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2097 Palavras
1 mês depois. As últimas semanas haviam sido corridas, Anancy trabalhava incansavelmente no seu projeto e quando não estava fazendo isso, estava trabalhando em outros contratos, analisando novas propostas, se preocupando em fazer sua parte na responsabilidade social, sendo presente na família e mil outras coisas. Inclusive, no momento ela trabalhava num dos projetos que tinha de finalizar até sexta-feira, ainda tinha tempo, mas preferia corrigir os erros naquele momento do que deixar para depois. Batidas soaram na porta, a tirando de seu trabalho. – Entre_ ela falou olhando na direção da porta e viu Célia entrar. – O Sr. Reznikov está aqui e perguntou se pode recebê-lo. Os olhos de Anancy se arregalaram ao ouvir aquilo. – Mikhail Reznikov?_ perguntou meio surpresa, fazia um mês que não se viam pessoalmente, um mês que ele fazia "declarações" para ela e que haviam tido aquela noite maluca. Como ela iria encará-lo agora? Queria entrar em pânico mas não podia, tinha mesmo era que se controlar. – Sim, é o senhor Mikhail_ Célia respondeu sem perceber alteração alguma em sua chefe. – Pode deixá-lo entrar_ ela permitiu, fingindo indiferença e então Célia saiu. Se passou 1 minuto e a porta foi novamente aberta, Anancy limpou a mão suada e alisou sua saia midi godê preta, enquanto a figura imponente de Mikhail Reznikov adentrava a sala. Mikhail estava, como sempre, um pecado ambulante, o terno preto caía nele como se tivesse sido moldado direto no corpo e talvez tivesse mesmo, porque aquele corte ajustado nos ombros largos e no peitoral definido fazia qualquer tentativa de concentração dela ir por água abaixo. A camisa branca por baixo estava impecável, aberta o suficiente no colarinho pra deixar visível um pedaço do pescoço dele… o que, sinceramente, já era s*******m. A gravata escura dava um charme a mais, mas o que realmente chamava atenção era o jeito que ele andava com aquela roupa, como se soubesse que comandava qualquer sala em que entrasse. E o perfume… ah, o perfume, amadeirado, intenso, com um toque frio que lembrava exatamente quem ele era: uma ameaça disfarçada de elegância. Ele podia não dizer uma palavra, mas o olhar fazia mais do que mil discursos. E ali, diante dela, naquele terno de mafioso elegante, Mikhail Reznikov era a tentação feita homem e sua perdição. – Williams_ ele disse com um leve sorriso no canto dos lábios, como se a palavra carregasse lembranças que só os dois conheciam. Ao ouvir, o corpo de Anancy reagiu antes mesmo dela perceber. Um arrepio sutil percorreu sua nuca, seu coração deu uma leve acelerada e os olhos, mesmo tentando manter a firmeza, o acompanharam com atenção, absorvendo cada detalhe dele como se fosse a primeira vez. Um mês sem vê-lo e, ainda assim, bastou uma palavra na voz dele para todo o controle emocional dela começar a vacilar. – Reznikov, sente-se_ apontou para a cadeira do outro lado da mesa_ a quanto tempo, a que devo a honra?_ Anancy sorriu enquanto Célia fechava a porta atrás de si. – Eu precisava te ver, sabe, alguns assuntos não se resolvem à distância e também, ficar longe de você começou a incomodar mais do que deveria_ sua expressão serena denunciava que ele não estava sendo sarcástico ou zombando. – E você veio... não sei se fico feliz ou preocupada, nunca imaginei ver o Sr. 'nada me abala' admitindo que sentiu minha falta_ ela cruzou as mãos sob a mesa. – E o que posso eu fazer, se você inevitavelmente ocupa minha mente na maior parte do tempo? Devo simplesmente ignorar?_ arqueia a sobrancelha. – Não posso ser eu a mandar nos seus desejos, mas será que esse ocupar não é só porquê você não tem total controle da situação e não é sempre que as pessoas te desobedecem? – Talvez_ ele deu a volta a mesa e parou do lado dela, ela virou o rosto para encará-lo mas, ele virou toda a cadeira em sua direção e apoiou as mãos nos dois apoios de braço da cadeira dela, se inclinando um pouco sobre ela e ficando a centímetros de distância um do outro_ mas talvez seja só você_ a voz baixa e rouca fez ela se arrepiar inteirinha. Os olhos focados um no outro, os perfumes se misturando no ar, aquela tensão quase palpável, parecia que a sala se tornara uma zona de guerra, onde o mínimo movimento poderia causar grandes consequências e nenhum deles pretendia perder aquela batalha silenciosa que seus olhares travavam. – Então admite que isso tudo é só porque você não pode me controlar?_ Anancy questionou, sem desviar o olhar e com a voz mais baixa do que realmente gostaria. Um sorriso de canto brincou nos lábios de Mikhail. – Eu não quero te controlar Detka_ retrucou lentamente_ possessivo sim, mas controlador? Nunca, é exatamente por você ser incontrolável que mexe comigo_ seu olhar dançou entre manter o contato visual e analisar aqueles lábios tão chamativos. Sentindo como se estivesse a beira de um colapso, Anancy desviou o olhar cortando o contacto visual entre eles, mas Mikhail não permitiu que um minuto passasse e segurando seu queixo, fez com que ela voltasse a olhar para ele. – Você..._ e ele a calou com um beijo. Quando seus lábios finalmente se encontraram, o mundo pareceu ficar em silêncio. Foi um beijo quente, profundo e intenso, cheio de tensão acumulada, de provocações engolidas, de noites em claro e desejos não saciados. A boca de Mikhail tomava a dela com fome contida, provocando cada reação como se soubesse exatamente o que fazia. Anancy entreabriu os lábios em resposta, sentindo-se ser puxada para um abismo delicioso do qual não queria escapar. Suas mãos seguraram a borda da cadeira, como se fosse a única coisa que a mantivesse no controle e ele soubesse disso. Foi um beijo que dizia “eu esperei por isso” e, ao mesmo tempo, “isso ainda não é o bastante". E não parou por aí. Em segundos, virou um embate de desejo contido e saudade transbordando, Anancy levou as mãos ao peito de Mikhail, apertando o tecido da camisa como se quisesse senti-lo mais perto, mais real. Ele, por sua vez, deixou a mão escorregar da nuca até a cintura dela, puxando-a com força contra si, fazendo a cadeira girar levemente com o impacto dela deixando a cadeira. O beijo se tornou voraz, urgente, como se ambos tivessem passado tempo demais se segurando, os corpos colados, os suspiros entrecortados, as mãos explorando com desespero e cuidado ao mesmo tempo. Mas então, como se uma gota de lucidez tivesse caído sobre os dois, o ambiente ao redor voltou a pesar, a mesa entre eles, a porta fechada, a possibilidade de alguém entrar. Mikhail afastou os lábios com um suspiro pesado, ainda mantendo a testa colada à dela. Anancy mantinha os olhos fechados, respirando fundo, tentando recuperar o controle. – Esse definitivamente não é o lugar certo..._ ele murmurou, rouco. – Nem o momento..._ ela completou, com a voz trêmula e o coração batendo descompassado. Batidas soaram na porta e Anancy soube que era sua assistente. Mikhail caminhou até o outro lado da mesa e ela pôde finalmente dar a ordem para entrar. – Senhorita Anancy, o Sr. Osmond já chegou para a reunião_ Célia avisou, notando a tensão no ambiente. – Está bem, eu já o recebo_ ela assentiu e Célia se retirou. – Eu vou resolver meus negócios, foi bom te ver_ ele ajustou seu paletó, sem esconder o sorriso de satisfação em seu rosto. – Ah, e meu sapato?_ ela perguntou caminhando em direção a porta, pra poder receber o recém chegado, e por consequência foi para perto dele. – Não seria estranho se eu chegasse aqui com seu sapato em uma almofada?_ ele questionou pensativo. – E porquê você o traria em uma almofada?_ ela indagou confusa. – Não foi assim que devolveram o sapatinho de cristal para a Cinderela? Anancy acabou soltando uma risada divertida. – Primeiro, o príncipe não saiu por aí com o sapato, ele mandou um mensageiro procurar a dama à quem o sapatinho pertencia e encontrou ela na casa dela, e segundo, você não é o príncipe encantado e eu não sou a Cinderela_ falou óbvia. – Você quer que eu o devolva na sua casa?_ arqueou a sobrancelha, propositalmente ouvindo apenas o que queria. – Você não tem trabalho por fazer?_ ela cruzou os braços indignada. – Eu já estou indo_ levantou os braços em rendição e ela abriu a porta. Só que antes dela abrir a porta por completo, ele a impediu, puxando-a pra perto e dando um beijo em sua boca, fazendo quem estava do lado de fora não ver o que ocorria no interior, mas ainda assim o convidado notar a mão masculina que acabou parando na cintura de Anancy. – Agora sim, eu posso ir_ ele falou dando um último selinho nela_ até mais, Williams_ ele saiu na frente enquanto ela tentava fingir ficar indignada, mas seu rosto só conseguia esboçar um sorriso em resposta. No corredor, Mikhail caminhou em direção ao elevador e Anancy foi receber seu "convidado". Enquanto entrava no elevador e as portas se fechavam, Mikhail ainda teve a visão de Anancy, cumprimentando com um abraço o convidado. – Como você está?_ ela questionou Derick Osmond. – Muito bem e você? – Estou óptima_ ela sorriu cordial_ podemos seguir para a minha sala por favor_ apontou na direção da sala. – Primeiro as damas_ ele cede espaço para ela, e a deixa seguir em frente enquanto vem logo atrás. Anancy voltou a sentar em sua cadeira e ofereceu um lugar para Derick se sentar. – Bem, eu vim pela oferta que lhe fizemos semana passada, acerca de trabalhar conosco no desenvolvimento da tecnologia do nosso mais novo lançamento_ o ruivo falou ajeitando sua postura. – Eu e a minha equipe analisamos o contrato que nos forneceram e nos interessamos pelo projeto, porém, tem algo no contrato que não me agradou de todo_ o tom dela era sério. – Claro, me diga o que é e vejo se é algo que possamos entrar em acordo benéfico para ambas as partes_ ele falou demostrando interesse genuíno na preocupação dela. – A SilkenEdge não trabalha sob a alçada de nenhuma outra empresa, então, se formos a aceitar esse trabalho, teremos sociedade igualitária, visto que também estaremos envolvidos na produção dos carros_ propôs. – Humm, interessante_ ele sorriu impressionado_ eu ouvi dizer que você tinha jeito com negócios, mas não sabia que era tanto_ a analisou. – Bem, camarão que dorme a onda leva, não é?_ ela deu de ombros_ o mundo dos negócios pode ser bem c***l com quem não sabe negociar e defender o que quer_ argumentou. – Você me impressiona ainda mais a cada dia que passa_ confessa_ sua maturidade é notável, não parece a mesma garota com quem eu cresci_ riu. – Eu precisava crescer, não dava pra ser a mesma garotinha delinquente de sempre_ ela também acabou rindo. – Tem razão_ ele assentiu, ainda com o sorriso no rosto_ quanto às duas coisas, afinal, se vamos trabalhar juntos no projeto do carro, com certeza uma sociedade igualitária é o mais justo para ambas as partes_ ele cedeu. – Então isso é um, estamos de acordo com as condições?_ ela arqueou a sobrancelha e ele assentiu. – Estamos de acordo_ repetiu. – Óptimo_ sorriu satisfeita_ aqui tem uma cópia actualizada do contrato que vocês nos deram, podem analisá-la e quando estiverem prontos nos encontraremos para assiná-lo_ ela coloca sob a mesa uma pasta de documentos e ele a pega rapidamente. – Podemos jantar essa noite para assinar o contrato_ propôs. Anancy olhou meio surpresa para ele. – Não vão precisar de mais tempo para rever o contrato?_ questionou confusa. – Nossa equipe de advogados está apta para terminar isso até a hora do jantar_ foi vez dele dar de ombros_ então, o que me diz, the gilded oak 7PM?_ indagou esperançoso. – Tudo bem, está marcado então_ Anancy assentiu. – Então até mais logo_ ele se levantou. – Até mais_ ela o acompanhou até a porta e depois deixou Célia levá-lo até a saída. Uns momentos depois Célia adentrou a sala de Anancy carregando seu tablet. – Antes que eu me esqueça, fale com a Melissa, temos um jantar essa noite para assinar o contrato com a Osmond inc., logo, inclua isso também na minha agenda por favor_ Anancy avisou sua assistente. – Está bem, é para já_ ela começou a fazer anotações em seu tablet e Anancy foi ditando o que queria.
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