79. Ayla

1312 Palavras

Eu fui ao médico como quem vai cometer um crime. Não no sentido de culpa, no sentido de segredo. No sentido de precisar atravessar um lugar cheio de gente fingindo normalidade enquanto, por dentro, eu tava segurando uma bomba com as duas mãos. Minha assistente escolheu o lugar exatamente por isso: um consultório dentro de um shopping. Discreto. Anônimo. Daqueles prédios comerciais enfiados entre loja de perfume e cafeteria, onde ninguém te olha duas vezes porque todo mundo tá ocupado demais comprando alguma coisa ou fingindo que não tá perdido. Ela me buscou no horário combinado, sem alarde. Eu fui com óculos escuros, cabelo preso, casaco fechado até o pescoço, como se eu estivesse voltando a ser sombra. E, por um segundo c***l, eu pensei: eu fugi pra ser ninguém... e agora eu tô tentan

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR