POV Noah Eu já fui bom e fingir. Fingir que minha filha era perfeita. Que os gritos não machucavam. Que a dor dava pra ignorar. Mas dessa vez, não dá. Ela realmente se foi. Me tranquei no quarto por dias. O sol nascia, morria, e eu m*l via. Os lençóis embolados, as roupas jogadas no chão, a cama que antes era nosso lugar... agora parecia um campo minado de lembranças. Cada canto tinha um pedaço dela. Cada silêncio gritava o nome dela. O silêncio da casa parecia zombar de mim. Cada canto, cada parede, cada maldita lembrança tinha o rosto da Luna estampado. Era insuportável. Desde que a levaram, nada mais fazia sentido. Nem a rotina, nem os sons, nem o ar. Eu respirava, mas era como se faltasse algo dentro do peito. Como se eu estivesse sobrevivendo por instinto, sem alma. Eu não comia.

