A urgência veio num tom que eu reconheço como perigo. Eu tava no quarto, com a luz baixa, fingindo ler um e-mail de briefing enquanto minha cabeça não parava de fazer contas e estratégias, quando bateram na porta duas vezes, não as batidas educadas de sempre. Batidas curtas, nervosas. — Ayla? — a voz da minha assistente atravessou a madeira, baixa. — Preciso que você venha aqui. Agora. É urgente. Meu estômago apertou. Na mesma hora, meu corpo entrou naquele modo automático: o que vazou? O que descobriram? O que minha mãe decidiu? Eu peguei o casaco e fui, sentindo o coração batendo no pescoço. No corredor, tudo parecia normal demais. Limpo demais. Silencioso demais. Essa casa sempre parece que não acontece nada dentro dela... até acontecer tudo. Ela me esperava na salinha menor, a mes

