Eu acordei com o cheiro de café e com uma dor no peito que parecia ter passado a noite inteira acordada no meu lugar. O quarto ainda tava meio escuro, a cortina deixando entrar só um risco de luz, e por um segundo eu não lembrava onde eu tava. Aí eu vi a aliança no meu dedo e lembrei de tudo de uma vez: a página, a mentira, o Victor indo embora com raiva, o meu nome virando assunto de gente que não me conhece. Meu estômago revirou. Eu sentei devagar na cama, tentando respirar direito, como se respirar fosse escolha. Meus olhos ardiam, não sei se de ter chorado ou de ter segurado choro demais. Eu ouvi barulho na cozinha, panela batendo, a voz da Dona Tereza falando com alguém no corredor e eu senti vergonha. Vergonha de que até ali eu tinha trazido caos. Eu levantei com o corpo pesado,

