Ele ficou me encarando por uns segundos longos. E eu vi a luta dentro dele: o homem que ama querendo puxar, o homem que se sente ferido querendo se afastar. Eu dei um passo pro lado, abrindo espaço. — Entra. Por favor. Victor entrou, fechou a porta atrás de si com cuidado demais pra alguém como ele. E esse cuidado me quebrou um pouco, porque mostrava o quanto ele tava se segurando. Ele ficou de pé no meio do quarto, olhando ao redor, como se hotel fosse território estranho. Eu fiquei encostada na parede, com medo de encostar nele rápido demais e ele interpretar errado. O silêncio entre nós era pesado. Eu fui até a cama, peguei a caixinha e voltei devagar. Estendi na direção dele, como quem oferece prova. — Eu guardei. — eu disse, e minha voz falhou. Victor olhou pra caixinha. Depoi

