CAPÍTULO 12

1652 Palavras
Logo nos encontramos no salão do restaurante, onde a apresentadora me pega pela mão enquanto, no outro, um microfone aparece do nada. — Hoje estou com sorte! Consegui encontrar Bruna e trazê-la aqui. E isso significa uma coisa: vai ter uma música! Os parentes rugem de entusiasmo. — Vejo seu ardor infernal pelo que está por vir — a mulher se dirige ao público. E agora temos que escolher uma música para ela. Nosso aniversariante Paulo confessou que sua filhinha sabe duas músicas: então vamos dar aplausos. Certo? Dizem que está tudo bem, e eu quase me consumi com a vergonha e o desconforto que essa situação me causa. Claro, quando eu era pequena, eles me colocavam em uma cadeira e me forçavam a cantar em festas de família mais de uma vez, mas nem todos os parentes possíveis estavam lá e, o mais importante, ele não estava lá. Eduardo Borís. Ele está ao lado da minha irmã, que olha para ele pelo canto do olho, percebendo que ele é um clandestino neste cruzeiro. Mas ele não presta atenção nela; ele tem os olhos fixos em mim. E ainda por cima, ele pisca para mim. Eu me viro, enquanto Lais pergunta: — Quem escolhe a primeira música? Uma onda de aplausos percorre a sala e ela comenta: — Nada m*l a escolha… Era uma vez? Para Era uma vez, é muito mais forte. Talvez o dobro. — Ooooh… Bem, então será Era uma vez. Mas primeiro, dê uma grande salva de palmas para Bruna! Devemos apoiar nossa talentosa estrela! Eles batem palmas com energia, com muita energia… Bruna precisa da sua energia para recarregar. O que Bruna precisa é escapar daqui! O público obedece. Todos aplaudem. Os mais entusiasmados, minha mãe e meu pai… E até ele aplaude com as patas. Pare de olhar para mim agora! — Vejo que você realmente quer ouvir a música. — A apresentadora se vira para mim — Bruna, eu te dou o microfone. Agora os músicos farão tudo o que for necessário e piscarão para você quando você tiver que começar… Você se lembra da letra? Ou eu te dou? — Eu lembro. — Aceno com a cabeça, lembrando quantas vezes cantei aquelas músicas, que pude recitá-las até estar meio adormecido, principalmente a de Bruna. É o favorito do meu pai. Certamente é por isso que o público o escolheu. Algumas eleições fraudadas. Embora a música não seja muito alegre. Afinal, emocionante. Mas só um pouquinho… Só o suficiente para que ele não se aproximasse mais de mim. Para que ele me evitasse a todo custo, mesmo que eu tivesse que passar por um campo de espinhos. A apresentadora me entrega o microfone e foge do palco. Estou lá com ele… Nervos. Minhas mãos suam, a ansiedade transforma minhas pernas em geleia. Talvez eu devesse ter bebido antes, como dizem: sem bebida, não há voz que valha a pena! Tarde demais. A música já está tocando. Bom, tudo bem… espere cinco minutos… e pronto. Então posso fugir. Começa… Canto essa música olhando para os sapatos esverdeados de pele de crocodilo do meu tio Antonio. Sempre que cantava, escolhia um ponto fixo e olhava para ele para não cruzar o olhar com as pessoas e não me perder por causa do rosto de alguém. Agora não é exceção. Quão lentamente o tempo passa. E quanto tempo dura a música… Mas nada dura para sempre. Até isso tem um fim. Finalmente, a última palavra desaparece. Levanto os olhos dos sapatos do meu tio, que ele usa há dez anos, e olho para meus parentes. Meus pais, como sempre, com lágrimas nos olhos… E por que, pergunto? Nunca entendi seu sentimentalismo. O resto da sala está em silêncio. Como se tivessem permanecido em silêncio. Para o meu canto? Ha ha… Quem é o culpado? Mas o silêncio não dura muito. Começam a aplaudir, e o meu tio Antonio grita: — Minha sobrinha, Bruna! Nesse momento, a apresentadora corre até mim, confisca meu microfone e diz: — Bruna, você cantou muito bem… Você comoveu todo mundo. Até os cozinheiros. E se houver uma segunda música, que nossa estrela diga. Vire a cabeça para mim. Eu imediatamente balanço a cabeça e aceno com as mãos: não, não, não! — Hoje não haverá mais músicas de Bruna — conclui a apresentadora. — Nossa pequena estrela está com pressa para ir com seu amigo. Não vamos incomodar os jovens. Deixe-os ir! Meu rosto fica escarlate. Mas, por que é que ele disse isso? POR QUÊ? Quem deixou essa linguá de trapo falar? Agora vai começar... — Que amigo e esse que te distrai tanto na festa de seu pai? — Gente, interrogação essa hora não. — disse Bruna. O irmão do meu pai coloca as mãos nos quadris e vira a cabeça, procurando o meu amigo. E eu... Eu paro de respirar! A situação está ficando cada vez mais difícil. A cada volta da cabeça do meu tio, essa espiral comprime-se ainda mais, como uma mola. Tenho medo de pensar em quando ele vai procurar... Ah... Eu me sinto m*l. Neste momento vou e desmaio no chão. Suspiro por ar, como se tivesse acabado de terminar uma corrida de natação. E na minha cabeça, caos. Quem culpar? A apresentadora tagarela? Ao hamster, quem tem que saber e ouvir tudo neste mundo? Ou eu mesmo? E se eu realmente desmaiar? Chamar a atenção com esse pequeno ato? Claro... Vamos, Bruna, vá em frente! Caia e quebre outra coisa! O ar que você pegou nas costas não foi suficiente?! Você está perdendo alguma fratura? — Bruna, onde ele está? —Meu tio me pergunta — Está aqui? Ou ele está lá fora a esperando, fumando um cigarro? Não posso responder. Engoli minha língua. Acabei de lançar um olhar de soslaio para o hamster. Seu rosto não parece mais tão feliz e brincalhão, mas nele não se vê confusão nem medo. — Sou eu — ele diz calmamente, interceptando meu olhar e deixando a multidão. Ele se aproxima e fica ao meu lado. Ele pede o microfone à apresentadora, e ela o entrega sem pensar. Suas palavras ressoam imediatamente por toda a sala: — Sou eu, amigo dela — repete— Mas antes de falar... Ele se vira para mim com um olhar questionador. Eu o entendo e murmuro: — Tio Antonio. — Mas antes de falar com você, Antonio, quero parabenizar de todo o coração o pai de Bruna, Sr. Paulo — ele continua, e estou surpresa: ele não só se lembra do nome, mas mantém tanta confiança, como se eu conhecesse todo mundo— Desejo-lhe saúde férrea, felicidade, sucesso, prosperidade, vida longa e alegria todos os dias. Da multidão você pode ouvir o «obrigado» do meu pai, e ao mesmo tempo ele e minha mãe me dão um olhar cheio de perguntas. Para eles, fica claro que ele não é «apenas um amigo». E menos ainda para o resto dos parentes. — Que parabéns! — O tio Antonio diz em voz alta, como se tivesse um alto-falante embutido na garganta, e então ativa o modo detetive— E agora, diga rapidamente: qual é o seu nome, quem é você, o que você faz e por que está levando Bruna? E nem pense em mentir! Eu pego os mentirosos imediatamente! Tenho um olho que é como uma radiografia! O pior é que ele realmente não vai deixar isso passar. Porque desde criança, segundo meu pai, ele tem sido curioso até a medula. E eu mesmo notei mais de uma vez que ele tem uma obsessão em saber a verdade e um desejo de que a justiça reine em todos os lugares. Suponho que por causa dessas qualidades ele tem o trabalho que tem. Ele trabalha em uma importante estrutura estatal. Ninguém sabe sua posição exata. Nem mesmo sua esposa e filhos, porque é segredo de Estado. Certa vez, meu pai, enquanto bebiam na cozinha (era uma festa), começou a perguntar o que exatamente ele fazia. Meu tio, que normalmente é sério e só se solta em festas, virou pavão: abriu o r**o e declarou que sua atividade era tão importante que escreviam sobre ele nos livros didáticos, como um herói. Mas daqui a cem anos. O tio Motorola, irmão mais novo do meu pai e, portanto, tio Antonio, zombou destas palavras. Então ele deixou escapar: — Um herói... Certamente um herói de limpar pisos e mijar merda! Depois disso, ele agarrou sua barriga redonda e riu tanto que meu pai se juntou a ele. Isso deixou o tio Antonio bastante irritado. Ele ficou indignado e, para completar, chamou seus irmãos cidadãos ingratos e pulou de sua cadeira. No corredor, ele calçou seus sapatos de crocodilo favoritos (ele os usa em todas as festas, independentemente do clima ou da estação do ano, porque são seus favoritos e levou vários anos para economizar para comprá-los) e foi embora. A minha mãe pediu para ficar. Isso o lembrou de que ele não havia experimentado o holubtsi em sua receita especial. Mas e aí. Perdido. Ele bateu a porta. Parece-me que meu tio exagerou um pouco a importância de sua própria pessoa naquela época... Mas ainda assim estou convencido: o trabalho deles não é menos perigoso e importante. Minha imaginação imediatamente desenha como ele interroga severamente os criminosos, apontando uma lâmpada brilhante para seus rostos. Mas voltemos à realidade, onde em vez de uma lâmpada, há o seu olhar penetrante. E com seu silêncio, ele exige uma resposta. — Meu nome é Eduardo Borís — o hamster repete calmamente — Bruna e eu... — Antonio, por que diabos você ficou tão irritante? —Tia Margo sua esposa, dá uma cotovelada no ombro dele — Você não entendeu? Que amigo ou que amigo? Você bebeu meia garrafa e já está incomodando as crianças com suas bobagens! — Vá, querida e desculpe pelo seu tio. ‍ ‍ ‍ ‍
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