Eu tava no meu quarto quando o retorno chegou. Não foi com fogos, nem com vitória bonita. Foi com o meu celular vibrando em cima da cama, com um número desconhecido, e meu corpo reagindo como se fosse ameaça. Porque, nas últimas semanas, tudo que tocava meu mundo vinha com dente. Eu esperei um segundo, só pra ouvir se tinha passos no corredor. Nada. Abri a porta só uma fresta. Silêncio. Voltei, fechei de novo e atendi com a voz baixa, controlada. — Alô. — Mademoiselle Ayla? Aqui é o Maître Lefèvre. Podemos falar agora? — a voz dele era firme, objetiva, daquele tipo que não entra no drama, mas também não foge do peso. Eu encostei as costas na porta, como se isso me segurasse de pé. — Podemos. Estou sozinha. — Ótimo. Vou ser direto. Temos boas notícias. — ele disse. — Primeiro: o cons

