O RESGATE NO INFERNO ARTHUR (O GENERAL) O calor era uma criatura viva, invisível, que tentava arrancar a pele do meu rosto. A fumaça preta e gordurosa, impregnada com o cheiro da gasolina que o maldito espalhou, descia do teto como uma cortina de chumbo. Eu sentia o peso da Alana nos meus braços ela estava leve, pequena demais para o tamanho da dor que eu estava sentindo. — Alana! Abre o olho, p***a! — gritei, mas a voz saiu rouca, sufocada pela fuligem que já arranhava minha garganta. Ela não respondeu. A cabeça dela pendeu para trás, o rosto moreno manchado de cinza e o lado direito começando a inchar por causa do impacto e do calor. O corpo dela amoleceu nos meus braços, e aquele foi o pior peso que eu já carreguei na vida. Era o peso do galpão. Era o peso da Letícia e da Samantha.

