A tarde foi escorrendo devagar, como se o sol também tivesse preguiça de ir embora. Depois do episódio dos cartões, eu tentei voltar pro "normal" na toalha, pro mate gelado, pra areia grudando na pele. E até consegui por alguns minutos. Victor ficou mais atento do que antes, mas sem me sufocar. Ele falava besteira, fazia eu rir, apontava uma criança fazendo castelo e dizia que era "engenharia de futuro", reclamava do vendedor que passou três vezes oferecendo a mesma coisa, e tudo isso era um jeito dele me dizer sem dizer: tô aqui. Não vou deixar tua cabeça te engolir. Mas eu sentia uma coisa latejando por baixo. Não era só a raiva da minha mãe. Era o susto de perceber que eu não tava realmente "fora do alcance". E isso mexia com meu corpo, com a confiança, com o chão. Quando o sol com

