Quando o carro luxuoso de Konstantin finalmente parou diante da modesta casa onde Anya morava, o céu ainda tinha o tom frio e cinzento da manhã. Ela desceu sem dizer nada, apenas segurando a sacola com as roupas que ele lhe dera e mantendo a cabeça baixa. As pernas ainda pareciam trêmulas e os lábios ardiam com a lembrança do beijo dele. Era como se tudo aquilo — o quarto, a mesa de café, a maneira como ele a olhava — tivesse sido um sonho proibido. A casa estava vazia quando ela entrou. Vadim já havia saído para trabalhar, como de costume. O silêncio era um alívio, mas também deixava espaço demais para os pensamentos. Anya deixou a sacola sobre a cama, se sentou e ficou ali por longos minutos, encarando o nada, tentando convencer a si mesma de que aquela noite não tinha mudado nada

