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Amores Difíceis

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Sinopse

Ela tinha apenas vinte anos quando se apaixonou por quem não podia amar.

O professor era mais velho, casado, proibido e ainda assim, foi com ele que viveu um sentimento intenso, secreto e quase impossível de sustentar. Um amor feito de silêncios, medo e desejo, que a marcou mais do que qualquer promessa poderia marcar. Mas amores difíceis cobram seu preço.

Entre escolhas erradas e consequências dolorosas, ela chega ao limite. Um episódio que quase lhe tira a vida a obriga a romper com tudo o que conhecia, inclusive com o homem que nunca poderia ser dela.

É então que surge outro. Mais velho, fechado, intenso. O completo oposto de quem ela foi um dia. Um homem que não a idealiza, não a protege em excesso, mas a desafia. Com ele, nada é simples. O passado dela pesa. O mundo deles não combina. E o amor, mais uma vez, exige coragem.

Entre recaídas, perdas e recomeços, ela descobre que alguns sentimentos não desaparecem… apenas mudam de forma.

Porque amores difíceis não pedem permissão.

Eles apenas acontecem.

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Capítulo 1
Kaori sempre foi intensa. Desde a infância, passando pela juventude, tudo nela acontecia em excesso, sentimentos, escolhas, reações. Quando finalmente começou a sentir que estava vivendo de verdade, mergulhou em experiências ousadas, trocando de ficantes com a mesma facilidade com que se apaixonava e se desinteressava. As paixões vinham fortes, avassaladoras, mas quase nunca duravam. Ela as tratava de forma leviana, sem promessas, sem planos, sem apego. Entre esses ficantes estava Enzo, seu melhor amigo. Por muito tempo, eles dividiram risadas, noites longas e i********e suficiente para confundir qualquer linha entre amizade e algo mais. Mas Enzo começou a namorar justamente quando a vida de Kaori entrou em colapso. Os pais estavam se divorciando, o clima em casa se tornara pesado e ela começou a afundar num estado constante de tristeza m*l disfarçada. Na casa dos vinte anos, Kaori já carregava uma fama que não fazia questão de negar. Era experiente, vivida, “rodada”, como muitos diriam e, ao mesmo tempo, profundamente perdida. Entre discussões familiares e finais de semana regados a excessos, decidiu se matricular em um curso de informática e administração, mais por insistência do pai do que por vontade própria. No primeiro dia de aula, foi sem se arrumar muito. Cabeça baixa, humor fechado. Havia brigado com a mãe dias antes, depois de chegar bêbada em casa no fim de semana. A mãe tentou impor castigo, algo que Kaori não aceitava mais. Afinal, era maior de idade, e fazia questão de lembrar disso sempre que podia. O pai a levou até o local do curso. Ela desceu do carro vestindo calça jeans, tênis simples e um moletom largo. Chegou cedo demais. Entrou na sala vazia, sentou-se em uma das carteiras do fundo e colocou os fones de ouvido, isolando-se do mundo enquanto esperava a aula começar. Quando a porta se fechou, ela só então ergueu o olhar. O professor se posicionava no centro da sala, preparando-se para falar. Kaori o encarou sem desviar, os olhos fixos enquanto ele se apresentava. Daniel não era um professor qualquer. Longe disso. Havia nele algo que imediatamente chamou sua atenção. Era bonito, sério, e exalava uma autoridade tranquila que a atraía sem esforço. Usava uma camiseta polo ajustada, calça jeans e tênis de marca. Um relógio moderno chamava atenção em seu pulso, e o celular que ele manuseava deixava claro que tinha uma condição financeira confortável. Tudo nele parecia organizado, controlado, seguro, exatamente o oposto do caos que Kaori sentia por dentro. Daniel explicou que gostaria de conhecer a turma antes de iniciar o conteúdo. Pediu que cada aluno dissesse seu nome e idade. Enquanto os alunos se apresentavam, sorrindo, concordando com a cabeça, tentando parecer entusiasmados, Kaori permanecia quieta, séria, e distante. Ela se destacava. Não apenas pela aparência, descendente de j*******s, olhos puxados, cabelo liso e preto, mas pela energia que carregava. Um ar jovial misturado com tristeza, como alguém que estava ali fisicamente, mas emocionalmente em outro lugar. Enquanto os outros se esforçavam para parecer interessados, ela não fingia. Nunca fingia. Quando chegou sua vez, disse o nome e a idade de forma direta, sem sorriso, sem tentativa de simpatia. Apenas falou. Daniel continuou a aula, escrevendo na lousa, explicando o curso, gesticulando com naturalidade. Mas seu olhar, vez ou outra, percorria a sala… e sempre voltava para Kaori. Algo nela o intrigava profundamente. Não era apenas aparência. Era algo mais difícil de definir. Uma curiosidade genuína, uma vontade inesperada de saber quem ela era, o que carregava naquele silêncio tão explícito. Ele tentou disfarçar. Leu novamente o nome dela na lista, gravou mentalmente e pensou, quase sem perceber, em procurá-la depois nas redes sociais. Durante toda a aula, Kaori desenhou distraidamente no caderno, alheia ao conteúdo, mas completamente consciente do olhar que, mesmo contido, insistia nela. Ao final da aula, os alunos se levantaram, conversando entre si. Kaori guardou suas coisas rapidamente e saiu junto com os outros. Não se despediu direito. Nenhum “até mais”, nenhum sorriso educado. Apenas foi embora, como quem já tinha aprendido a sair antes que algo começasse. Quando Kaori foi à segunda aula do curso, havia chorado bastante antes de sair de casa, porque seus pais estavam se divorciando. Ela sempre fora mimada, irresponsável e muito m*l acostumada. Os pais sempre lhe deram tudo do bom e do melhor: roupas de marca, tênis caros, material escolar de qualidade, celulares de última geração. Ela estava acostumada com tudo isso e sabia que iria perder. Fora isso, sabia que perderia a estabilidade emocional, e isso mexia muito com ela. Para Kaori, enquanto os pais estivessem casados, tudo estaria certo. Havia um conforto seguro, uma base sólida. Ela nunca imaginou que eles fossem se divorciar. Já fazia tempo que o casamento não ia bem, mas quando comunicaram aos filhos que realmente deixariam de ser um casal, aquilo a afetou profundamente. Naquele segundo dia de curso, Kaori foi com os olhos vermelhos de tanto chorar. Começou a chover muito, e ela chegou adiantada porque pegou carona com o pai. Como a chuva estava intensa, quase ninguém apareceu. Foram menos da metade dos alunos. Kaori entrou na sala, colocou os fones de ouvido, manteve a cabeça baixa e puxou o capuz da blusa sobre a cabeça. Quando Daniel, o professor gato, chegou… ele entrou já procurando por ela. Ele havia encontrado o perfil dela nas redes sociais. Vira que Kaori era uma moça bonita, aparentemente simpática, cheia de amigos, que gostava de festas, dançar, postar vídeos. Parecia vaidosa, divertida, leve, muito diferente da garota silenciosa e fechada que ele via agora. Assim que entrou na sala, seus olhos foram direto até ela, sentada sozinha. Prestando atenção na turma, percebeu que Kaori não estava ouvindo nada do que ele dizia lá da frente. Então se aproximou com cuidado e tocou suavemente no braço dela, quase como uma carícia gentil. Quando ela levantou o olhar assustada e retirou o fone, ele falou pausadamente, percebendo que ela estava chateada: — Oi, Kaori… vamos começar a aula. Tudo bem?

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