Eu subi pro quarto como quem sobe pro próprio julgamento. Cada degrau parecia mais pesado do que o outro, e eu não sabia se o peso vinha do que eu ia fazer ou do que eu ia deixar. A casa tava num silêncio estranho, daqueles que não são paz, são respeito. Como se até as paredes soubessem que eu tava prestes a arrancar um pedaço de mim e colocar numa mala. Quando eu fechei a porta do quarto, a primeira coisa que eu vi foi a minha mochila jogada no canto, do jeito que eu larguei ontem, como se eu tivesse entrado ali só pra sobreviver e não pra viver. E, por um segundo, eu quis ser pequena. Quis me encolher na cama, puxar o lençol, esperar o mundo desistir de me caçar. Mas o mundo não desiste. Eu abri o armário, puxei minha mala e coloquei em cima da cama. O som do zíper abrindo foi alto d

