10 anos Depois
Abigail
Hoje completa dez anos que eu perdi o meu bem mais preciso, meu querido filho fruto do meu amor proibido com Raul, quando o médico disse que meu bebê nasceu morto eu custei muito acreditar, pois ele era saudável e tudo estava bem, e para acabar de me deixar sem chão eu não poderia contar para Raul, pois ele não estava sabendo que teria um filho e que também estava morando com outra mulher, mesmo depois das juras de amor ele ainda foi capaz de mim trair, fiquei sabendo da traição quando recebi um vídeo dele deitado na cama com uma garota, meus amigos continuam acreditando nele mais eu não, pois nunca mais ele entrou em contato comigo, nem para mim chamar de otária, mais o pior disso tudo é que eu continuo o amando.
Hoje moro sozinha em uma casa no centro da cidade e sou dona de uma confeitaria, nunca me envolvi com alguém depois do meu termo, eu até tentei mais infelizmente não conseguia, toda vez eu via o rosto de Raul e lembrava dos nossos momentos juntos. Minha amiga Cecília e Otávio se casaram e são um casal maravilhoso, eles são o pai de Angel um garotinho de oito anos que é um amor de pessoa, tenho certeza que se o meu filho estivesse aqui eles seriam melhores amigos.
— Tia abigail.— saiu dos meus pensamentos com o rapazinho de cabelos loiros correndo em minha direção, e eu o recebo de braços abertos e um sorriso no rosto.
— Oi meu amor, que surpresa boa te ter aqui tão cedo?— falo depois que deixei um beijo na cabeça dele
— Eu não podia ir para a escola e não vim comer um pedaço de bolo, o seu é o melhor de toda a cidade.— ele fala abrindo os braços com um grande sorriso no rosto e Cecília sorri entrando na confeitaria logo em seguida.
— Não se iluda não minha amiga, o Angel fala isso para todo mundo quando ele quer uma coisa.
— Mamãe, eu posso falar isso para todo mundo mais os da tia Abigail são muito bons, estou falando de verdade.
— Obrigada meu bem, por isso eu vou te dá um pedaço extra para você levar para a escola.
— Ebaa, é por isso que eu te amo tia.— ele corre para uma das mesas e eu vou para trás do balcão onde pego o prato e coloco a fatia de bolo de laranja com cobertura de chocolate que era o preferido de Angel e enquanto eu fazia isso, minha amiga também me acompanhou.
— Como você está Abigail? Você tem certeza que quer trabalhar hoje?
— Eu estou bem amiga não precisa se preocupar.— Tento da um sorriso mais infelizmente saiu mais uma careta
— é eu estou vendo o quanto você está bem, fala sério amiga, você sabe que pode conter comigo sempre não é?
— Sim eu sei, mais eu tenho que ser forte não é? Eu preciso ser, o tempo não vai voltar atrás e eu não tenho nenhuma magia que faça com que tudo seja diferente.— enxugo as lágrimas que insistiam em cair dos meus olhos e entrego o bolo com um copo de suco para o Angel.
— Eu sinto muito por tudo que aconteceu com você, mais eu nunca acreditei que o Raul foi capaz de ti trair, ele te amava de verdade, eu tenho certeza que ele tem uma boa explicação para aquela foto.
— Pelo amor de deus Cecília, como você pode ainda acreditar naquele canalha, ele nunca mais entrou em contato comigo e também não me procurou mais.
— Você não pode dizer isso, porque como você vai saber se ele não te procurou se você caiu nos concelhos do seu paí e se mudou pra cá? Pelo amor de deus Abigail para um pouco e pensa pois mesmo que esses anos tenham passado você não chá estranho quando falamos do seu filho na presença do seu pai? Ou como o médico desapareceu de uma hora para outra depois de te entregar aquele bebê nos braços sem semelhança nenhuma sua e muito menos do Raul? Você é minha amiga Abigail e eu só quero que você seja feliz, mais se eu fosse você passava a questionar sobre isso com o seu pai, porque assim como você pensa que o Raul te traiu eu penso que o seu pai fez alguma coisa para você naquela noite do parto.
— Você não sabe do que está falando Cecília, acho melhor você ir levar o Angel para escola se não ele vai se atrasar.— Digo mudando de assunto e Angel entrega o prato que comeu o bolo e eu coloco outro pedaço em sua lancheira e ele sai contente e Cecília me dá mais um aviso antes de sair e me deixar com a cabeça doendo de tantos pensamentos.
(...)
As horas foram passando e quando deu seis horas da tarde eu fechei a confeitaria e fui para o cemitério, o caminho até lá eu fui andando mesmo, todos os anos eram assim, na data que meu filho nasceu morto eu ia lá e levava um buquê de flores azul e ficava conversando com ele, dizendo o quanto eu o amo, alguns minutos depois eu chego e faço a mesma rotina de sempre.
— Oi meu amor, mamãe chegou, como você está hoje? Olha eu trouxe esse lindo buquê de flores para comemorar o seu aniversário, eu sei que se você estivesse aqui com certeza seria uma das crianças mais feliz do mundo, espero que você tenha me perdoado, por eu não ter falado para o seu pai que estava te esperando, eu só não tive essa oportunidade, mais prometo que se algum dia ele aparecer e falar comigo eu posso pensar em contar, pois infelizmente você não estará mais aqui para a gente.— fixo alí conversando com ele como foi o meu dia e logo após vou embora sentindo meu coração doendo por dentro, chegando em frente ao portão eu tomei um susto ao vê minha família alí, já fazia seis meses que eu via os meus pais.
— Uau, que surpresa boa, o que vocês fazem aqui.— falo com um sorriso
— Viemos te visitar, como sabemos que essa data é um pouco dolorosa para você viemos da o nosso apoio.—Mamãe falou vindo me abraçar e papai ficou um pouco desconfiado por ali e automaticamente as palavras de Cecília veio a linha mente, será se ela tem razão? Será mesmo que o papai tem alguma coisa a vê? Não! Ele não teria coragem de fazer algum m*l a uma criança inocente que nem tinha chegado ao mundo.
— Obrigada mamãe, venham vamos entrar, só não olhe a bagunça acabei de chegar do trabalho.— falo quando estava abrindo a porta e meus pais me acompanharam atrás
— Por isso que eu digo que você tem que arrumar um marido, como pode construir uma família sozinha? Você tem que cuidar da sua casa e deixar o trabalho com ele.— não, hoje eu não vou me estresse com o senhor papai, respiro fundo e falo
— Pai por favor, eu espero que o senhor não volte a falar sobre esse assunto, eu já disse que posso muito bem me cuidar sozinha, não preciso de homem nenhum para me ajudar, se vieram realmente me dá um apoio então vamos apenas curtir o nosso momento e não discutirmos por algo que eu já falei a minha decisão.
— tudo bem, tudo bem.— ele falou indo até a adega e pegando um pouco de bebida e eu e mamãe fomos para a cozinha fazer o jantar conversando.