Pré-visualização gratuita apresentação do rei
— Chefe, os seus rivais foram eliminados de uma vez.
A frase ecoa no silêncio do escritório como uma melodia antiga. Para muitos, seria apenas uma notícia. Para mim, é música.
Meu nome é Azrael Valcazar.
Não sou um simples mafioso.
Sou o Leme — aquele que guia, controla e decide o destino de quem respira dentro dos meus domínios.
A família Valcazar não se limita a uma cidade ou a um único país. Estamos acima disso. Tenho três países ajoelhados, não pela força bruta, mas pelo medo. Sou quase um rei. Talvez algo pior, dependendo de quem pergunta.
E nada disso me foi dado.
Nasci em uma linhagem poderosa, mas precisei arrancar tudo com as próprias mãos. Para me tornar o Leme, derrubei meu próprio pai, destruí aliados que ousaram me subestimar e transformei cada traição em degrau. O sangue que carrego é maior do que o de qualquer assassino comum
e não me arrependo. Esse foi o preço para chegar ao topo. E para permanecer nele.
Minha cabeça vale mais do que uma estrela anã branca. Bilhões, apenas por existir. Eu brilho de outra forma. Uma luz que queima, ameaça e nunca se apaga.
Não tenho esposa. Nem amor.
E estou bem assim.
O amor é uma fraqueza uma armadilha disfarçada de conforto. No meu mundo, quem ama morre. Simples.
Tenho distrações. Mulheres fáceis. Prazeres rasos que duram uma noite. Corpos que servem apenas para silenciar a mente por algumas horas. Tenho clubes, hotéis, empresas. Um império inteiro sustentado por sangue, medo e disciplina.
Ainda assim, em noites longas demais, sinto falta de algo real. Não amor. Apenas calor humano. Algo que não desapareça ao amanhecer.
Mas permitir isso seria assinar minha própria sentença de morte.
Aprendi da maneira mais c***l possível. Meu pai confiou. Amou demais.
Eu sobrevivi fazendo o oposto.
É por isso que continuo sozinho.
No topo.
Intocável.
Azrael Valcazar o Leme.
— Chefe… um homem está causando problemas em um dos clubes.
Ergo o olhar lentamente. Frio. Calculado.
O homem à minha frente engole em seco.
— Você sabe o que fazer — digo, impaciente. — Então por que vem me perturbar com algo que até um i****a sem cérebro saberia resolver?
Ele treme. Literalmente.
— M-mas, chefe… ele é filho de um dos seus braços-direitos.
Claro.
Sempre alguém “intocável”.
Intocável… menos para mim.
— Ligue para o pai dele — ordeno, com a voz fria como lâmina. — Informe sobre o mau comportamento do filhinho antes que eu mesmo precise resolver.
Os olhos dele se arregalam. Ele sabe exatamente o que isso significa.
— S-sim, chefe. Agora mesmo!
Ele sai quase correndo. O silêncio retorna.
E um leve sorriso cruza meus lábios.
No meu império, ninguém está acima da lei Valcazar.
Nem sangue. Nem legado. Nem herdeiros mimados.
Horas depois, uma batida firme ecoa na porta.
— Entre — digo, sem levantar a voz.
Vitório Dravenhart entra. Alto. Postura rígida. Um homem que nunca tremeu diante de nada… até hoje.
— Chefe… o problema está resolvido.
Analiso cada detalhe do rosto dele. A família Dravenhart sempre foi leal. Nunca me deu trabalho.
— Sim, senhor Azrael — continua. — Eu mesmo cuidei disso. Cassian não causará mais problemas.
A forma como diz “cuidei” deixa tudo claro.
Cruzo os dedos sobre a mesa.
— Muito bem, Vitório. Mas… o que você quer?
Ele respira fundo. Um homem como Vitório só entra aqui com um peso no peito.
E eu espero. Em silêncio.