Arthur Ford Acordo com a cabeça latejando, como se martelos estivessem dançando dentro do meu crânio. O quarto está silencioso, vazio. Lisa não está ali. Ótimo. Nem sei o que diria se estivesse. Me levanto cambaleando e sigo para o banheiro. O jato gelado do chuveiro me atinge como uma bofetada. Mas não me desperta. Só escancara o caos que se tornou minha vida. Saio, me visto às pressas. Olho o relógio. Nove e vinte. — p***a! Hoje era o dia. Um cliente novo, uma chance de ouro. E eu perco a hora como um amador bêbado qualquer. Pego o celular. Vinte e três ligações perdidas da Ilda. Foda-se. Já era. Tomo um analgésico, desço as escadas feito um raio e dirijo até meu escritório. Chego em menos de vinte minutos, ainda com o gosto da ressaca na boca. — Senhor Ford! — Ilda pratica

