Capitulo 2

1690 Palavras
Capitulo 2 ****** Violeta Harvey - Acorda! Acorda Acorda!-ouço o berro e ponho sentada, desnorteada e confusa devido ao pesadelo que tive noite passada. Ah, que alívio. Foi só um pesadelo. Parecia...tão real. O alívio me inunda e olho para a cara de vômito da Molly e de suas amigas ridículas. Eu odiava ser acordada por elas. Afinal, o sino para todos estarem de pé ainda nem tinha soado. Pisco, forçando minha visão para se acostumar com a claridade da luz. Molly dá um passo para frente, com um dedo enrolado em uma mecha de cabelo loiro. - O que você está pensando? Por favor, me diga o que se passa nessa sua estúpida cabecinha. Por acaso acha que foi adotada por alguém para dormir até a hora que bem entender?-ela praticamente cuspiu as palavras. Não demorou muito até as outras meninas formarem uma roda ao nosso redor, como se fosse uma disputa em um ringue. Uma de suas amigas Gina, chega até nós e estala o dedo perto da minha cara, como se fosse para chamar minha atenção para o que ela está falando. - Minha querida Violeta-meu nariz torce diante de sua falsa e melosa voz. - Fique sabendo que você não foi, ok? Então trate de se levantar e ir ajudar as outras garotas na faxina.-como assim "as outras garotas na faxina"? Todas estavam nos espreitando, observando tudo. - Vai!-ela fez uma cara de nojo e gesticulou com as mãos para eu me levantar, e foi o que eu fiz. - Molly-tentei manter minha voz mais pacífica possível. - Fique você sabendo que ainda não está na hora de acordarmos. Por acaso você tem problemas de adiantamento nessa sua "estúpida cabecinha"? Vê se regula seu relógio, "querida".-fiz aspas no ar com os dedos e a imitei. Risinhos espalharam-se pelo nosso quarto e não consegui esconder meu divertimento. Ela olhou para todas com uma cara de quem está prestes a vomitar, e as meninas se calaram. - Não tenho nenhum problema. Teria se fosse órfã, como você.-aquele troço de ser humano sempre tinha que argumentar isso para se defender de qualquer situação. Ela sempre apelava para isso. Molly Davis. Ela era a garota mais terrível e orgulhosa do orfanato, talvez até do mundo. Achava que podia mandar em mim e nas outras garotas só porque era filha da horrenda da diretora. Argh". Convivi todos esses anos com sua cara mimada, e parece que eu nunca me acostumava. - Anda Violeta. Tá esperando o quê me olhando com essa cara de órfã sem dono?-é, eu costumava ignorar ou rebatia quando seus comentários maldosos tentavam me atingir. Mas dessa vez não consegui deixar pra lá. E, para ser franca, no momento não me importei com as futuras consequências, que eu sabia bem quais eram. Olhei para sua cara e ela quase sorriu, só não o fez porque levei minha mão em seu rosto, deixando visível as marcas. A mesma gemeu de dor e foi inevitável não aparecer as marcas que meus cinco dedos causaram em sua bochecha. Parece que o tempo parou nesse momento. Acho que ninguém estava respirando. Nenhuma pessoa em sã consciência enfrentava a Molly. Ela abriu a boca para falar, mas se calou novamente. Seus olhos marejaram e seu queixo começou a tremer. - Escuta sua i****a que se acha superior a todo mundo.-disparei já que ela não reagiu ao meu t**a. - Eu prefiro ser órfã do que ter o lixo de mãe que você tem! Sua filhinha da mamãe!-dei mais um passo a frente. Se ela achava que eu iria deixar essa passar, estava enganada. - Você nunca teve coragem pra nada. Sempre se escondeu embaixo da saia dela! Vai lá vai, vai contar pra ela que eu te dei um t**a. - Sua..sua órfã! Você vai me pagar!-ela recuou, apontando seu dedo na minha direção. Tive v*****e de fazê-la engasgar-se com ele. - Espero que a quantia não seja alta, porque eu não tenho dinheiro.-gargalhadas ecoaram por toda parte. Até suas aliadas que a estavam levando-a embora soltaram um risinho. Ela não aguentaria a possibilidade de ser motivo de piada, por isso me preparei para o furacão que viria. "Você tá bem?" Mulherzinha, que loucura" "Porquê você enfrentou ela?" "Que t**a, amiga".-as meninas disseram, felizes e apavoradas ao mesmo tempo. Como eu me sentia no momento. Logo após alguns minutos, a diretora adentrou o quarto, não disse uma palavra sequer e me arrastou pelos braços. Minhas colegas até tentaram ajudar, mas sabiam que se fossem longe demais, iriam me fazer companhia. Eu mesma, se estivesse no lugar de alguma delas não ajudaria. - Me larga, sua velha! Quem precisa de educação aqui é a sua Molly, não eu.-vi um monte de pares de olhos me olhando com pena enquanto ela me levava para o quartinho do castigo. - O que eu te falei sobre brigas? Sua delinquente! Quando vai aprender a lição, hein?-berrou puxando meu cabelo, mas dei um t**a em seu braço para que o soltasse. Em seguida jogou-me dentro do cômodo mais temível e afastado dos outros. - Delinquente é a sua filha, aquela d***a de ser humano!-gritei enquanto ela trancava a porta. - Fico aqui com orgulho!-tornei a dizer, quando escutei seus passos se afastando. Caramba Chutei a porta de madeira e nenhum sinal de quebrá-la. Suspiro e me sento encostada na mesma. Não era justo. Nunca foi. O que eu fiz de errado? Eu sei. Só que ela não podia. n******e! Levanto meu olhar até o teto e está completo de teias de aranha, e abafado também e cheira m*l. Ainda lembro perfeitamente do primeiro castigo que recebi. Eu ficava encarregada de lavar a louça só que, sem querer deixei um prato cair. Um prato! Desde então, ela pegou uma marcação comigo, porque qualquer coisinha que acontecesse aqui era o meu lugar. Muitas vezes não consegui dormir por causa do frio e do medo dos insetos. - Os tempos voltaram.-digo para o nada. ******* Sabe aquele momento em que você está quase dormindo e tem um espasmo? Foi exatamente isso que aconteceu. Um espasmo e depois um barulho alto e super estranho. O som parecia com o de alguma coisa se quebrando. Me coloquei de pé trêmula, e meus instintos não me enganaram. A porta de madeira velha do lugar em que eu me encontrava estava em estilhaços. Um pedaço de madeira bem próximo dos meus pés. Demorei anos para entender a situação. Quando raciocinei, ouvi minhas palavras saírem vacilantes e baixas. - T -tem alguém aí?-já era noite. O horário exato, eu não fazia ideia. Um vento gélido chocou-se contra minha pele e me arrepiei inteira. Cruzei os braços sobre o peito e fiz o possível para o meu queixo não tremer. Nenhuma resposta. Os únicos ruídos que chegavam aos meus ouvidos eram os causados pelo vento, que parecia cantar uma canção de ninar. Cinquenta por cento de mim queria acreditar que agora alguém queria me pregar uma peça, mas os outros cinquenta por cento não queria nem acreditar no que realmente era. Criei coragem e andei até a saída. Olhando para o lado direito, vi as luzes acesas e todas as pessoas do orfanato perturbadas, aliás, desesperadas era a definição certa, algumas chorando e gritando, outras paralisadas como estátuas. Isso era intrigante porque segundos atrás não escutei esses gritos. Caminhei rápido até o tumulto e quando cheguei mais perto avistei a diretora, que estava em total desespero. - Será que alguém pode me dizer o que aconteceu?-ninguém respondeu. À medida que avancei, muitos me olharam com indiferença e até medo. Empurrei quem não saía da frente, entrando no meio de todos, até ver a coisa mais horripilante e medonha da minha vida. Não é possível. Aquela era a Molly, tinha que ser ela! Seu corpo estava caído no chão, desacordado. Sua roupa de dormir fora arrancada, estava bem ao lado dela e seu corpo encontrava-se completamente nu. Seu pescoço estava dobrado para o lado, de um jeito bem esquisito. Aos poucos, seus lábios iam adquirindo uma cor acinzentada, e uma baba com sangue saía de sua boca. E não sei descrever o que era aquilo que saía de seu nariz. Esqueci de como se respira. De como é difícil respirar e expirar oxigênio. Meus músculos travaram e o coração parecia que ia sair pela boca. Meu cérebro e meu corpo não obedeciam as minhas ordens para sair correndo dali, para fugir e não olhar para trás. Só parar de correr quando perdesse as forças dos movimentos das pernas. - Você.-disse a diretora com um soluço escapando de seus lábios. - Não!-exclamei sem acreditar no que ela estava pensando. - Foi você quem matou a minha filha!-a diretora gritou e avançou para cima de mim. Ela só podia estar louca. Velha louca. - Como pode pensar que eu fiz isso com a Molly? Eu não sou assassina, estava naquele quarto sujo que a senhora me trancou.-expirei o ar e vi a fumaça saindo. - E como saiu de lá?-indagou. Seus olhos estavam em chamas. - Eu não sei. Alguém arrombou a porta, por isso eu saí! - n******e ter sido outra pessoa a não ser você. Hoje mesmo brigou com ela e a mesma me disse que você a ameaçou.-o vento rungiu sob meus ouvidos. Ameaça? - Eu não ameacei ninguém. E não fiz isso com ela. Eu juro! Por favor, acredite!-minhas palavras falharam. - Meninas, vocês presenciaram o que aconteceu hoje, contem a ela.-falei para elas. Não tinha coerência tudo isso que estava acontecendo. Não havia nenhuma possibilidade de aquilo ter sido feito por mim. Mas mesmo assim a diretora não acreditou. Ela nem mesmo quis ouvir o que realmente tinha acontecido. Alguns tentaram segurá-la, só que ela foi mais ágil e muito mais forte. Ela me deu um t**a e tentou dar outro, porém me desvencilhei e a empurrei fazendo-a cair sentada. Até que seria engraçado se a filha dela não tivesse morrido e um possível assassino não estivesse bem próximo. - Tirem essa menina de perto de mim!-gritou. Seus olhos inchados de tanto chorar teriam me causado pena, se eu não sentisse tanto nojo.
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