Capitulo 5

1054 Palavras
Capitulo 5 *** Camila Isso não pode estar acontecendo comigo! Não consigo entender. Estou há horas sentada em um banco de uma praça tentando compreender o que aconteceu naquela sala. Eu acredito que meu pai jamais me deixaria sem nada, ele sempre soube do meu amor por aquela empresa. Em pouco mais de 24 horas minha vida mudou completamente. Não pode ser! Tem que haver algo errado. Mas eu mesma conferi aqueles documentos e não me pareceram ser falsificados. Não sei mais o que pensar. A única certeza que tenho é que preciso de um bom advogado. Mas como eu vou pagar um se não tenho nem onde morar? Preciso organizar minha vida. Estou tão perdida! Preciso de um emprego, mas quem é que daria emprego para uma garota de 18 anos que nunca trabalhou e nem concluiu a faculdade? Meu Deus!!! A Faculdade! Como eu vou pagar?? São tantas dúvidas em minha cabeça. Ainda tem aquele acordo matrimonial citado no testamento. Deve isso que o senhor Henry me disse ontem. Algo sobre unir as empresas. Mas isso é responsabilidade da Tamara agora. Eu tenho outras preocupações no momento. Já não tenho nem mais lágrimas para chorar. São tantos pensamentos que nem vi a hora passar. Já anoiteceu e ainda não cheguei a uma conclusão. A única coisa que sei é que estou com fome. Desde ontem não como nada. Pelo menos ainda tenho um pouco de dinheiro na bolsa. Vou andar e procurar algum lugar para comer. Depois de uma longa caminhada e pensamentos perturbadores, encontrei um pub com uma boa aparência e resolvi entrar. Por estar no meio da semana, o local não estava cheio e eu agradeci por isso. Nunca gostei muito de lugares agitados. - Boa noite senhorita. Em que posso ajudá-la?-me pergunta o garçom atrás do balcão. - Preciso de uma casa, uma cama, um banho e um bom advogado - Como?! - Deixa pra lá. Quero uma porção de batatas fritas. - E para beber? Beber. Isso me chamou a atenção. Quem sabe um porre agora não seria bem vindo? Eu nunca bebi nada alcoólico mas já li em algum lugar que as pessoas bebem para esquecer seus problemas. Sempre achei isso uma idiotice mas agora é tentador! - Quero uma garrafa de whisky! era o que meu pai bebia. - Uma garrafa inteira?? Quantos anos você tem? - Fala sério! Já tenho 18. Minha vida está um desastre! Eu só quero beber. - Ok. Seu pedido é uma ordem.- responde o garçom me entregando a garrafa e um copo. Encho o copo e dou o primeiro gole. Quase cuspi toda a bebida no balcão. Isso é horrível, como alguém consegue gostar disso? Agora vou ter que beber isso, não dá pra devolver e pedir uma coca. Alguns minutos encarando a garrafa e bebendo mais um copo, eu já me sentia mais leve. De repente sinto um perfume maravilhoso e olho para o lado e tenho a visão do homem mais lindo que eu já vi em toda minha vida. Ele havia acabado de chegar e estava ao meu lado no balcão. Ele é alto, forte, olhos claros, cabelos negros e uma voz bem marcante. Chamá-lo de deus grego seria uma ofensa grandiosa. - Boa noite, John. Traga o de sempre pra mim. - Sim, senhor. responde o garçom. Acho que o encarei tanto que ele percebeu e se virou para mim. Sem graça eu digo: - Oi. Eu tenho whisky se quiser.-eu sou muito i****a! - Não obrigado. Já fiz meu pedido. Quantos anos você tem? Já pode beber assim? Não é possível! Será que eu tenho cheiro de leite? - Eu já tenho dezoitooooo! Sou bem crescida. - Sei. - Meu dia foi horrível. - Imagino. Para beber tanto assim. - Acredita que eu não estou bêbada? Foram só dois copos. Quer dizer eu nunca bebi na minha vida, mas acredito que essa não é minha melhor versão bêbada. Me sinto normal. Só um pouco mais leve eu acho. Já me imaginei fazendo coisas hilárias quando bebesse e... - Se não se importa, estou tendo um dia dificil e quero ficar sozinho. - De dias difíceis eu entendo. Perdi a pessoa que mais amava, minha casa, minha empresa, meu futuro está devastado. E você o que perdeu? Ele me olha com um semblante fechado que me faz tremer. - Não quero falar sobre isso e não quero ouvir seus lamentos de adolescente. - Tudo bem senhor do gelo. Vou continuar aqui bebendo minha bebida caladinha ao seu lado. Vamos compartilhar nossa dor em silêncio. Eu já nem queria beber mais. Não achei graça na experiência. Eu nem sequer havia esquecido dos problemas. Eu só queria saber mais sobre o homem ao meu lado. Qual seria seu nome? Quantos anos ele tem? Será que ele é comprometido? Ele não para de beber, deve estar m*l mesmo. Será que ele está bêbado? Não consigo parar de olhá-lo. Que homem lindo. Nunca havia visto tanta beleza junto. Mas o que ele tinha de lindo tinha de arrogante. Aposto tudo que ele nunca havia dado um sorriso na vida. Na verdade melhor não apostar, afinal já não tenho quase nada. - Você é bonita. - Oq? O que disse?- me assusto com o par de olhos claros me encarando. - Eu disse que você é bonita. Quer uma carona pra casa? - Não obrigada. Estou bem aqui. -ah meu Deus, eu nem tenho para onde ir. Não posso dizer isso a ele. - Entendo. Gostei de você. Quando ficou calada é claro. Se quiser podemos continuar nossa noite em um outro lugar. Eu esqueço meus problemas e você esquece os seus. Nossa! Que proposta. Bem direto ele. Não esperava por isso. Quais são minhas opções? Posso recusar e ele vai embora e eu nunca mais o verei ou posso aceitar e ver onde isso vai dar. É inegável a atração que senti por ele. Nunca me senti assim. Eu nunca havia saído com um cara antes. Mas eu também nunca havia bebido antes. Eu tenho uma vida nova agora não é mesmo? Já que está tudo uma merda mesmo, o que poderia dar errado? - Eu adoraria ir com você! Ele sorri de lado, paga a conta, passa o braço pela minha cintura e me leva até o seu carro.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR