Não senti nenhum remorso, nem pena do que aconteceu com a Talita.
Ela estragou os meus planos, estava me divertindo com as circunstâncias daqueles jovens ignorantes e ela fez com que o jogo não se prolongasse. Ainda a dei uma opção de misericórdia para ela não viver com aquilo tudo na consciência por anos, seria como se ela fosse louca a todo o momento, fantasiou um acontecimento que somente ela lembrou. Isso é tão corriqueiro.
•••
Depois desse episódio, eu estava pronta para atacar mais um g***o de jovens, são os melhores para manipular, porém, desmaiei por um tempo, quando acordei, entendi que a minha magia havia sido quebrada. Valéria foi despertada do encantamento que pus sobre ela através do meu dom da Manipulação. Ela própria quem o quebrou. Voltei para o mundo mágico e descobri que a princesa Kanahlic havia sido derrotado pelo Mago Real Escálius e finalmente a rainha Zadahtric foi resgatada.Nem acreditei quando descobri que Valéria não era uma simples feiticeira, mas uma Allogaj, e foi vencida por Escálius, infelizmente eu não podia mais manipulá-la e ninguém mais sabia onde ela estava. Tinha poder suficiente para se ocultar por magia.
O tempo passou e o Castelo do Grande Rei Ic jubilava a vitória quando, de repente, houve uma grande batalha no Salão do Principado, Valéria tinha voltado com os remanescentes seguidores de Kanahlic, e com muito mais poder. O Castelo foi tomado, o g***o de Feiticeiros Prodígios e eu fomos levados para longe da batalha, éramos a única esperança do reinado de Zadahtric, fomos treinados para outros mundos, porém, eu tinha que fazer alguma coisa. Não fiquei a par de nada mais, atuaria às cegas. O portal se fecharia e eu poderia fugir com os outros, mas voltei. Precisava ajudar de alguma forma.
Eu conhecia uma passagem secreta qual a própria rainha Zadahtric me ensinou o caminho, óbvio que a manipulei para isso, e esta passagem levava direto para o Quarto Real. Fiquei lá, escondida atrás da parede, por muito tempo até sentir o tremor do Portal se fechando, não se podia mais ir para a Terra. Não sabia o que fazia, mas a minha intuição mandou-me aguardar, estava prestes a ir embora até que a princesa Kanahlic entrou no quarto com algumas pessoas, provavelmente ganhou a batalha e tomou posse do reino. Lamentei bastante. Kanahlic conversou por muitos minutos com o pessoal, explicava os seus planos para o seu futuro e já queria dar início para a sua coroação, depois mandou que se retirassem e ficassem de guarda do lado de fora, ela tomaria um banho e descansaria para repor as suas energias.
Entendi o que faria por lá naquele momento. A futura rainha despiu-se das suas roupas e de todos os seus adornos, o seu único objeto mágico e o mais poderoso deste mundo ela deixou em cima da cama com um belíssimo vestido que ela separou para usar na coroação. No momento exato que ela se retirou, pois, confiou muito na sua conquista, eu saí das sombras e furtei o Medalhão de Cronos. Rápido e fácil assim, não foi à toa que fui condecorada a melhor dos Prodígios e escalada como a espiã pessoal de Zadahtric. Fugi o mais rápido possível. O Castelo é cheio de passagens secretas e a mais secreta de todas apenas três pessoas sabiam da existência.
Eu tive que reunir todos os meus patrimônios mais valiosos que possuía para fugir daquele lugar, se fosse pega, tudo seria em vão. Carreguei o Medalhão de Cronos, objeto criado pelo meu pai, por muitos caminhos, passei por lugares clandestinamente, usei o meu dom até não poder mais e cheguei ao destino que desejei, o último Continente catalogado no planeta Dorbis, Lappalidor. Durou mais que três horas, considerado muito rápido, e consegui. Eu precisava esconder o Medalhão, era poderoso demais para ficar em posse de uma rainha Tenecae. Não podia deixar que saíssem vitoriosos em tudo, com isso, eu pensava a todo instante no meu Reino, no meu Lar e fui ensinada toda a minha vida no Castelo o motivo de Kanahlic não poder se sentar no trono.
Cheguei a uma cabana antiga e isolada do resto do mundo, funcionava como uma biblioteca para os antigos eruditos e localizava-se ao pé do Vulcão de Zeus. Qualquer visitante podia entrar ali, só não podia entrar no Vulcão, a sua única entrada era fortemente protegida. Dentro da cabana estava repleta de estantes cheias com rolos de pergaminhos e papiros antigos, a maioria estava escrita em velho-dorbiano, a língua mundial, não era muito compressível para a geração atual, principalmente para quem nunca a estudou.
Eu precisava de um ponto específico para esconder o Medalhão, a p******o mágica daquele lugar esconderia o poder emitido pelo objeto, como a Floresta Obscura escondeu. Usei mais um dom. Fechei os olhos e na minha visão, várias pessoas transitavam por lá bem rápido, como se o tempo estive acelerado, as pessoas estavam azuladas e transparentes, como os senhores da *Organização dos Vinte e Quatro Anciões. Encontrei um ponto em que quase ninguém mexia, bem embaixo da última estante dentro de outro acesso daquela cabana, peguei o medalhão, embrulhei com cuidado num pedaço de couro e o guardei. Não parecia, mas estava seguro e bem escondido.
Quando me levantei, assustei-me ao ver um dos “flashes” da minha visão parado a observar-me, ele era diferente, não era do passado, era do futuro, com certeza.
— Quem é você? — perguntei ao “flash”.
"O meu nome é Cesar" respondeu o rapaz bastante intrigado.
— Como está fazendo isso, como consegue se comunicar comigo desta maneira?
"Este é o meu dom, estou usando para saber onde você escondeu o Medalhão de Cronos. Natalie e Layra mandaram-me fazer isso porque eu era o único que conseguiu ver a mensagem na mecha de cabelo que você mandou por uma Borboleta Mensageira."
Alegrei-me bastante com o que ouvi, realmente essa era a minha ideia e deu certo e ainda nem tinha feito a mensagem. Eu conhecia as meninas citadas, elas foram as minhas melhores amigas no meio dos Feiticeiros Prodígios do Castelo, quando ninguém mais queria a minha companhia.
— Está ali — eu disse, apontando para o local exato onde guardei o objeto mágico. — Tome cuidado, ele é muito poderoso, precisamos acabar com o reinado de Kanahlic... — Antes que eu dissesse mais alguma coisa, o rapaz havia sumido. Pelo menos o meu dever foi cumprido.
Eu saí da cabana, pronta para me esconder por um tempo, então lembrei da mensagem, peguei a minha adaga, cortei um pedaço do meu cabelo, pus a mecha na palma da mão e lancei um encantamento sobre ela, seria a mensagem oculta para as meninas. Em seguida invoquei uma Borboleta Mensageira que levou a mecha para longe. Assim que o portal para a Terra fosse aberto novamente, a Borboleta entregaria a mensagem.
Fui embora dali, não podia arriscar que descobrissem o meu segredo. Não sabia para onde ir, então fui tentar ganhar a vida em outro continente, mas fui pega de surpresa bem na fronteira, alguém me atingiu nas costas e eu não pude movimentar os meus braços e pernas. Eu me virei caída no chão e vi a Valéria andando na minha direção, estava acompanhada por algumas pessoas. Sei bem como ela me encontrou, eu usava uma Capa da Levitação, é muito difícil usar magia para localizar uma pessoa através da indumentária, mas como ela era uma Allogaj, nada a limitava, a não ser a falta do conhecimento. Foi aí que falhei miseravelmente.
— Olá, Manipuladora! — disse Valéria, depois atingiu-me com um soco no olho e desmaiei.
FIM