Já era o meio da semana quando decidi que, naquele dia, não iria para a escola com os meninos. Não estava no clima de encarar o Lucas, sabendo de tudo o que estava acontecendo enquanto o Léo seguia completamente alheio.
Peguei o celular e escrevi para o Léo:
Léo, vou sair um pouco mais cedo hoje, tenho um trabalho para pesquisar na biblioteca.
— Trabalho? De qual matéria?
Chegando na escola eu te explico.
Bloqueei o celular, peguei as minhas coisas e saí de casa.
Quando cheguei à escola, o lugar estava quase vazio por causa do horário. Normal — quem, em plena consciência, chegaria uma hora antes do início das aulas? O silêncio dos corredores era quebrado apenas pelo eco distante de passos apressados e pelo barulho das portas sendo abertas.
Fui direto ao refeitório e pedi um café com leite. Não tinha comido nada desde que saí de casa tão cedo, e o cheiro do café quente parecia me trazer um pouco de conforto.
Enquanto mexia a colher na xícara, lembrei que precisava responder o Theo. Já era quarta-feira e eu ainda não tinha criado coragem para chamá-lo para conversar.
Peguei o celular e procurei o seu contato. Ao encontrá-lo, reparei na foto de perfil: ele estava dentro de um ringue, com as luvas erguidas e um sorriso confiante. Suspirei. Seria cedo demais para mandar mensagem? Eram 6h50 da manhã. Ele podia muito bem achar que eu era uma completa psicopata.
Mas se eu não mandasse naquele momento, provavelmente perderia a coragem. Respirei fundo e digitei:
Olá, Bê! Tudo bem? Bom dia.
Enviei.
A mensagem foi entregue, mas não visualizada.
Alguns segundos depois, escrevi outra:
Sobre o seu convite para assistir ao seu campeonato na semana que vem… ainda está de pé?
Como não houve resposta, decidi deixar o celular de lado e aguardar.
Pouco a pouco, a escola começou a ganhar vida. Terminei meu café e segui para a sala. Ao chegar, encontrei o Léo e a Milena conversando animadamente.
— Posso saber de quem vocês estão fofocando? — perguntei, largando a mochila na cadeira.
— O Léo está cheio de segredinhos e não quer contar quem é a transa casual que ele anda tendo — disse Milena, com um sorriso malicioso.
— Não é o momento! E eu já disse que não tem nada de especial — respondeu ele, organizando as coisas na mesa. — É só uma transa casual.
— ENTÃO FALA! JÁ QUE NÃO É NADA DE ESPECIAL! — eu e a Milena dissemos em coro.
Ele riu, se recostando na cadeira.
— Meninas, aprendam uma coisa: quem come quieto, come sempre.
Íamos insistir mais uma vez, mas o professor entrou na sala anunciando uma atividade surpresa. O assunto acabou ficando para depois.
Quando cheguei em casa, só então consegui ver as mensagens que havia recebido ao longo do dia. Entre todas, um nome chamou a minha atenção: Theo. Estava em negrito.
Abri a conversa.
Com certeza, está sim! Será um prazer ter você ao meu lado.
Sorri sozinha antes de responder:
Fico feliz em saber disso, mas não quero atrapalhar em nada.
A resposta veio rápida:
Atrapalhar? Jamais. Você me ajudaria — e muito!
Logo em seguida, ele continuou:
Podemos nos encontrar hoje à noite para falar melhor sobre isso? O que acha?
Perfeito. Vou para a academia agora. Pode ser depois?
Pode sim. Tenho treino de luta hoje. Se quiser, pode me encontrar no ringue. Tomo uma ducha rápida e saímos de lá. Pode ser?
Claro, combinado!
Bloqueei o celular e fui escolher a roupa que usaria depois do treino para encontrar o Theo. Abri todas as gavetas e, sem muita dúvida, decidi por um vestido preto básico. Simples, mas certeiro. Coloquei tudo na minha bolsa da Nike e saí.
Na academia, o treino foi leve e prazeroso. Gosto especialmente de treinar parte superior, e como ainda estava em fase de adaptação, em uma hora já tinha terminado.
Fui ao banheiro me arrumar: banho, roupa, maquiagem