Pré-visualização gratuita O Imprinting
Taylor Collins
O barulho forte da chuva lá fora me desperta, suspiro e me viro para o lado contrário da janela. Hoje seria mais um dia repetido como todos os outros. Levanto e vou em direção ao banheiro para tomar meu banho. Paro na frente do espelho e fico me analisando. Eu estava irreconhecível. A barba estava por fazer e o cabelo estava bem maior do que devia, sem contar as olheiras. Já fazia algum tempo, eu deveria ter superado. Balanço a cabeça afim de afastar esses pensamentos e começo a me arrumar para o trabalho.
- Bom dia, filho. - meu pai fala assim que eu entro na cozinha.
- Bom dia, pai. Bom dia, meninas. - eu beijo a testa das minhas irmãs.
- Bom dia, Tay. - elas falam em uníssono.
- Vai trabalhar hoje? - meu pai se senta e me olha.
- Vou. Inclusive, já estou saindo.
- Você devia sair para se divertir , está trabalhando demais. - meu pai fala me fazendo suspirar.
- Esse assunto de novo não.
- Eu concordo com o papai. - Atena fala me olhando com um sorriso debochado.
- É, já está na hora de arrumar uma garota pra você. - Alice me olha também.
- Que isso? Complô essa hora da manhã?!
- Só queremos o seu bem, Você devia ter superado. já faz algum tempo que ela se casou, e não foi surpresa nenhuma. - meu pai fala e minhas irmãs concordam.
- Você deveria sair e arrumar uma garota legal. - Atena fala e cutuca Alice.
- É, mas não desse jeito. - Alice aponta para o meu visual. - Assim ninguém vai te querer.
- Essa é a intenção. - antes de surgir outro comentário eu pego as chaves do carro e me viro para sair. - Até mais tarde. - eu grito quando já estou na porta de casa.
Ligo meu carro e vou em direção á oficina em que trabalho, era poucos minutos até lá. O dia chuvoso dificultava um pouco a trajetória. Estaciono o carro e caminho em direção a oficina.
- Bom dia, Dylan.
- Bom dia. - ele me olha com um breve sorriso e volta sua atenção para a moto que estava em sua frente. - O dia hoje vai ser bem tranquilo, ainda mais com essa chuva.
- Isso é bom. Cadê as peças que encomendei? - Dylan trava e me olha.
- Eu talvez tenha esquecido de ir comprar?
- Eu não acredito! Preciso entregar o carro amanhã.
- Eu vou lá agora, não se preocupa. - ele se levanta e começa a limpar as mãos sujas de óleo.
- Não, não precisa. Eu vou. - eu falo pegando as chaves de novo.
- Desculpa mesmo. - Dylan vem caminhando atrás de mim.
- Da próxima não vou deixar passar. - ele ri e concorda.
*Quebra de tempo*
A chuva forte foi substituída por uma pequena garoa, o clima estava mais tranquilo agora. A estrada de volta para a oficina estava deserta, nem uma alma viva estava pela rua. Um pouco mais a frente avistei uma pessoa caminhando, de longe não dava para identificar se era uma mulher ou um homem. Conforme fui me aproximando, percebi que era mulher, o que era muito estranho. Ninguém andava a pé no meio do nada, pelo menos não aqui. Começo a diminuir a velocidade do carro e vou parando o carro aos poucos ao lado da mulher.
- Precisa de ajuda? - assim que ela me olhou, o mundo pareceu parar. Ela era uma das mulheres mais lindas que eu já havia visto, mas não era isso que me prendia. Agora, ela é a única coisa que me importava na Terra. Eu preciso protege-lá e ficar ao seu lado, não importa de que forma seja. Vou ser o que ela quiser que eu seja na sua vida, um amigo, um irmão, um namorado... Não me importa. Apenas preciso ficar ao seu lado.
- Moço? - ela me olhava com uma expressão interrogativa.
- Me desculpe. Está precisando de ajuda? Não é normal ter pessoas andando sozinhas por essas estradas.
- Não, não preciso de ajuda. Estou apenas de passagem por aqui. - ela desvia seus olhos de mim e olha para o céu. - Eu vou indo. Logo vai começar a chover de novo e eu não quero estar na rua.
- Não quer uma carona? Te levo no local em que quiser. - ela me olha novamente e ri.
- Por que eu deveria confiar em um completo estranho?
- Não acho que você tenha muita opção. E se eu fosse fazer algo, com certeza eu já teria feito.
- É, talvez.
- Não vai aceitar a carona mesmo? - assim que eu termino de falar a chuva começa a se intensificar.
- Acho que eu não tenho muita escolha. - fala olhando para o céu. Destranco a porta do carro e ela entra. - Tem certeza que eu posso confiar em você?
- Um sequestrador diria "é óbvio que sim", mas eu prefiro responder apenas um breve "sim". - ela ri.
- Se você tentar alguma coisa, eu te mato. - eu levanto as mãos em forma de redenção.
Por alguns minutos a chuva foi o único barulho que tínhamos em nossa volta. Eu conseguia ouvir seu coração batendo, e ele estava incrivelmente calmo. É como se ela estivesse dormindo.
- Eu juro que vou pular do carro se você continuar me olhando assim. - ela fala e vira a cabeça para me olhar.
- Estava apenas te admirando.
- Então não admire.
- O que estava fazendo sozinha naquela estrada?
- Como você viu, eu estava andando. - eu sussurro um "ok" e continuo focado na estrada.
Ela estava certa em ter relutância em falar comigo, sou um completo estranho, mas eu conseguia sentir que ela não se sentia desconfortável em estar aqui comigo.
- Eu estou apenas procurando um lugar para passar o tempo. Tem alguma sugestão? - eu olho surpreso para ela. Não esperava que ela fosse me perguntar alguma coisa.
- Tenho. Há um hotel daqui uns cinco minutos. Posso te deixar lá se quiser.
- Seria ótimo. - ela sorri e olha para a estrada. - Mora aqui por perto?
- Sim, dá uns 10 minutos do hotel até a minha casa.
- Vou ter um amigo no tempo em que ficar aqui, então?
- Pode apostar que sim. - ela sorri e concorda. - Por que está só de passagem?
- Eu não fico muito tempo em um lugar só. Gosto de sair por aí, sem rumo. Apenas conhecendo pessoas e lugares. - dá de ombros.
- Aqui é um bom lugar. Não vai querer ir embora depois que passar um tempo aqui.
- Duvido que seja tão bom assim. - sua voz tinha uma pitada de brincadeira.
- Podemos apostar.
- Apostar? Me fale mais. - ela me olha curiosa.
- Se você ficar mais de uma semana e gostar, vai sair para jantar comigo.
- Válido. E se eu não gostar?
- Você pode me dar um soco. Sei lá, pode escolher uma punição. - ela ri e concorda.
- O soco parece bom. Fechado.
- Este é o hotel. Está entregue.
- Obrigada. - ela abre a porta para descer, mas a fecha de novo. - Qual é o seu nome? Eu vou querer cobrar a aposta depois.
- Taylor Collins. Pode perguntar para qualquer pessoa por aí, sabem quem sou. E o seu?
- Lisa Follen. Então, Taylor, muito obrigada pela carona.
- Não precisa me agradecer. Estou a disposição. - ela concorda e desvia os olhos para o hotel e me olha de novo.
- Não quer entrar um pouco? A chuva está cada vez mais forte e é perigoso ficar dirigindo por aí.
- Claro, vamos.
Nós dois saímos correndo em direção ao hotel. Ela foi direto para a recepção e eu fiquei alguns passos atrás. Eu estava hipnotizado por ela. Eu passei anos atrás de uma pessoa que eu acreditava que era o amor da minha vida. E agora, em apenas poucos minutos, conheci uma pessoa que deixa meu coração acelerado apenas por sorrir. Talvez meu pai, minhas irmãs e as pessoas que estão na minha volta, não estivessem errados em me dizer que eu deveria apenas superar e encontrar um novo amor, mas por um lado eles estavam. Eu não precisei sair por aí e procura-lo, ele mesmo veio até mim.
- Terra para Taylor. - Lisa estrala os dedos na frente do meu rosto e eu saio do meu transe. - Estava bem longe. - ela ri e eu a acompanho. - Já peguei a chave do quarto, vamos subir ou prefere ficar aqui em baixo?
- Cadê toda a desconfiança? - eu ri e começo a caminhar ao seu lado.
- Você já teria feito algo se fosse o caso, e eu ainda posso te m***r, então. - ela dá de ombros e ri.
Subimos as escadas até seu quarto em silêncio. Era um pequeno hotel, mas tudo era tudo bem estruturado e organizado. Subimos alguns lances de escadas até Lisa parar e abrir a porta do seu quarto.
- O quarto é lindo.
- Que nem você. - eu tento sussurrar o mais baixo que consigo.
- Como é que é? - ela se vira para mim e ri.
- Falei que concordo, achei o quarto lindo também. - eu me viro e fecho a porta.
- Vou fingir que foi isso mesmo que você disse. - ela larga sua bolsa e mochila nos pés da cama e tira o casaco que estava ensopado. - Você vai querer comer alguma coisa? A recepcionista falou que é só pedir que eles entregam. E falou que tem uma secadora nos fundos, pode colocar suas roupas lá se quiser.
- Não, eu estou bem, obrigado. Eu acho que já vou indo. Só fiquei para saber se ficaria bem. - ela sorri e concorda.
- Obrigada novamente.
- Até logo.
- Até algum dia. - eu abro a porta do quarto e saio.
*Quebra de tempo*
- Ah, m***a. - eu jogo a peça de ferramenta no chão e bufo.
- O que aconteceu com você? - Dylan para ao meu lado. - Chegou bem e agora está pensando longe, está atordoado.
- Não aconteceu nada de importante.
- Qual foi, Tay? Vai mentir logo para mim?
- Eu conheci uma garota quando estava voltando.
- Só imagino como ela deve ser, para ter te deixado desse jeito. - ele ri e eu olho sério para ele. - Desculpe, mas... - ele pareceu pensar um pouco. - Eu não acredito. - agora ele ri mais ainda. - Você sofreu um Imprinting por ela.
- E ela está aqui só de passagem.
- E fica cada vez melhor. - sem tom estava em completa brincadeira.
- Eu preciso falar com o Kent.
- Só fica calmo e aproveita o momento. Liga pra ela, chame-a para sair e conquiste ela e pronto. Fiquem aqui conosco. Ou você também tem a opção de ir morar com ela em outro lugar. Você não quis ser o líder da matilha justamente por causa das responsabilidades.
- Você sabe que não foi por coisas fúteis que eu recusei a lidença. - falo entre dentes.
- Ok, não vamos entrar nesse assunto. Só liga pra ela logo.
- Eu não peguei o número dela. - falo e bufo. Eu não conseguia pensar enquanto estava perto dela, só conseguia admira-lá.
-Ah não. O que aconteceu com você cara? A garota é seu Imprinting, e você simplesmente não pega nenhum meio de contato?
- Eu sei em que hotel ela ficou e ela sabe meu nome.
- Adianta muito saber o hotel de uma garota que não fica em um lugar só.
- Olha só, deu. Ela não vai simplesmente sumir. Logo eu a verei novamente.
- Que a sorte esteja ao seu lado.
- Saia de perto de mim, antes que eu te de um soco.
- Não posso deixar vocês algumas horas sozinhos que já querem se m***r? - Kent diz entrando na oficina.
- O Taylor teve um Imprinting por uma garota que ele nem conhece. Você perguntou seu nome pelo menos?
- Isso não é da sua conta.
- Ela é de onde? - Kent se vira para mim.
- Eu não sei. Apenas fui oferecer ajuda e aconteceu. Você sabe que não existe explicação para isso.
- É, eu sei, mas não te preocupa. Isso acontece por algum motivo, ela não vai simplesmente sumir por aí. E mesmo que ela tente, você vai sempre saber achá-la. - eu concordo e suspiro. - Vai pra casa, tira o dia para organizar a cabeça. O Imprinting é um baque.
- Obrigado. Vou fazer isso.
- Paul é capaz de abrir uma champanhe. - Dylan fala fazendo Kent rir.
- Todos deveríamos abrir.
- Eu vou indo antes que eu me estresse mais ainda com vocês.
- Até amanhã.
*Quebra de tempo*
- Aconteceu alguma coisa no trabalho? - meu pai aparece na sala assim que eu fecho a porta de entrada.
- Não, não aconteceu nada no trabalho.
- E o que aconteceu que voltou cedo hoje? - Atena fala aparecendo na sala também.
- Como é metida em. - ela ri do meu comentário e se encosta no sofá.
- Ainda estou esperando.
- Prometem não surtarem?
- Se ele fala assim, é porque algo sério aconteceu. - Atena comenta e fica me olhando.
- Conheci uma garota hoje e aconteceu. - eu me sento no sofá contrário ao de Atena. Ela e meu pai se olham confusos.
- Aconteceu o que? Se beijaram, trocaram olhares, combinaram de sair... - Atena começa a especular com as mãos. - Foram para a cama? - ela sorri.
- Atena!
- Seu filho já é um homem, toda possibilidade é válida. - ela dá de ombros.
- Aconteceu o Imprinting. - o silêncio reinou na sala por alguns segundos. Ergo meu olhar para olhar para eles, estavam parados olhando um para o outro. - Falem alguma coisa.
- Isso merece uma comemoração. - Atena fala animada. - E precisamos arrumar esse seu "visual". Precisamos contar para a Alice. - ela nem me da tempo de responder e sai correndo para algum lugar.
- Não sei que tanta animação pra uma coisa que é normal na nossa tribo.
- Você sabe porque a animação. - meu pai se senta no sofá em que Atena estava. - Vimos você sofrer tempo demais por uma pessoa que não merecia. E isso não começou só depois do casamento. Você esteve tempo demais ao lado dela e ela simplesmente te descartou depois. O Imprinting é uma chance de você recomeçar as coisas novamente. É por isso que estamos felizes por isso. - antes que eu pudesse responder, gritos estéricos são ouvidos.
- Ouvi dizer que alguém precisa dos meus serviços. - Alice chega pulando na sala.
- Pode ser, mas não aqui. - eu respondo e ela revira os olhos.
- A garota nunca vai olhar para você se continuar desse jeito, nem parece que tem casa. Garanto que ela ficou com medo.
- Ela não ficou com medo, ela ficou normal.
- Na sua frente. Vamos lá, bora pro quarto. Vamos começar cortando esse cabelo horroroso. - antes que eu protestasse as duas já estavam me puxando pelas mãos e me levando para o quarto. - Você vai ficar um espetáculo.
Lisa Follen
Mais uma vez eu estava vagando pelas ruas de uma cidade qualquer, essa era a minha vida já faz muito tempo. Eu estou sozinhas já faz algum tempo, e eu sempre preferi não criar raízes em lugar algum. Sempre em algum momento determinado as pessoas sempre vão embora, então prefiro eu mesma fazer isso antes. Não fico mais de 2 meses em um lugar só. Sempre arrumo um emprego temporário junto um dinheiro e depois saio sem rumo. Nem sempre isso pode ser visto como algo negativo. Por conta dessa vida, conheci muitos lugares e pessoas diferentes, algumas até me convidaram para ficar, mas achei melhor não.
Hoje era mais uma das minhas caminhadas sem rumo, só pararia quando chegasse a um hotel qualquer. Infelizmente hoje o clima não estava ao meu favor, uma chuva forte logo iria chegar e eu estava praticamente no meio do nada. Uma breve garoa começou e isso foi o suficiente para eu começar a acelerar os passos. Eu amo o clima chuvoso, me traz a sensação de aconchego, mas na situação que estou, não estava me favorecendo.
Alguns minutos depois ouço o barulho de um carro se aproximando, o que era estranho. Em todo esse tempo de caminhada, eu não havia visto nenhum carro passar por aqui. Ele se aproximava cada vez mais e ouvi que sua velocidade estava diminuindo. Fiquei com o pé atrás de aceitar a carona, mas o que mais poderia acontecer de r**m na minha vida? Ele não parecia ser uma pessoa r**m, e sim, gentil e educado. Não vou mentir e dizer que não me senti atraída por ele, seu rosto e seus músculos chamaram a minha atenção.
Eu tinha meus motivos para ter medo das pessoas, mas a sensação de ficar ao seu lado, me passava um sentimento de paz. Como se eu realmente pudesse confiar nele, que ele jamais teria a intenção de me fazer algum m*l. Ele ter aceitado subir até o quarto de hotel comigo me provou isso. Dava para ver que ele estava nervoso em estar comigo, e ele tentando disfarçar, fazia eu me sentir mais a vontade.
Assim que ele foi embora, uma espécie de vazio me consumiu, e isso não era bom. Eu já havia conhecido tantas pessoas legais e amáveis, mas nunca parei minha vida por causa delas, e não seria agora que eu deveria fazer isso, mas nenhuma daquelas pessoas me trouxeram a sensação de estar em "casa". Balanço a cabeça afim de afastar esses pensamentos, já andei demais para parar aqui. Eu não podia me deixar levar por um rosto bonito e uma atitude gentil... E por ele ser tão conhecido como me disse ser, é porque deve ser uma pessoa boa e gentil com todos.
Ele ir embora e não ter pedido meu número ou nenhum outro meio de contato, me levou um pouco de esperanças de vê-lo novamente. Eu não iria atrás dele ou de notícias, ou pelo menos é isso o que eu quero. Simplesmente ir embora sem ver ele novamente, mas fazer isso, parecia errado, é até então, eu tinha uma aposta com ele. Um sorriso bobo aparece no meu rosto, o jeito que ele me olhava me deixou sem jeito, mas de uma forma boa. Meu coração dizia para ir atrás dele e saber por notícias, mas a minha razão, me dizia que eu já havia levado tudo isso longe demais. Só o fato de eu estar cogitando ir atrás, já era um sinal de fraqueza.
Não posso simplesmente parar tudo por um cara que foi apenas gentil comigo, uma pessoa que eu só sei o nome e nada mais. E esse "nada mais" era um problema, porque eu estava louca para descobrir mais.