Eu tava na sala, sentada num sofá que era mais caro do que qualquer coisa que eu já toquei no morro, fingindo que assistia uma apresentação de "reposicionamento de imagem" no tablet. A voz do marketing vinha de longe, como ruído. Eu respondia com a cabeça, no automático. Por dentro, eu só contava o tempo entre uma onda de enjoo e outra. Eu tava ficando boa em parecer normal. Boa demais. Foi por isso que eu senti quando ela entrou antes mesmo de ouvir os passos. Minha mãe tem um jeito de ocupar o ambiente que não precisa de barulho. Ela chega e parece que a casa inteira se alinha, como se tudo tivesse que estar à altura dela. — Ayla. — ela falou meu nome como se eu fosse uma pasta em cima da mesa. — Os seus exames. Meu estômago afundou. Eu não mexi a cara. Não levantei a sobrancelha.

