Lisa Hernandes Eu deveria me sentir culpada. Pelo beijo. Pelo arrepio. Pela maneira como meu corpo reagiu ao toque do Félix. Mas não sinto. E talvez esse seja o pior sinal de todos. Respiro fundo, tentando me concentrar nos processos empilhados sobre a mesa. Mas minha mente está presa àquele instante, ao jeito como ele me olhou, como se o tempo tivesse parado só para nós. Como se nenhuma dor, nenhuma ausência, tivesse apagado o que construímos. Olho o relógio. Sete horas. Hora de encarar o mundo real — o Arthur. Fecho o notebook, organizo as pastas, e saio da sala. A cada passo até o carro, parece que o peso na minha consciência aumenta, mas não por arrependimento… e sim pela dúvida. Como contar ao Arthur? Como dizer a ele que beijei o homem que deveria estar morto? No cami

