Capítulo 16

1707 Palavras
Asqueva parou de frente para o monstro que se levantou rapidamente, sibilou para ela e a atacou. A feiticeira, por sua vez, deu um salto por cima da criatura e com bastante agilidade perfurou as costas dela com uma adaga de prata. O monstro, um pouco desorientado, urrou de dor e caiu desacordado bem no local onde os jovens estavam a se esconder. Eles correram para fugir da criatura, mas ela já estava morta, a adaga criou-lhe reações instantâneas, pois, as suas veias tornaram-se violetas e tomou todo o seu corpo, sem demorar, fez brotar úlceras que explodiram em pus violeta. — Ai, que nojo! — gritou Renata. Andrei aproveitou a situação para abraçar a garota. — Calma, amor. — Será que ele morreu mesmo? — questionou Demétrio. — Como este vampiro veio parar aqui? — perguntou Asqueva quando se aproximou do g***o. — Como? — indagou Talita. — Esperávamos que você respondesse essa pergunta. Isso não faz parte do livro e da maldição? — Não faz — Asqueva desceu para a f***a e aproximou-se do bicho, retirou a sua adaga e limpou o sangue que mais pareciam natas, agora violeta. — O que tinha na faca? — É uma adaga, e é feita de pura prata. Se você perfurar qualquer vampiro com qualquer objeto de prata ele vai ter uma reação instantânea e vai morrer, dependendo do tempo de contato. Este aqui é velho pelas redondezas e a julgar pelo estado da criatura e pela cor do sangue, não se alimenta de humanos há anos. O pessoal engoliu em seco. — De humanos? — gritou Demétrio. — Sim. Qual a parte do "vampiro" você ainda não entendeu? — Ah! É verdade. — Gente, será que esse não é famoso Caboclo D'Água? — perguntou Renata, todos concordaram porque sabiam do que se tratava, exceto Asqueva. — O quê? — quis saber a bruxa. — É um monstro, metade homem e metade bicho, que faz parte das lendas e folclore da nossa sociedade — explicou Andrei. — Quantas lendas esta sociedade possui? — Só na cidade, várias. Nem vou contar com o Estado, piorou o país inteiro. — A magia deste mundo é falha e fraca, não era para esta criatura se aparecer deste jeito, vocês nem deveriam tê-lo visto desta maneira. Creio que se deve ao fato de estarem debaixo de magia mais forte. De certo modo, foi influência do livro. — Não entendi — disse Demétrio —, por que a gente viu este monstro mesmo? — As criaturas não naturais deste mundo estão no mundo etéreo, que é um mundo dentro deste, conforme a magia vai se desvanecendo, mais as criaturas não naturais vão sumindo, porém, sempre há um jeito de escapar, mas elas sempre vivem desta maneira, fugindo do mundo real, sobrevivendo como pode, se ocultando. A natureza deste próprio mundo as repele, a falta da magia afasta o que não é natural. — Eu não estou entendendo nada. — Podem parar com o papo e dizer o que se deve fazer agora? — falou Talita. Asqueva a mediu com os olhos dos pés à cabeça. — Agora? Continuem o percurso, estavam indo exatamente para o lugar qual o livro mandou que fossem — Asqueva lembrou-se de que Talita não fazia parte do plano. — Por que ainda está aqui? O que você está fazendo aqui? Você não imagina que pode correr riscos inomináveis? — Eu te avisei, amor — falou Octávio. — Eu fiquei com v*****e de vir — respondeu Talita para Asqueva. — Para onde o meu namorado for eu vou. — Azar o seu — Asqueva se voltou para o pessoal. — Eu vou embora, se aparecer qualquer outra criatura inesperada, infelizmente vou ter que intervir. — Infelizmente? — indagou Renata, mas a feiticeira sumiu por entre as árvores quando levantou voo e a deixou sem mais justificativas. — Eu só quero saber como ela consegue assistir tudo de longe — falou Demétrio. — Será que ela tem um inseto qual ela usa para nos perseguir e vê e ouve tudo através dele? — Vamos embora, Demétrio — disse Octávio e começaram a caminhar. — Não... É sério, isso não intriga vocês? — Demétrio, ela é uma feiticeira — falou Talita —, qualquer pergunta desse tipo só tem uma resposta, magia. — Queria uma explicação mais objetiva. — Acho que ela tentou, mas você não entendeu nada — falou Renata e todos riram do Demétrio. — Não é a gente que vai conseguir te explicar alguma coisa. Seguiram caminho até escurecer, óbvio que o Demétrio havia entrado em chamas novamente, era muito necessário, ocasionalmente ele esbarrava-se numas árvores e tinham que apagar o fogo com terra e plantas, já que não tinham água, para não causarem um incêndio. Pararam diante de um declive e lá embaixo avistaram uma clareira, estava circundada por tochas e no centro havia uma rocha n***a, o caminho que levava à rocha estava também iluminada por tochas. Antes que dessem mais alguns passos, o livro vibrou, dessa vez Talita quem o abriu para o ler. — Pensei que já havia acabado? — indagou Demétrio que parou de flamejar, o brilho das tochas que vinha da clareira iluminava o suficiente para chegar até eles. — Desta vez é para você — disse Talita e leu: — "Aquele que desistiu será o responsável por tomar a decisão mais difícil do grupo." — Ai, meu Deus — lamentou Andrei. — Só isso? — Disse Demétrio. — Sem bichos, sem escalar precipícios, sem enfrentar os seus medos? — Parece que sim — assegurou Talita. — Parece simples para você? Só para refrescar a nossa memória, Demétrio, mas você não é muito bom em tomar decisões — disse Octávio. — Estamos perdidos — disse Andrei. — Demétrio, por tudo que é mais sagrado, não faça escolhas que poderão nos prejudicar — disse Renata. — Agora é hora de confiar, gente — justificou-se Demétrio. — Sei que fui o mais egoísta de nós, mas eu prometo que não vou decepcionar, vocês. Então, vamos acabar logo com isso. Nesse instante, a terra começou a mover-se debaixo deles e diante de Demétrio uma passagem triangular de cinco metros de altura se formou a partir da poeira que se levantou. Uma película reluzente e multicolor projetou-se na passagem, ela dançava como uma cortina a receber os beijos do vento. Era o momento, assim que Demétrio atravessou, sem nem se despedir dos colegas, o portal desfez-se e os outros ficaram emudecidos, nem mesmo sabiam o que esperavam. — Perdemos a nossa tocha-humana — falou Andrei —, e o g***o continua se fragmentando. — Pelo menos dá para enxergar o local de destino — Comentou Talita. — Vamos ver o que vai acontecer. — Vamos nessa? — chamou Octávio. O pessoal concordou, mas antes que prosseguissem, Renata reclamou que Andrei ficava muito quente e afastou-se dele. De repente Andrei entrou em chamas, os outros se assustaram por serem pegados de supetão, tentaram entender o que havia acontecido. ••• Fernanda caía num precipício escuro, mas tudo parecia tão lento, os seus cabelos flutuavam como se estivesse no vácuo do espaço, ela gritava, mas não se ouvia, não sentia o seu respirar, não sentia os seus próprios pensamentos. Estava no vazio. Tudo o que podia fazer era esperar o tempo passar, nem mesmo isso sentia mais, e pensava onde é que estava. Em poucos segundos sentiu o seu corpo parar lentamente num chão cheio de gramas e tudo voltou a ter som, cor, cheiro e vida. Diante dela estavam os seus colegas, agora no meio da floresta à noite, um tocha-humana os iluminava. — Fernanda? — disse Renata eufórica. Fernanda levantou-se do chão e foi recebida com alguns abraços. Já estavam preocupados, ela sumiu fazia algum tempo, não tiveram um sinal da sua volta, mas esperavam que fosse como Andrei. — O que aconteceu, galera, onde está o Andrei? Era para ter voltado. Por que o Demétrio está em chamas, ele não desliga isso? — perguntou Fernanda porque gostaria que ele a abraçasse também. — Não é o Demétrio, este é o Andrei — respondeu Renata. — Andrei? — ela alegrou-se. — Por que ele está em chamas agora e onde está o Demétrio? — Demétrio está numa missão agora. — Como assim? Primeiro, Talita explicou estarem na reta final do jogo, depois contou o que aconteceu depois que ela sumiu. Fez questão de não se esquecer de nenhum detalhe. — E o que aconteceu com você? — perguntou Talita. — Conta. — Assim que cheguei perto de Octávio — contou Fernanda —, a pedra vermelha brilhou, eu me senti cair, fechei os olhos e quando abri estava no deserto, oásis, e uma voz do nada me disse para eu escolher, se eu permanecesse com vocês, uma das pedras sumiria e haveria outra prova para o g***o, ou se eu decidisse sumir por um tempo, o Andrei retornaria. Tudo fez sentido para eles, era de se esperar. De repente, Octávio passou a sentir dor e decidiram seguir caminho para a Rocha n***a cercada por tochas. Todas as pedras brilhantes foram entregues à Renata, ela guardou-os dentro da sua bolsa. Quando se aproximaram da entrada do círculo de tochas, o livro vibrou e Octávio caiu no chão. — Oh! Meu amor — disse Talita, preocupada, ao tentar socorrê-lo. — Vamos, levanta. — Não — disse Octávio, ele fazia muito esforço para permanecer consciente, os seus olhos ficaram avermelhados. Ele pegou o livro e o entregou à sua namorada. — Pegue, não tenho mais tempo… — ele tornou-se uma estátua de mármore antes mesmo de dizer qualquer coisa inspiradora como desejou fazer. Talita chorou muito, mesmo tendo esperança e confiança de que ele voltaria ao normal. Ela abriu o livro e leu: — "Dignidade é uma virtude, muito dela o fará acessar àquilo que vos libertará. Coloque as pedras na Rocha n***a antes que todas as tochas se apaguem, caso contrário, o jogo se reiniciará e desta vez, se perderem, serão esquecidos para sempre." Talita olhou para os outros com desespero. Haviam muitas tochas, mas quando a primeira se apagou, eles não pensaram em nada a não ser fazer com que Renata corresse o mais depressa possível.
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