonta, andando de um lado pro outro no telefone.
— Beleza, irmão. Pelo jeito virei babá mesmo nessa p***a. Vou querer um aumento, hein, c*****o!
— Perdeu o juízo de falar comigo assim, p***a? Some daqui antes que eu meta um tiro nessa tua testa, seu arrombado!
Saio da sala dele, pego minha moto e já vou pro barraco. Chego entrando e, p***a, tá um silêncio do c*****o aqui. Subo pro quarto e vejo que a porta tá meio aberta. Fico ali, quieto, pra ver se escuto alguma coisa fora do comum.
Ouço o soluço da Tiffany... ou melhor, da Stefany. E logo em seguida, as palavras do outro lado do telefone:
— Stefany, já te falei, c*****o! Tu vai ficar aí até eu achar aquela desgraça da tua irmã, p***a! Para de me ligar, c*****o! Vai, faz a p***a do trabalho de uma mulher! Dá um chá de b****a no Terror e já era!
— Eu sou virgem, pai! Virgem, entendeu? Não sei como fazer isso! E ele foi o primeiro homem a me beijar! Eu não sou a Tiffany e nunca vou ser!
— Acho melhor tu ficar pianinho aí, Stefany, p***a! O que eu vou fazer contigo não será legal, não! Pô, eu te acho no inferno se tu fugir daí, sua maldita!
— Eu te odeio!
Porra, Terror tinha razão. Eles tão enganando ele! Que babado, irmão!
Sem mais demora, eu abro a porta com tudo, raiva no olhar. Ela se vira assustada, lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela sabe que eu escutei tudo. Se ajoelha no chão, chorando e implorando.
Fico com pena, pô. Antes de eu falar qualquer coisa, Terror me empurra e entra no quarto, erguendo ela pelos cabelos.
— O que tá fazendo ajoelhada aí, p***a? O que tá aprontando nessa desgraça, hein, filha da p**a? Me dá essa p***a de celular! Tá com outro, sua v***a? Ah, não quer dar a p***a da b****a, né?
Ele pega o celular dela e começa a fuçar. Depois de um tempo, joga o telefone na cama e olha pra mim.
Tiffany... Stefany... sei lá que p***a é, não para de chorar e olhar pra mim. Merda.
— O que tu escutou, JJ? Vai, fi, solta a p***a da voz!
— Ô, mano, escutei ela pedindo ao pai pra ir embora, que não quer mais ficar aqui não.
Digo essa mentira pro meu brother e, p***a, isso terá consequências se ele descobrir.
A mina me olha espantada, sem acreditar no que eu acabei de fazer. Terror olha pra ela e n**a com a cabeça.
— Tu daqui não sai, entendeu? Será a p***a do meu brinquedo. O dia que eu enjoar, te mando de volta. Mas, lógico, só depois de recuperar o dinheiro que nóis investiu na p***a daquele morro do teu pai.
— Vamo, JJ, temos missão pra fazer.
Olho pra ela com um olhar de “conversamos mais tarde” e ela entende. Só assente com a cabeça.