NARRADO POR: ARTHUR (O GENERAL) Eu cansei de ver ele cavar. A terra já tinha dado o aviso, mas o desespero dele no buraco estava ficando barulhento demais. Eu queria algo mais silencioso, mais cirúrgico. Queria que ele sentisse o peso de cada segundo que ele tirou daquelas mulheres, sem a distração do barro e do vento. Olhei para o Rato e fiz um movimento curto com a cabeça, um sinal que eles conheciam bem. — Já deu de exercício — sibilei, a voz saindo gélida. — Tira esse lixo daí e leva pro quartinho. O Rato e o Linguinha saltaram para dentro da cova e içaram o Caio pelos braços. Ele não tinha mais força nem para lutar; era um saco de carne trêmula e suja de cal e sangue. Eu virei as costas e comecei a caminhar na frente, meus coturnos estalando sobre os gravetos secos e os fragmentos

