Capítulo 17

2024 Palavras
Andrei correu na frente, ele ainda estava em chamas e se pudesse voltar no tempo desejaria não ter ido, à medida qual corria, absorvia a chama de uma tocha o que acabou diminuindo o tempo deles. — Andrei, para! — ordenou Fernanda e o garoto obedeceu na mesma hora. — Volta, você está apagando as tochas. Andrei percebeu o que aconteceu e voltou sem reclamar, ficou ao lado da estátua de Octávio. Agora seria com as meninas. As três correram e passaram pelo caminho, não era permitido tentar chegar à Rocha por fora, e chegaram ao círculo de tochas que continuavam a se apagar e a Rocha n***a se encontrava no centro. Mesmo assim estavam longe. Teriam que continuar a correr. Antes que pudesse dar mais um passo, várias raízes brotaram do chão e prenderam as pernas de Renata, ela gritou. As outras meninas voltaram e tentaram soltá-la, mas não conseguiam, as raízes envolviam a garota tão rápido que se removessem um, outros mais tomavam o lugar. Com o braço solto, Renata entregou a bolsa à Fernanda e pediu que continuassem a missão. Obedeceram com relutância. Fernanda e Talita seguiram a correr, a Rocha n***a estava próxima. Subitamente o solo se desfez debaixo dos seus pés e as duas caíram, a bolsa com as pedras brilhantes foi arremessada involuntariamente, sorte ter chegado perto da Rocha. O solo continuou a se mover e a tragar apenas a Fernanda, como areia movediça, nesse caso. Talita tentou ajudá-la, pôs toda a sua força para puxar a garota de volta e conseguiu libertá-la, mas a areia-viva voltou a atacar e Fernanda foi presa novamente. — Talita — gritou Fernanda —, me solta. Vai e acaba logo com isso. Agora é com você. — Não, tenho que te tirar daqui. Não vai funcionar comigo, eu não fui pega pelo livro mágico, nenhuma página que se revelou pôde ser para mim. — Não seja teimosa, sua i****a. Não tem outra pessoa mais digna no nosso meio do que você, foi por isso que você não esqueceu, por isso que você nos ajudou, por isso, está aqui. Mesmo que a página não tenha se revelado para você, ainda assim, seria capaz. Eu sei disso. Talita ficou atordoada, de longe pôde ver as condições dos outros colegas e a sua maior v*****e era de ajudá-los, as tochas continuavam a se apagar e já perto do fim. Decerto, Fernanda tinha razão. A ideia seria que eles perdessem para que o jogo se reiniciasse, ela não sabia disso, mas era mais que capaz de terminar aquilo. Ela levantou-se, pegou a bolsa e correu para a Rocha n***a, nela havia uma espiral entalhada e formas de encaixes que deveriam ser das pedras brilhantes. Ela raciocinou rápido e colocou todas as pedras no lugar, a amarela, a verde, a azul e a vermelha, porém, faltava uma. — O quê? Falta uma — indagou. Daí que se lembrou de Demétrio e por coincidência, uma poeira surgiu do nada e formou um portal triangular e reluzente. ••• Demétrio acordou nas areias de um deserto, o sol estava escaldante e o céu brilhava tanto que não dava para olhar para cima por muito tempo. Bem à sua frente havia um oásis, ao entrar, ficou de frente para uma lagoa e teve v*****e de beber da sua água cristalina. O lugar era perfeito e agradável. De repente, uma luz roxa emanou da margem e emergiu uma pedra brilhante em formato de olho que flutuou na sua direção, ele pegou-a com as duas mãos e a admirou. — Demétrio? — entoou uma voz profunda e masculina, fazia eco no local aberto, o que era intrigante. — Oi, quem está aí? Onde estou? — Onde estamos — corrigiu a voz. — No seu subconsciente. Eu sou a voz do Livro Mágico e digo que tens apenas uma escolha com consequências irrevogáveis e inegociáveis para as opções que te trarei. — Quais são? — Quando você voltar, terá a chance de pôr a última pedra na Rocha n***a e encerrar este jogo, dará início a outro e passarão por novas provas, no entanto, não perderão mais recursos; ou você pode entregar a pedra a outra pessoa, se ela o colocar, o jogo se encerrará de vez e vocês voltarão às suas vidas e tudo voltará ao normal, contudo, não se lembrarão de nada. — O quê? É claro que eu quero a última opção. — Fique ciente de que uma de vocês se lembrará de tudo e será doloroso para ela perder os outros. Demétrio sabia de quem a voz se referia. Ele teria que escolher com sabedoria. Precisava pensar no melhor para todos. — Agora vá, não há mais tempo — disse a voz. O portal de abriu no deserto e Demétrio caminhou para lá, estava na hora. ••• Demétrio atravessou o portal e deparou-se com a situação. Ele assustou-se, não imaginou que fosse tudo tão rápido. Talita estava bem à sua frente, ela deu um rápido sorriso e depois estendeu a mão para ele pedindo a pedra brilhante qual ele tinha posse. Deveria pensar muito rápido, ficou relutante. O que faria? Qual seria a melhor decisão a tomar? — Demétrio? — gritou Talita. — O tempo está acabando. Me entregue a pedra. Naquele momento, Demétrio pensou que ninguém perderia nada e que pessoas muito maduras superam as coisas bem rápido. Não se obrigou a pensar mais, senão perderia tempo e chegaria a várias outras conclusões. Entregou a pedra. Talita se apressou e colocou a última pedra brilhante que faltava. De repente, uma espécie de furacão manifestou-se no ambiente, as pedras brilharam ainda mais e ao redor da Rocha n***a, uma cúpula foi se formando até ficar completa e tudo se aquietou. Estavam apenas o Demétrio e a Talita na cúpula, as cinco pedras ainda estavam lá e algumas tochas se ascenderam novamente. Pela entrada da cúpula, entrou o restante do pessoal, Andrei não pegava mais fogo, foi abraçado por Renata, Fernanda alegrou-se ao ver Demétrio e o abraçou e Talita, ao ver Octávio entrar totalmente recuperado, correu ao seu encontro. — Amor, conseguimos — noticiou Talita. Todos e todas se reuniram diante da Rocha n***a. — Ainda estamos aqui? — questionou Fernanda. — Isso não acaba? Nesse mesmo momento, o livro vibrou na mão de Renata e ela leu a última página. — Parabéns, chegaram ao final do jogo e saíram-se muito bem. Para que tudo volte ao normal basta apenas dizer a Palavra-Diretriz. — Ah, não! É brincadeira isso? — resmungou Fernanda. — Qual é a palavra? Alguém sabe? Todos negaram. — Ainda temos mais uma chance de chamar a feiticeira Asqueva — disse Octávio, porém, assim que disse o nome da feiticeira, as pedras brilhantes ficaram brancas e emitiram uma intensa luz que não puderam suportar olhar, depois que a luz se apagou todos desmaiaram, exceto Talita. A garota ficou perplexa, não entendeu o que acontecia e de supetão, Asqueva entrou no recinto. — Por que isso aconteceu? O jogo ainda não acabou? — perguntou Talita. — Ah! — exclamou Asqueva com impaciência. — Eu sabia que você ainda permaneceria consciente. — Não estou entendendo. — Talita, você tem sangue de feiticeiros nas veias — revelou Asqueva. — Além de possuir um dom muito raro, como eu. Junte-se a mim e te farei uma feiticeira extraordinária. — Ficou doida? Não sou feiticeira. Sou uma garota comum de Minas Gerais. — Eu sei do que estou falando, tenho muitos dons, graças ao meu pai que era muito poderoso, só não percebi o seu dom antes porque é magia das luzes, venha para o lado das trevas e será muito poderosa. — Nem pensar, agora que piorou tudo. Eu só quero voltar para a minha vida normal com o meu namorado. Por que estão todos desacordados? Asqueva suspirou, ficou cheia de pesar nos seus olhos. — Você não entende, Demétrio fez uma escolha decisiva. Depois disso tudo, não terá mais uma vida normal. Estou te ofertando uma oportunidade de seguir evoluindo o que já tem, mas a escolha é sua, apenas saiba que você é muito especial. — Fico lisonjeada, mas eu já fiz a minha escolha. Não quero ser feiticeira. — Tudo bem! Enfim, a Palavra-Diretriz era o meu nome que a propósito é o nome do livro, assim que fosse pronunciado, um clarão iria deixar vocês inconscientes e quando acordassem, estariam nas suas casas de volta para as suas vidas patéticas. O problema é que essa magia é fraca demais para te afetar, como você não quer explorar isto vai viver a vida inteira sem saber quem é de verdade. É uma pena — Asqueva colocou a mão numa bolsa de couro que carregava e retirou algo como raízes de cor azul, chegou mais perto de Talita e as quebrou perto do rosto dela. Um ** azulado invadiu as narinas de Talita, ela murmurou alguma coisa e por fim desmaiou. ••• — Talita, acorda — ordenou uma voz, alguém batia na porta do quanto. — Você vai se atrasar para ir à escola, já basta que ficou três dias sem ir. Pelo menos fez uma amiga. Talita acordou, sorriu e abriu a janela do quarto. Estava de manhã, bem na hora de se arrumar para ir ao Colégio, finalmente tudo voltou ao normal. Ela saiu do quarto e foi abraçar a sua mãe. — O que foi, menina? — perguntou aos risos a mãe da garota. Ela estava com um cesto de roupas sujas segurado no braço direito. Talita fez uma pausa antes de soltá-la. — Mãe, quem foi a amiga que você disse que fiz? — Sei lá! Uma tal de Eva. Você ficou até tarde na casa dela e ela te trouxe de carro até aqui. Por que me perguntou? — Nada, só queria saber se você se lembrou — ela entendeu o que aconteceu. — Não tem o que fazer? Ora essa! — a mãe de Talita retirou-se para continuar o seu trabalho doméstico. ••• Talita arrumou-se e foi para o Colégio, nunca tinha estado tão empolgada. Ao subir os degraus da escada qual estava cheia de alunos a conversar, ela avistou o seu g***o que se reuniu numa conversação calorosa. Renata e Andrei estavam abraçados como namorados, parecia que Fernanda e Demétrio também. Talita alegrou-se com o que viu e aproximou-se deles, principalmente, para falar com o seu namorado que estava com um violão nas costas. — Oi gente, não acredito que tudo voltou ao normal — disse Talita, porém, todos se viraram e a olharam com curiosidade. — Como estão se sentindo? — Ah... Bem! — respondeu Octávio, tão seco que nem parecia a mesma pessoa. — Certeza? Vocês estão estranhos. — Olha, princesa, não me leve a m*l, mas a única estranha aqui é você — disse Octávio, apesar das palavras, tentava ser o menos grosso possível. Os outros riram da situação. — O que foi, gente? Por que estão assim? — insistiu Talita. — Porque ninguém te conhece, maluca — disse Fernanda. — O quê? — disse Talita, um pouco abala. — Amor, não seja rude — repreendeu Demétrio, ele olhou para Talita. — Como é o seu nome, princesa? Finalmente Talita percebeu. Ela se lembrou do que Asqueva havia dito e entendeu tudo, não resistiu em saber da verdade irreversível e chorou como nunca tinha chorado. — Demétrio, seu i****a egoísta — gritou Talita antes de ir para casa aos prantos. — Cara! O que você fez com ela? — perguntou Octávio. — Não sei mesmo, é a primeira vez que estou vendo essa menina — respondeu Demétrio. — Eu disse que ela era maluca — comentou Fernanda. Talita se atreveu a olhar para trás e eles nem sequer a observaram ir embora. A decisão de Demétrio fez com que Talita fosse esmaecida das suas memórias, nem mesmo Octávio lembrou-se de que ela era a sua namorada. ••• Depois de um tempo, Talita viajou para a Bahia para recomeçar a sua vida e encontrou-se com um g***o de feiticeiros das luzes que a ajudou a desvendar os seus dons mágicos.
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