Eu levantei dizendo que ia "só ali". Só comprar uma água de coco, alguma coisa gelada, talvez um biscoito. Uma desculpa boba pra esticar as pernas e também pra testar essa sensação estranha no meu corpo, como se o mundo tivesse dedos demais apontados pra mim. Victor ficou na toalha, óculos escuros, postura relaxada de mentira. — Não vai sumir, hein. — ele falou, naquele tom meio brincadeira, meio sério. Eu sorri. — Eu vou só comprar uma coisa. — Vai lá. — ele respondeu. — Tô te vendo daqui. Eu caminhei até o quiosque mais perto com o vento batendo no meu rosto e a areia grudando no meu tornozelo. Na minha cabeça, eu tentava manter tudo simples: "compra, volta, senta, toma sol, vive". Era ridículo como eu precisava narrar a própria vida pra me convencer. No balcão, pedi duas águas d

