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2185 Palavras
Em Moscovo, m*l o jato aterrou, a notícia de que Mikhail Reznikov estava lá, se espalhou como vento entre aqueles que conheciam a dimensão do poder que ele possuía. A aura assustadora que ele transmitia havia triplicado e os homens que os vieram receber, não ousavam fazer um movimento sequer que pudesse ofender ou irritar o homem, foi assim durante todo o caminho para a mansão Reznikov. – Mikhaaaaaaaa_ Ekaterina Reznikov, correu para abraçar o irmão mais velho, m*l viu ele descer do carro_ eu senti sua falta_ ela confessou em russo. – Eu também senti sua falta Kati_ ele falou bagunçando o cabelo da mais nova. – Senhor Mikhail, seja bem vindo_ a governanta da família chegou respeitosamente até ele e o cumprimentou. – Obrigado_ ele respondeu e seguiu para o interior da casa, junto de sua irmã. – Senhor Mikhail, bem-vindo, seu irmão o espera no escritório_ Yakov, o braço direito de seu irmão mais velho, falou após encontrá-lo na sala. – Ok_ assentiu e seguiu Yakov em direção ao escritório de Nikolai. A casa permanecia do mesmo jeito que a 7 meses atrás quando viajou para Londres, os corredores carregados de mistérios e segredos eram extensos, mas finalmente deram lugar a porta de madeira escurecida, onde Nikolai costumava passar seu tempo. Yakov abriu a porta e deu espaço para Mikhail passar, na sala estavam Nikolai e seu braço direito, Andrei Morozov. – Mikhail_ Nikolai sorriu ao ver seu irmão. Mikhail, é o tipo de homem que impõe respeito antes mesmo de dizer uma palavra. Com 1,90m de altura, seus ombros largos e postura ereta carregam a autoridade de quem nasceu para liderar, seus traços são marcantes: maxilar definido, barba bem aparada e olhos cinzentos que parecem analisar tudo ao redor com frieza calculada, mas que às vezes suavizam quando pousam em Anancy. Seu cabelo é castanho-escuro, levemente ondulado nas pontas, geralmente penteado para trás de forma impecável, a pele clara contrasta com o terno escuro que quase sempre usa, feito sob medida para seu porte atlético. Mikhail se move com elegância, mas há algo em sua presença que lembra um predador silencioso, poder contido sob controle absoluto. Cada detalhe nele, desde o relógio caro no pulso até o modo como ajusta o paletó, mostra que é um homem acostumado ao comando, e ao perigo, já Nikolai Reznikov é o retrato de um império construído com sangue, disciplina e caos, o mais velho dos irmãos Reznikov, carrega no corpo e no olhar o peso da liderança da Bratva. Assim como Mikhail, é alto, forte e de presença imponente, mas onde Mikhail é precisão e controle, Nikolai é intensidade bruta. Seus cabelos são mais claros, quase castanho-acinzentado, e seus olhos, também cinzentos, têm um brilho quase insano, como se vivessem em constante conflito entre genialidade estratégica e impulsividade violenta. A barba é mais espessa, o semblante quase sempre sério, carregando uma tensão natural, como se estivesse sempre à beira de uma explosão. Nikolai não fala muito, mas quando o faz, sua voz é grave e ameaçadora, com um sotaque russo mais carregado que o de Mikhail. Suas roupas são de luxo, mas sua maneira de usá-las é mais desleixada, como se não precisasse provar nada a ninguém, e não precisa. Sua reputação o precede como o tipo de homem que não hesita em agir, seja para proteger, punir ou destruir. Apesar de liderar a Bratva, muitos o temem menos do que a seu irmão, porque Mikhail, com seu silêncio e frieza, representa o tipo de perigo que você não vê chegar, já Nikolai é o trovão antes da tempestade. – Me chamou porquê?_ Mikhail perguntou sem rodeios, ainda parado a uns metros da porta. – Não têm nem um, "oi irmão, senti sua falta, você está bonitão"_ Niko debochou diante da impaciência de seu irmão. Em resposta, o mais novo apenas permaneceu com aquele olhar de impaciência. – Pelos vistos alguém não gostou de te ver_ Andrei falou rindo da cara do mais novo. – Afinal o que é que tem lá na Europa que te faz não querer voltar para casa?_ Niko pergunta provocativo. – Você sabe que ainda estamos na Europa, não sabe?_ Mikhail fala revirando os olhos. – Não respondeu minha pergunta Mikha_ os braços do mais velho se cruzaram e os olhos dos dois homens se viraram para o mais novo. – É por isso que eu te adoro mulher_ a voz abafada de Roman foi escutada, e não demorou nem um segundo, a porta foi aberta_ família_ o mais novo dos Morozov falou com a costumeira animação que costuma carregar, mesmo em ambientes impróprios para tal_ Mikhail_ ele olhou para seu melhor amigo e naquele instante fizeram um toque. Mikhail aliviado por não ter de responder a questão se sentou em uma das cadeiras livres e mais relaxado, olhou novamente para a dupla mais velha. – Tá fazendo o quê aqui?_ Andrei olhou seriamente para Roman enquanto este se sentava na outra cadeira vaga. – Vai começar a implicância?_ Roman debochou. – A sério, me chamaram com urgência para nada?_ Mikhail perguntou interrompendo a típica implicância dos dois irmãos. – Preciso que você resolva um problema, é por isso que te chamei_ Niko pegou em sua gaveta uma pasta de documentos e a colocou na mesa_ você é bom nessas coisas de negociação, melhor que seja você_ afastou os documentos né direção do mais novo, que não foi pegar a pasta. – Podia ter falado isso antes, não vi a necessidade de tanto mistério_ cruzou os braços indignado, por seu irmão mais velho ter feito tanto mistério quando ele perguntou o motivo daquele pedido urgente para ele viajar. – Teria vindo tão rápido assim se eu tivesse te dito?_ a sobrancelha do mais velho se arqueou. – Provavelmente_ a resposta veio com um dar de ombros. – O que quer que tenha em Londres, deve ser muito bom pra você não querer voltar hein_ Andrei provocou. – Tem paz em Londres_ Mikhail balbuciou entediado. – Ou mulheres_ Roman brincou, e recebeu um olhar mortífero da parte de Mikhail_ calma aí, estou brincando, todo mundo sabe que Mikhail Reznikov não gosta de mulheres_ ele tenta se defender, mas sua frase faz com que agora Niko e Andrei também o encarassem confusos com tal frase_ não estou falando que ele é gay, só que ele não se interessa por nenhuma mulher e..._ tenta se redimir mas prefere se calar ao perceber que Mikhail ainda olhava de forma mortífera para ele. – Melhor ficar quietinho mesmo_ Mikhail se levantou e pegou a pasta de documentos na mesa. – Vamos dar uma festa para você essa noite, vai estar cheio de mulheres pra você provar que não é gay_ Niko avisou seu irmão, enquanto ele caminhava em direção a porta. – Passo, eu não preciso provar nada a ninguém_ respondeu desinteressado e saiu do escritório. Deu alguns passou no corredor e ouviu a porta se fechar atrás de si, não se virando para ver quem é. – Desculpa aí irmão, as vezes eu tenho sérios problemas em me calar_ Roman falou andando do lado de Mikhail. – Eu sei, cresci com essa sua bocarra_ respondeu dando de ombros. Roman riu, sabia como seu amigo era e não se sentiu ofendido com aquela frase_ vamos fazer o quê?_ perguntou animado. – Quanto a você não sei, mas eu vou resolver o "problema" que me trouxe aqui_ respondeu seguindo para seu quarto. – Porquê tanta pressa? – Afinal não era um assunto urgente? Vou fazer com urgência obviamente. Roman olhou para Mikhail com desconfiança. – Está fugindo do quê? – Dessa vida, Londres me traz uma paz que aqui não encontro_ a resposta de Mikhail fez Roman ficar ainda mais curioso. – O quê que tem em Londres que você não pode encontrar aqui?_ os braços do loiro se cruzaram enquanto olhava para o amigo_ paz você pode ter aqui, afinal, ninguém mexe com você Mikhail, tem dinheiro, poder, sua família, tem tudo do melhor aqui irmão_ falou descruzando os braços e apontando ao seu redor. Mikhail que abria a porta de seu quarto, esboçou um pequeno sorriso e pensou numa resposta que nem louco ele diria em voz alta, mas que claramente era um ponto forte que Londres tinha a seu favor: Londres tinha Anancy Williams e Rússia não. – Você pode até ter razão, Roman_ adentrou o quarto e o amigo veio logo atrás_ mas séria difícil de te explicar o tanto que Londres consegue ser espetacular_ ele sorriu ao lembrar do quanto aquela Londrina atrevida era incrível e mexia com sua mente toda vez que a ocupava. – Tá bom!_ Roman se deu por vencido naquele momento_ me encontre em 20 minutos na cozinha, temos muita coisa por resolver hoje, não demora. – Que coisas são essas?_ Mikhail arqueou a sobrancelha. – Você verá meu amigo_ o outro respondeu todo feliz. – Era só o que me faltava_ Mikhail revirou os olhos enquanto o amigo saía, e então foi olhar os documentos que levou da mesa de seu irmão. ••• Quando a noite chegou, Niko ligou para Mikhail e pediu que ele fosse ter a boate dele para um assunto importante, Mikhail estava com preguiça mas ainda assim foi, afinal, não queria que a culpa de alguma tragédia recaísse sobre si. Quando lá chegou, a música alta preenchia o ambiente, os corpos suados rebolavam de um lado para o outro, e aquilo deixava Mikhail ligeiramente enojado, não aguentava com aquele todo suor aglomerado, pessoas se tocando desnecessariamente, animação excessiva, argh, para ele contato humano tinha que ser o menor possível. – Vejam se não é o Mikhail_ Boris gritou perto de Mikhail, fazendo ele revirar os olhos_ tá fazendo o quê aqui Mulekes?_ perguntou com deboche. Mikhail decidiu ignorar, era só mais um dos "amigos" idiotas de seu irmão mais velho, não deixaria que ele o irritasse. – Deixa ele em paz Boris_ Alexei mandou após dar uma tragada em seu cigarro_ vamos lá, seu irmão está lá em cima_ chamou por Mikhail e foi na frente, em direção donde os camarotes ficavam. Mikhail seguiu em silêncio até chegar ao camarote principal, quando Alexei abriu a porta, deixou Mikhail entrar e então trancou a porta pelo lado de fora, as luzes se acenderam e naquele espaço estavam um monte de mulheres em biquíni, sensualizando. – Oi gatinho_ uma delas tentou se aproximar, mas parou ao ver a mão levantada do moreno. – Se alguma de vocês tocar em mim, com certeza será a última coisa em que tocará, estamos entendidos?_ ameaçou de forma fria. – Mas, nos contrataram para lhe dar prazer_ a mesma mulher retrucou respeitosamente. – Eu não me importo, só não cheguem perto_ se virou na direção da porta e pegou seu celular, onde discou rapidamente o número de seu homem de confiança. – Sim senhor?_ Dmitri atendeu rapidamente. – Vem me tirar do camarote número 1_ mandou impaciente. – É pra já. Impaciente Mikhail ficou batendo o pé no chão, tentando conter sua irritação crescente pela armadilha montada contra ele e se preparando pra arrancar o couro a alguém. Passaram cerca de 15 minutos e a porta se abriu, Dmitri olhou para seu chefe e entendeu o motivo da irritação dele, quis rir imaginando como o chefe iria tratar do cara que trancou ele ali, mas não se atreveu a tal já que prezava por sua vida e não era o momento de irritar Mikhail. Desceram as escadas apressadamente, Mikhail estava fervendo em irritação e quando se aproximou dos amigos de Nikolai, só se percebeu a surpresa depois do soco que Alexei recebeu. – Você está maluco?_ Borges se levantou irritado tentando partir pra cima de Mikhail, mas recuou ao ver aquele olhar sanguinário que o mais novo dos Reznikov tinha. – Não gosta de mulher Mikhail?_ Alexei provocou enquanto se recuperava do soco. – Nunca mais me tranque onde quer que seja_ ameaçou friamente. – Ou o quê, Mikhail? Vai fazer o quê?_ Alexei se levantou e pegou sua arma, apontando para o mais novo. Dmitri se moveu em direção ao i****a para desarmá-lo, mas Mikhail o deteve. Ele se aproximou desafiante da arma, mas Alexei não atirou, ele não tinha intensão de matar Mikhail apenas assustá-lo, uma pena que não deu certo. – Se você for sacar uma arma..._ Mikhail estendeu a mão e segurou a arma que antes estava apontada para si, apenas para apontar na direção do próprio Alexei_ tenha certeza de que não vai amarelar no fim_ e puxou o gatilho, dando um tiro a queima roupa no ombro de Alexei_ da próxima vez, será bem no meio do seu crânio_ ameaçou. Ninguém se moveu ou disse uma palavra sequer, os olhares de espanto e medo preencheram o ambiente, a tensão se acumulando fez alguns automaticamente susterem a respiração e quando Mikhail se virou e entregou a arma para Dmitri, todos voltaram a se mover para tentar ajudar Alexei que sangrava segurando o ombro, enquanto Mikhail saiu da boate tão pleno quanto entrou, deixando para trás, pessoas a beira do caos.
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