CAPÍTULO: 6

830 Palavras
CAP 6: O Preço da Liberdade O som dos tambores da comunidade ainda ecoa na minha mente enquanto eu deslizo a taça de champanhe entre os dedos. O vidro gelado contrasta com o calor das minhas lembranças, lembranças que eu quero apagar a qualquer custo. Meu pai sempre gostou do luxo, do poder, da sensação de ser temido. Mas quando as dívidas começaram a engolir ele vivo, o medo bateu à porta. Fraco, endividado, ele fez o que qualquer tubarão desesperado faria: vendeu o que tinha de mais precioso para não afundar. A mim. O tratado com Lenda, o dono do Morro do Alemão, foi um acordo sujo, selado com promessas e cifrões. Meu pai queria continuar no topo, e Lenda queria garantir que ninguém o traísse. O que era mais seguro do que unir as famílias? O problema é que a união significava que eu tinha que me casar com Terror. Terror. O nome combinava com ele. Frio, violento, sem um pingo de empatia. A fama dele ia além dos becos e vielas, e eu já tinha ouvido histórias demais sobre o que ele fazia com quem tentava desafiá-lo. Um monstro criado pelo crime, moldado para matar sem piscar. E meu pai queria que eu passasse o resto da vida ao lado desse homem. — Você vai fazer isso pela família — meu pai disse, o olhar cortante, a voz dura. Mas eu nunca fui de aceitar ordens. — Eu não sou moeda de troca. — Não é sobre você, Tiffany. É sobre poder. Aquelas palavras ficaram presas na minha cabeça por meses. Cinco meses, pra ser exata. O tempo que levei para arquitetar minha fuga. Eu sabia que não podia só sumir sem um plano. Sabia que, se fizesse isso, meu pai ia me caçar até o inferno. Então eu esperei. E então veio aquela noite. A música pulsava, as luzes dançavam sobre corpos suados e copos cheios. Eu queria esquecer, queria sentir. E então eu o vi. Dominick. Alto, pele bronzeada pelo sol italiano, olhos tão verdes que pareciam refletir dinheiro. O gringo era diferente de tudo que eu conhecia. Não pertencia ao meu mundo de becos estreitos e alianças de sangue. Ele era luxo, poder e liberdade. Foi um olhar e uma faísca. Um sorriso e um convite. Uma dança e um quarto de hotel caro demais para qualquer um do morro pisar. Eu não hesitei. Quando nossos lábios se tocaram, eu soube que aquele era o caminho que eu queria. Minhas roupas caíram ao chão junto com qualquer dúvida. Ali, entre lençóis de cetim, eu encontrei o que procurava: uma saída. Depois do sexo, enquanto eu recuperava o fôlego, Dominick fez a proposta. — Você tem algo que eu quero — ele disse, deslizando os dedos pela minha coluna. — É mesmo? — sorri, virando sobre o colchão para encará-lo. — Beleza. Personalidade. E sede de luxo. Eu vejo isso em você. Ergui uma sobrancelha. — E o que você quer? — Uma mulher como você ao meu lado. Não esposa, não namorada. Amante. Você teria tudo. Viagens, joias, roupas que nenhuma outra poderia bancar. Mas sem amarras. Você seria livre. Livre. A palavra martelou na minha mente. Foi ali que percebi que a liberdade tinha um preço. E Dominick estava disposto a pagar. Sem pensar duas vezes, aceitei. O Adeus Sem Volta A manhã seguinte chegou pesada, mas eu já sabia o que tinha que fazer. Meu celular estava desligado desde a noite anterior. O plano já estava traçado fazia tempo, e agora era só executar. Peguei uma folha em branco e comecei a escrever. A última coisa que eu deixaria para trás era essa carta. "Pai, mãe, não adianta me procurarem. Eu sei que a decisão que tomei não é a que vocês queriam, mas é a que eu precisava. Não vou ser uma peça de xadrez no jogo de vocês. Estou indo viver a vida que escolhi, e não aquela que escolheram para mim. Adeus." Dobrei o papel e deixei sobre a cômoda do quarto. Peguei minha mala pequena – não precisava de muita coisa além do passaporte e do dinheiro que já havia guardado. Antes de sair, olhei para trás. A casa onde cresci, onde vi meu pai construir seu império e agora se ajoelhar para não perdê-lo. A casa onde minha mãe viveu sua vida de rainha submissa, sempre abaixando a cabeça, sempre aceitando tudo. Não. Eu não ia ser como ela. Saí sem olhar para os lados. A essa hora, meu pai ainda estava dormindo. Se ele soubesse o que eu estava prestes a fazer, eu estaria morta. Dominick me esperava no carro. O motor roncou assim que entrei. Ele me olhou de soslaio, um sorriso discreto nos lábios. — Pronta? — perguntou. Olhei para frente, sentindo o coração bater acelerado. Uma nova vida me esperava do outro lado daquela estrada. — Vamos — respondi, sem hesitar. O carro arrancou, e naquele momento, eu soube que nunca mais voltaria.
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