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Entre o Inferno e a Oração

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Sinopse

O Jacaré tem um dono. Mas ela tem o céu.

Arthur vulgo"General" não pede licença, ele dita o destino. Aos 28 anos, ele é a mente fria e o braço armado que comanda o morro. Após uma tragédia que deixou apenas cinzas onde havia um coração, ele baniu o amor e decretou guerra contra Deus. Para o General, o Criador é um carrasco que tira tudo de quem não merece. Ele não quer perdão, ele quer poder. Ele não quer paz, ele quer silêncio.Alana Valença, de 24 anos, é o oposto do caos. Ela é a sobrevivente de um inferno pessoal que muitos não suportariam, mas em vez de se tornar amarga, ela se tornou luz. Encontrou no refúgio da igreja a força para reconstruir sua dignidade. Ela é temente, inabalável em sua fé e não se curva diante de homens que se acham deuses, porque sua confiança está em algo muito maior.O encontro entre o fuzil e a oração era improvável, até o General cruzar o caminho da única mulher que não abaixa o olhar para ele. Alana não vê apenas o "dono do morro"; ela enxerga o homem quebrado que grita por socorro através do silêncio. E Arthur? Ele despreza a paz que ela emana, porque ela o faz lembrar de tudo o que o trauma o obrigou a esquecer.Um homem que trava uma guerra com o céu. Uma mulher que faz do céu o seu escudo.Dois passados marcados pela dor. Um encontro que pode ser a salvação ou a ruína final.Será que a oração de Alana conseguirá penetrar a blindagem de ódio do General? Ou o peso do pecado dele será grande demais para o mundo dela?

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PRÓLOGO
PRÓLOGO: O EVANGELHO SEGUNDO O GENERAL I. O Trono de Zinco e Sangue A fumaça do charuto cubano se misturava à neblina densa que engolia o cume do Morro do Jacaré. Arthur Garcia, o homem que o Rio de Janeiro aprendeu a chamar de General, estava sentado em uma poltrona de couro legítimo na varanda de seu bunker. Seus pés, calçados em botas militares impecáveis, descansavam sobre a mureta. Lá embaixo, o asfalto brilhava como uma serpente molhada, e as luzes da cidade pareciam estrelas distantes de um universo ao qual ele não pertencia mais. Arthur não era apenas o dono do morro. Ele era o seu deus particular. Um deus irado, silencioso e profundamente c***l. Aos 28 anos, seu rosto era uma escultura de gelo. O maxilar travado, os olhos castanhos que outrora brilharam com o riso da filha, agora eram poços de niilismo. Ele não acreditava em redenção, não acreditava em política e, acima de tudo, nutria um desprezo letal por qualquer coisa que cheirasse a religião. Para o General, o mundo era dividido entre os que apertam o gatilho e os que imploram pela vida. E ele nunca mais estaria no segundo grupo. — General? — A voz de "Rato", um de seus soldados de confiança, interrompeu o fluxo de pensamentos sombrios. O rapaz tremia. Ninguém chegava perto do General sem sentir o ar rarefeito. Arthur não se moveu. Apenas exalou a fumaça ruidosamente. — O carregamento de 7.62 chegou. Mas teve um problema na divisa... o motorista tentou dar uma de esperto — continuou o soldado, a voz falhando. Arthur finalmente virou a cabeça. O movimento foi lento, como o de um grande predador que decide se vale a pena gastar energia para matar uma mosca. — E o que você fez, Rato? — A voz de Arthur era um sussurro rouco, perigoso como o som de metal arrastando em pedra. — Eu... eu trouxe ele. Tá lá no "micro-ondas", esperando o senhor. Arthur levantou-se. A silhueta do General era imponente; ombros largos, postura de quem carrega o peso de um império e uma aura de violência contida que parecia eletrificar o ambiente. Ele caminhou até o porão, um lugar onde o cheiro de mofo se misturava ao cheiro metálico de sangue fresco. Lá, um homem estava amarrado, soluçando. Arthur não perguntou o nome. Não importava. Ele pegou uma faca tática de cima de uma mesa de ferro e aproximou-se. — Você tentou roubar de mim? — Arthur perguntou, sua voz mantendo uma calma apavorante. — Por favor, General! Minha mãe está doente, eu só queria... Arthur não esperou o fim da frase. Com um movimento preciso e c***l, ele cravou a faca na coxa do homem, girando a lâmina com uma frieza cirúrgica. Os gritos ecoaram pelas paredes de concreto, mas o rosto de Arthur permaneceu impassível. Ele não sentia prazer no sadismo; ele sentia apenas um vácuo que precisava ser preenchido com ordem. — Sua mãe vai chorar no seu enterro — sibilou Arthur, limpando a lâmina na camisa do homem agonizante. — Rato, termine o serviço. Use o óleo. Quero que o morro sinta o cheiro do que acontece com traidores. Ele saiu do porão sem olhar para trás. A crueldade era sua ferramenta de gestão. No Jacaré, o amor era uma fraqueza que ele havia extirpado de si mesmo com um maçarico. II. O Flashback: O Apocalipse Particular de Arthur Enquanto voltava para sua sala, a mente de Arthur, esse labirinto de traumas, o arrastou de volta para o dia em que o sol parou de brilhar. Um ano atrás. O domingo que deveria ter sido o ápice de sua felicidade. Ele se lembrava de cada detalhe. O cheiro do perfume de gardênia de Samantha. O vestido branco que ela usava, dizendo que iria orar pela proteção dele. O sorriso banguela de Letícia, sua pequena de cinco anos, que segurava um desenho feito na escola: um sol amarelo, uma casa e três bonecos de mãos dadas. — Papai, você vai com a gente hoje? — Letícia perguntou, puxando sua calça. — Hoje não, pequena. O papai tem muito trabalho aqui no morro. Mas eu busco vocês na saída, prometo. Aquele foi o último beijo. A última promessa. Duas horas depois, o celular de Arthur vibrou. Não era Samantha. Era Vitor, o homem que ele chamava de irmão, o sujeito que ele tirou da miséria e fez seu segundo em comando. “Se você quer o sol e a lua de volta, General, venha para o Galpão 4. Sozinho. Se eu ver uma sombra de vapor, eu estouro a cabeça das duas.” O Arthur daquela época, o homem que ainda tinha um coração batendo no peito, quase infartou. Ele correu. Ele voou pelas ruas em sua moto, o desespero cegando sua razão. Quando chegou ao galpão, o cenário era um pesadelo pintado em cores vivas. Samantha e Letícia estavam amarradas a cadeiras industriais, as bocas seladas com fita asfáltica. Vitor estava parado entre elas, com uma pistola personalizada banhada a ouro — um presente que o próprio Arthur lhe dera. — Por que, Vitor? Eu te dei tudo! — Arthur gritou, as mãos para o alto, as lágrimas já inundando sua visão. — Você me deu as migalhas, Arthur! Eu quero o Jacaré! Eu quero o trono! E você ficou fraco... essa mulher, essa igreja... isso te deixou mole! Vitor estava surtado, os olhos dilatados por cocaína e ganância. — Eu te dou o morro! Pega as chaves, pega os contatos, pega tudo! Mas deixa elas irem! — implorou Arthur, caindo de joelhos no chão imundo. Vitor riu. Foi uma risada que Arthur ouvia todas as noites em seus pesadelos. — Sabe qual é o problema de deixar testemunhas, General? Elas lembram. E eu quero que você lembre desse dia para sempre. Quero que você viva com o peso de ser o homem que perdeu tudo porque amou demais. Vitor mirou na cabeça de Letícia. — NÃO! — O grito de Arthur rasgou sua garganta. Pá. O som foi curto. Seco. Definitivo. O corpo pequeno de Letícia pendeu para o lado. Arthur sentiu como se uma granada tivesse explodido dentro de seu crânio. Ele tentou se levantar, mas Vitor disparou novamente, atingindo Samantha no peito. Vitor fugiu pelos fundos, protegido por uma escolta de traidores, enquanto o galpão mergulhava em um silêncio sepulcral, interrompido apenas pelos soluços de Arthur. Ele se arrastou até Samantha. Ela ainda estava viva, os olhos focados no nada, o sangue borbulhando em seus lábios. — Arthur... — ela sussurrou, a voz carregada de uma paz que ele não conseguia conceber naquele momento de horror. — Não... não se perca. Deus sabe... Deus é justo... — JUSTO? — Arthur urrou, abraçando o corpo já frio da filha e o corpo moribundo da esposa. — Onde está a justiça de um Deus que permite isso? Onde está o seu Deus, Samantha? ELE NOS ABANDONOU! Ela morreu nos braços dele. O vestido branco de Samantha tornou-se vermelho. O desenho de Letícia, que estava no bolso de Arthur, caiu no chão, manchado pelo sangue da própria artista. Naquele dia, Arthur Garcia enterrou a bíblia da esposa junto com os corpos. Ele não orou. Ele não pediu misericórdia. Ele olhou para o céu e declarou guerra. Se Deus não interveio para salvar os inocentes, Arthur não interviria para salvar ninguém. Ele seria o d***o que o Jacaré precisava. III. A Ordem do Massacre De volta ao presente, Arthur estava na sua sala de guerra. O mapa do Jacaré estava estendido sobre a mesa. A notícia da localização de Vitor havia chegado através de um informante que teve a língua cortada logo após falar — o General não gostava de pontas soltas. — A Igreja Nova Vida — murmurou Arthur, o nome saindo como um veneno de sua boca. — O rato se escondeu no esgoto que ele acha que o protege. Ele vestiu sua jaqueta de couro preta, ajustou o coldre duplo nas axilas e pegou seu fuzil de assalto, um HK416 personalizado com silenciador. Ele não queria apenas matar Vitor; ele queria destruir o conceito de refúgio. — Escutem bem — Arthur disse para os seus trinta homens que aguardavam no pátio, todos armados até os dentes e usando máscaras de caveira. — Nós vamos entrar naquela igreja. Não quero saber se tem culto, se tem criança, se tem velho. Se alguém tentar impedir o nosso caminho, se alguém ousar citar um versículo para defender aquele assassino... matem todos. Deixem as paredes pintadas de vermelho. — Mas General, e se o Vitor não estiver lá? — perguntou um soldado novato. Arthur caminhou até ele, a ponta do fuzil tocando o queixo do rapaz. — Então a igreja paga o preço pela mentira. No meu morro, ninguém se esconde atrás de Deus para escapar de mim. O comboio desceu o morro. Eram dez motos e cinco SUVs pretos. O barulho dos motores era como um trovão anunciando o fim dos tempos. Arthur ia na frente, sua moto cortando o vento como uma lâmina. Ele sentia o ódio vibrando em seus ossos. Para ele, aquela invasão era um acerto de contas com o próprio Criador. Cada fiel que ele assustasse, cada banco que ele quebrasse, seria uma resposta ao silêncio de Deus no dia em que as mulheres da vida dele morreu. IV. O Santuário Profanado O comboio parou em frente à pequena Igreja Nova Vida. As luzes estavam acesas, mas a rua estava deserta. O bairro sabia que quando o General descia o morro com aquela escolta, o melhor a fazer era se trancar em casa e fingir que não existia. Arthur desceu da moto. O peso do fuzil em suas mãos era reconfortante. Ele sinalizou para que os homens cercassem o local. — Entrem pelos fundos e pela frente. Ninguém sai. Com um chute violento, Arthur escancarou as portas duplas de madeira da igreja. O estrondo ecoou pelo templo vazio de fiéis, mas cheio de uma presença que ele desprezava. O cheiro de flores frescas e madeira encerada o atingiu. — VITOR! APAREÇA, SEU COVARDE! — Arthur rugiu, sua voz ricocheteando nas vigas do teto. Seus soldados entraram como sombras, chutando portas, revirando o altar, jogando as bíblias dos bancos no chão. Arthur caminhava pelo corredor central com a calma de um imperador em terra conquistada. Ele viu o púlpito, a cruz de madeira na parede. — Não tem ninguém aqui, General! — gritou Rato, vindo do fundo. — Só encontramos a zeladora nos fundos, mas ela não sabe de nada. Arthur sentiu a raiva borbulhar. Teria o informante mentido? Ele caminhou até a frente da igreja, pronto para ordenar que incendiassem o lugar. Foi quando ele a viu. Uma mulher estava ajoelhada em um pequeno recanto lateral, perto de uma imagem de Cristo. Ela estava de costas, os ombros levemente curvados. Ela não tinha corrido. Ela não tinha gritado. Arthur aproximou-se, o cano do fuzil apontado para a nuca dela. — Onde ele está, garota? — Arthur perguntou, o tom de voz gélido. — Onde está o desgraçado que vocês estão escondendo aqui? Alana — a mulher de fé, a sobrevivente do próprio inferno — levantou-se lentamente. Quando ela se virou, Arthur parou. Por um segundo, o General esqueceu como se respira. Alana não tinha medo nos olhos. Ela tinha uma tristeza profunda, sim, mas uma paz que parecia uma ofensa pessoal à agonia de Arthur. Ela o olhou diretamente, ignorando o fuzil, ignorando os homens mascarados que destruíam o seu refúgio. — Aqui não há ratos, senhor — ela disse, a voz firme e doce. — Aqui só há almas buscando o que o senhor parece ter perdido há muito tempo. Arthur sentiu uma vontade súbita de apertar o gatilho. Aquela calma... aquela fé... era tudo o que Samantha tinha. E aquilo o matava por dentro. — Você não sabe de nada — Arthur sibilou, aproximando o rosto do dela, a máscara de caveira a centímetros do rosto sereno de Alana. — Eu sou o dono do morro jacaré. Eu sou a única lei que existe aqui. E se eu decidir que essa igreja vai queimar com você dentro, não vai haver Deus nenhum para apagar o fogo. — O senhor pode queimar as paredes — Alana respondeu, sem desviar o olhar. — Mas não pode queimar a verdade. O senhor está sangrando por dentro. E nenhuma quantidade de sangue derramado vai curar a sua ferida. O General travou. Ninguém ousava ler a sua alma. Ele sentiu o impulso de destruí-la ali mesmo, de mostrar a ela que a crueldade era a única verdade do mundo. — Levem ela — ordenou Arthur, a voz saindo mais rouca do que o normal. — Se o Vitor não está aqui, ela vai servir de isca. E se ele não aparecer até o amanhecer... eu vou mostrar para essa garota como o inferno realmente se parece. Ele deu as costas para o altar, mas por dentro, pela primeira vez em um ano, o General sentiu algo além de ódio. Sentiu medo. O medo de que aquela mulher, com sua oração silenciosa, fosse o único inimigo que suas armas não podiam abater. A guerra estava apenas começando. E o campo de batalha seria o coração de pedra de um homem que se achava um deus, enfrentando a fé de uma mulher que já tinha vencido o d***o. ⚠️ NOTA DA AUTORA E aí, o que acharam dessa introdução? O General chegou mostrando que não está para brincadeira, mas a Alana provou que não se curva fácil. Esse é apenas o começo de uma história intensa, cheia de superação, traumas e um embate épico entre a escuridão e a luz. Se você gostou desse começo e quer acompanhar a trajetória de Arthur e Alana: Adicione o livro à sua Biblioteca para não perder nenhuma atualização. Deixe seu Comentário: O que você achou do General? Ele é mesmo um monstro ou apenas um homem quebrado? Vote e Compartilhe: Isso ajuda muito no crescimento da história! Em breve, a atualização diária... Onde veremos o que acontece quando Alana é levada para os domínios do General. Preparem o coração!

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