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Te amo Maria

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drama
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Sinopse

Depois da morte do meu marido em um terrível acidente, decidi recomeçar em outra cidade com meus dois filhos.

Eu não esperava me apaixonar de novo… muito menos por um dos homens mais cobiçados da cidade.

Mas tudo ficou ainda mais complicado quando despertei interesse do meu patrão.

Rúben é rico, poderoso e irresistível — e agora está obcecado por mim.

Sem perceber, me vi presa em um perigoso triângulo amoroso…

e ele é capaz de tudo para me ter só para si.

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Recomeço
São exatamente três da madrugada… e, mais uma vez, os pesadelos me arrancam do pouco sono que ainda consigo ter desde a morte de Marcos. O homem que eu jurei amar para sempre. O pai dos meus filhos. Rafael, de oito anos. Renato, de cinco. É sempre o mesmo sonho. Nós dois correndo entre flores coloridas, o vento batendo no meu rosto, o cheiro suave de rosas no ar… por um instante, tudo parece perfeito. Como antes. Mas então… tudo muda. Marcos tropeça. E cai. Cai em um abismo escuro, sem fim… enquanto eu grito o nome dele, sem conseguir alcançá-lo. É nesse momento que acordo. O coração disparado. O corpo tremendo. Afundando de volta na realidade que eu nunca quis viver. Respiro fundo, tentando me acalmar… mas quando lembro de tudo o que aconteceu, já nem sei dizer o que é pior: dormir… ou estar acordada. Só que eu não tenho escolha. Não tenho tempo para luto. Eu tenho dois filhos que dependem de mim. Foi por isso que deixei tudo para trás. Meus estudos. Meus sonhos. Me mudei para o distrito de Lagoa Bonita, em Minas Gerais, para trabalhar em uma plantação de feijão. Eu queria ser escritora. Queria viver de palavras… Mas agora, eu vivo de esforço. De sol escaldante. De mãos calejadas. De dias longos que parecem não ter fim. Ainda antes do sol nascer, eu já estou de pé. E todos os dias eu faço a mesma escolha: lutar, sorrir… e seguir em frente. Como aqueles heróis de desenho que nunca desistem, mesmo quando tudo parece perdido. Eu preciso ser forte. Não posso fraquejar. Tenho trinta e dois anos. Sou pequena, mas a vida me obrigou a ser forte. Visto minha roupa simples da roça, já gasta pelo tempo. Coloco meu chapéu de palha, tentando me proteger do sol que castiga sem piedade. Minha pele já carrega as marcas desse verão constante, mas meus olhos… meus olhos ainda guardam algo que nem eu sei explicar. Talvez esperança. Antes de sair, passo a mão nos cabelos dos meus filhos, ainda sonolentos. Eles ficam na creche enquanto eu trabalho. E é por eles… que eu continuo. Mesmo com esse vazio enorme dentro do peito. Eles são a razão de eu ainda estar de pé. A prova de que eu não posso desistir. No olhar deles, encontro a força que preciso para levantar todos os dias e continuar caminhando… mesmo sem saber exatamente para onde estou indo. Na plantação, trabalho ao lado de outras mulheres. Cada uma com sua história. Sua dor. Sua fé. Mulheres viúvas… abandonadas… guerreiras. Cristina foi a primeira a me acolher quando cheguei. Se não fosse por ela, talvez tudo tivesse sido ainda mais difícil. Entre uma colheita e outra, às vezes eu me permito sentar por alguns minutos… e escrever. Mesmo que seja pouco. Mesmo que seja escondido. É ali que eu respiro. Que eu ainda me encontro. Mas naquele dia… algo foi diferente. Uma voz masculina quebrou o silêncio. Grave. Firme. Levantei o olhar. Era Tenório. O responsável pelo serviço. Estranho… pensei. Eu nunca tinha ouvido a voz dele antes. Sempre distante, com aquela expressão fechada, observando tudo de longe… como se estivesse sempre irritado com alguma coisa. Sem perceber, um sorriso escapou dos meus lábios. Talvez pelo nervosismo… talvez por achar aquilo curioso. Mas não foi o suficiente para passar despercebido. Quando dei conta, ele já estava vindo na minha direção. Meu coração acelerou. Me levantei rápido. E então… ficamos frente a frente. Por um segundo — ou talvez mais — o mundo pareceu parar. Ele não disse nada. Só me olhou. E eu senti. Aquele olhar. Intenso. Surpreso. Quase… perdido. Como se ele não esperasse me ver ali. Como se estivesse tentando entender algo que nem ele sabia explicar. Desviei o olhar primeiro. E voltei ao trabalho, fingindo normalidade. Mas alguma coisa tinha mudado. Eu senti. E, pelo jeito… ele também. Tenório tinha quarenta e dois anos. Alto, forte… com olhos castanhos que pareciam dourados sob o sol. O cabelo n***o caía de forma despretensiosa sobre o rosto. Era bonito. Muito. E, ainda assim, solitário. Mesmo com tantas mulheres suspirando por ele, havia algo nele que parecia distante… inacessível. Soube depois que ele estava ali há seis anos. Que veio de Pernambuco após perder a mãe, de quem cuidou até o fim, enquanto ela lutava contra o Alzheimer. Talvez por isso fosse assim. Fechado. Silencioso. Marcado. Naquela noite… Eu estava sentada na frente de casa, observando meus filhos brincarem. Os vagalumes iluminavam o campo, e o céu… o céu parecia infinito, coberto de estrelas. O cheiro de terra molhada, o som do vento… tudo ali parecia poesia. E, por um instante, pensei que talvez… eu tivesse feito a escolha certa ao vir para aquele lugar. Peguei meu caderno. Escrevi. Deixei meus pensamentos fluírem… Até que, sem perceber, uma imagem surgiu na minha mente. Tenório. Parado na minha frente. Em silêncio. Franzi a testa. Talvez ele tenha ficado irritado por me ver escrevendo durante o trabalho. Um medo apertou meu peito. E se eu perdesse aquele emprego? Era tudo o que eu tinha. Era o sustento dos meus filhos. Engoli seco. E, de repente… a solidão me atingiu com força. Perdi meus pais muito cedo. Depois deles… só tinha Marcos. E agora… Agora eu estava realmente sozinha. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Mas eu a limpei rápido. Porque eu ainda tinha eles. Meus filhos. Chamei os dois para dentro. E, quando os abracei… segurei forte. Como se, de alguma forma, aquilo pudesse manter meu mundo inteiro de pé.

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