Pré-visualização gratuita Capitulo 1
Capitulo 1
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Violeta Harvey
Desperto-me de um sono conturbado com um calor intenso e uma falta de fôlego impiedosa. Ainda estava no meio da noite e uma pontada de decepção pelo o dia não ter amanhecido apoderou-se de mim.
O que eu podia fazer? A noite me dava calafrios.
Ultimamente, eu vinha sentindo coisas estranhas que decidi simplesmente ignorá-las. O que só era fácil fazer só durante o dia. Ergui o olhar e vi que o relógio antigo coberto de poeira na parede, com algumas teias de aranha ao seu redor, estava marcando 00:00 em ponto. De novo aquele m*l estar, e dessa vez acompanhado de uma sede. Me levantei um pouco zonza e tentei chegar o mais rápido em direção a cozinha, antes que alguém me flagrasse e me denunciasse para a bruxa da diretora do orfanato.
Tomara que ninguém me veja rondando a essa hora da noite.
Com os dois pés fora do quarto à sensação de medo cresceu. Perguntei-me o porquê mentalmente e me senti uma boba.
Não havia o que temer. Nunca houve.
Eu já estava acostumada aquele lugar há séculos. Era apenas uma casa enorme que era dividida com outras pessoas. Minha casa desde de pequena.
Corredores e mais corredores, o orfanato parecia bem menos sinistro e horripilante durante o dia. À noite, quase ninguém saía de seus aposentos.
À medida que vou caminhando, avisto uma flor no chão. Uma flor. Sinto uma pontada de dor no estômago e minha respiração trava. Vou chegando mais perto, conseguindo observar que não era uma rosa qualquer, era uma..
violeta.
Tá legal. Isso não faz o menor sentido.
Não tinha violetas no jardim do orfanato nem nos seus arredores. Me abaixei e segurei a flor com as mãos trêmulas. Não faltava tanto para chegar a cozinha. Poucos passos mais adiante consigo avistar mais rosas. A única diferença é que dessa vez o chão parecia me engolir. As outras violetas estavam cheias de sangue, uma com uma pequena distância da outra, levando para a entrada da cozinha.
Em passos calculados e curtos, vou andando. A todo momento meu coração me diz para voltar, para o caso de eu não ter um infarto. Se aquilo fosse uma brincadeira de m*l gosto, eu iria, com toda certeza do mundo socar a cara de cada um que estivesse por trás dela.
Olho para outra violeta murcha no chão, e sinto uma leve pontada de vento atrás de mim, quase imperceptível. Por instinto, me viro rapidamente para ver o que é, não vendo nada além do caminho que tracei, silencioso e vazio. Quase parecido com uma cena de filme de terror.
Ouço uma risada maléfica e abafada. Isso com certeza é uma brincadeira de m*l gosto.
- Gente, se vocês estão tentando me causar um infarto, desistam. Falharam miseravelmente.-consigo soltar um risinho. Bando de idiotas.
Inesperadamente, apareceu uma pessoa na minha frente. Se é que aquilo era uma pessoa. Talvez eu estivesse alucinando. Ela era alta, estava usando roupas normais e uma máscara branca cobrindo o rosto, deixando os cabelos amostra.
Meus músculos congelaram. Não consegui me mover ou muito menos gritar por ajuda, se é que alguém me escutaria. A essa hora ele apenas escutava os batimentos descompassados do meu coração.
Em um modo bem lento, suas mãos foram até sua máscara e revelaram seu rosto. Caramba, considerei de novo a ideia de gritar, só que dessa vez. Ladrão! Ladrão! Mas aí pensei: Aqui não tem nada para roubar.
- Nada mudou desde a última vez que estive aqui.-ele deu uma conferida ao nosso redor. - Desde os azulejos gastos até as paredes manchadas de sujeira. Você lembra de mim?-ele perguntou, olhando no fundo dos meus olhos. Sua voz rouca, baixa e estarrecedora.
Pensei e pensei em quem poderia ser aquele cara. Um parente da bruxa daqui? Um homem solitário que vinhera adotar alguém?
Engoli em seco e me obriguei a ficar ali sem sair correndo:
- Não. Porquê, eu deveria?-Porquê não pensei duas vezes antes de falar a primeira coisa que veio à mente? O arrependimento bateu na hora e meus olhos lacrimejaram conforme vi seu rosto tornar-se uma ameaça. Minha saliva desceu rasgando pela garganta.
- Talvez, mas terei o enorme prazer em fazê-la lembrar.-tentei correr quando o vi vindo em minha direção, mas tropecei em meus próprios pés e caí. Ele colocou-me contra a parede e senti sua mão grande em meu pescoço. O cheiro de sangue entrou por minhas narinas e meu estômago revirou com aquela sensação.
Tentei chuta-lo e gritar, mas suas pernas de algum modo prenderam as minhas. Com sua mão livre, tapou minha boca, me imobilizando por completo.
- Não vai querer fazer isso.-até seu hálito tinha cheiro de sangue. Argh!
Balancei a cabeça para ele entender que eu não ia dizer nada. Soltei o ar quando me vi livre de sua mão.
- Me solta, agora!-vociferei. Nem reconheci meu tom de voz.
- Você não tem para onde correr.
- O que vai ganhar fazendo isso?-ousei perguntar. Seus olhos baixaram até o chão. Ele murmurou algo bem baixinho, que não deu para entender. Sua mão alcançou um bolso da calça e tirou de lá um pedaço de tecido. Ele o colocou em meu nariz, e então, um aroma forte entrou por minhas narinas. Foi tão ligeiro, tão de repente, que meus olhos pesaram tanto que não consegui impedir. Aquilo aquietou cada pulsação dentro de mim.