Capitulo 03

4886 Palavras
“A alma não tem segredo que o comportamento não revele.” Lao-Tsé Artur segue a frente do g***o, seguido por Uriah e Heitor, mais atrás Ísis segue ao lado de Pedro, a jovem dama nada falou, mas entendia a preocupação do General em r*****o as suas roupas, afinal estava em outra época e poderia ser confundida com uma cortesã. Na verdade, as cortesãs da época se vestiam de forma mais recatada que a dama ali estava vestida, mas uma coisa ela tinha certeza, a fala do Duque além de machista era desrespeitosa, principalmente se tudo aquilo que escrito na carta da tal Carol for verdade. Seu sangue ferveu e se não fosse a intervenção de Uriah sua resposta não seria nada educada. O caminho foi silencioso, o g***o cavalgava calmamente, acompanhados pelo grande pássaro, ora ele estava a sua frente, ora os seguia. Já havia se passado algumas horas quando avistaram o grande castelo. Ísis pensou que para chegar ao castelo primeiro passariam por alguma cidade ou vilarejo e ali talvez encontrasse uma forma de retornar para sua casa, sua vida, seu tempo, mas não foi o que aconteceu. Ao se aproximarem dos portões, pessoas uniformizadas foram ao encontro do g***o, o homem mascarado pousa seu pássaro ao lado de Ísis evitando que qualquer pessoa se aproxime, então discretamente a ajuda a descer do cavalo, evitando que suas pernas sejam vistas pelos soldados próximo. Com ajuda do nobre cavaleiro Ísis ajeita o sobretudo o fechando completamente, prende seus cabelos e coloca o capuz do sobretudo, deixando visível apenas parte de seu rosto. — Fique calma alteza, estamos aqui para protegê-la, nem eu, nem Pedro permitiremos que te machuquem. - Ele fala conferindo se nada estava, ele faz menção de se afastar, mas logo é parado por Ísis. — Eu deveria saber o nome de meu protetor, não acha? — Pode me chamar de Enzo, alteza - o cavaleiro responde realizando uma leve mensura, então se afasta indo em direção aos demais, vou logo atrás, o General, o general e o Duque estão logo a frente, paramos ao lado de Pedro que ficou um pouco recuado dos demais. — General Castro, General Garcia – um dos soldados o cumprimenta assim que se aproxima, logo depois se vira para o Duque ao qual faz uma leve reverência, mostrando respeito aristocrata. – estávamos a espera de vossas excelências, Duque Gonçalves, sua prima já se encontra no castelo – Fala se dirigindo ao Duque, este apenas acena em concordância. O soldado, que até então não havia direcionado o olhar aqueles que se encontravam mais atrás, finalmente os nota. Sua atenção ficou demasiado tempo sobre a Dama ali presente, afinal apesar de todos os esforços de não permitir que qualquer parte de seu corpo ficasse exposta, um sobretudo era consideravelmente justo, o que demarcava bem suas curvas. Um pigarro chama atenção do soldado, afinal ele encarava constrangedoramente cada curva de Ísis, o que incomodou aos cavaleiros ali. O soldado, assim como os demais, direciona seu olhar para o autor do pigarro , recebendo o olhar ameaçador de Enzo, sua postura muda completamente, podia se dizer que o jovem soldado estaria prestes a desmaiar de tão branco que ficou. — Marechal Brassard, - para o espanto dos presentes, nem de todos, afinal Pedro conhecia Enzo Brassard a muitos anos, o soldado cumprimenta o homem mascarado. Enzo Brassard, sua história era contada por todo o reino, afinal ele era um exemplo para muitos soldados, mas o que surpreendeu os generais e o Duque ali, foi o fato de nunca terem imaginado que o temido Marechal seria tão novo. - Marechal Marques. - Para completar o espanto dos cavaleiros ali presente Pedro e cumprimentado com o mesmo respeito de Enzo. - Não fomos informados de seu retorno. - O jovem começa a falar com a voz baixa e levemente tremula, mas não teve oportunidade de terminar, pois fora interrompido pelo grito estridente de Uriah. — MARECHAL? COMO ASSIM? — E você poderia se apresentar? - Pedro questiona o jovem a sua frente, ignorando por completo o General escandaloso. - me parece deveras novo para estar no exército, ainda mais guardando os portões do palácio. — Major Fonseca, senhor - o jovem responde em postura rígida prestando continência, algo que ele não fez para os outros generais, mesmo eles sendo de patente superior a dele. - É uma honra lhes conhecer, já passo dos 20 anos, senhor, e fui designado pelo General Antunes para cuidar dos portões durante a estada do Duque. - Então se vira e chama um dos soldados - Vá avisar que o Marechal está de volta… — E onde estaria o General Antunes? - A voz grave de Enzo ecoa, fazendo o jovem Major estremecer como vara verde, nesse momento Ísis nota o quão temido esse homem deve ser. — Está de folga hoje, senhor… — Entendo, fale para ele nos encontrar no salão do trono, e mande avisar a Vossa Majestade que estamos de volta e o aguardamos no grande salão. - Pedro fala passando pelos soldados, contudo como se somente agora se lembrasse dos demais, completa. - Acredito que os Generais Castro e Garcia, assim como o Duque devem estar cansados da longa viagem, creio que uma das damas do castelo poderia acompanhá-los aos aposentos. - Finaliza não dando tempo de ser questionado, ele segue para portão do castelo, Enzo se afasta fazendo sinalizando que Ísis deveria ir a sua frente e assim ela faz. O castelo era enorme, todo em pedra, Ísis segue os dois homens um tanto quanto desconfiada, mas não via outra saída, ainda mais após ver tanto temor no olho do Major que os havia recebido. Isso sem falar no fato do Duque e os outros terem sidos completamente esquecidos, e a postura de Pedro como se ele fosse o próprio Imperador. Após alum tempo de caminhada chegam a um grande salão, ele possuía janelas que iam do chão ao teto, ornamentadas com pesadas cortinas azuis, em um canto havia duas cadeiras, que visse jamais imaginariam que aquele seria um trono, afinal era tão simples. Ao redor do salão duas portas em sentido opostos, uma era aquela por onde passaram, estando essa guardada por dois soldados que em nenhum momento demostraram interesse em evitar a entrada dos vistantes, a outra ficava ao lado do trono igualmente guardada, Ísis imaginou que por ali viria o Imperador. Ísis observava tudo atentamente, todos os detalhes do grande salão, cada detalhe, cada desenho talhado nas paredes sob o olhar atendo de Enzo, já Pedro observava despreocupadamente algo pela janela. Pouco tempo após passos são ouvidos então uma voz grave ecoa pelo salão. — Pedro, você não imagina o quanto fiquei feliz ao saber que havia retornado e trouxeste Enzo contigo. — Majestades - Ambos os cumprimentam se curvando, ao contrário do que Ísis esperava suas vestes não eram pomposas, na verdade, quem os visse imaginaria que não passavam de simples camponeses. - Vossas Majestades estavam no vilarejo - Pedro pergunta ao notar as vestes do casal a sua frente. — Antony que insiste em ver com os próprios olhos como está o povo. - a Imperatriz comento com ar de graça. — Fala como se gostasse dessas nossas escapadas minha Imperatriz. - o Imperador provoca. O g***o parecia tão envolvido em seu pequeno diálogo que não notaram a jovem dama ali acuada no canto sem saber o que fazer ou como agir, afinal a cada minuto que se passava parecia mais distante de conseguir retornar para casa. — Estamos felizes que voltaram e espero que tenham novidades. - A imperatriz fala, mas diferente de antes, seu tom não é risonho e sim sério, ali não era a esposa ou amiga e sim Anna Duarte, a Imperatriz, e todos ali estavam cientes disso. — Não ousaríamos retornar sem cumprimos nossa missão - Pedro responde sucintamente e educada se afastando, dando a imperatriz a visão da jovem próxima a Enzo, que lhe estende a mão para acompanhá-la até Sua Majestade, ato que a surpreendeu, pois não notara ele se aproximando. Ainda sem graça, Ísis coloca sua mão sobre a de Enzo, permitindo que ele a conduza até o centro do salão. — Pedro, não brinca com esse coração velho… não me diga - A Imperatriz fala, observando Ísis atentamente, com um leve sinal de Enzo, Ísis entende que esse é o momento de se apresentar. Delicadamente Ísis solta a mão de Enzo, e lentamente retira o capuz do sobretudo, somente agora revelando seu rosto, sem graça e com receio que seu sobretudo abra, a tornando o personagem principal de uma cena constrangedora, ela se curva perante o casal. — Chamo-me Ísis Duarte, e sinto-me honrada de estar na presença de Vossas majestades. - O cumprimento perfeito surpreendeu não somente quem observava, mas a própria Ísis, que não fazia ideia de onde aprendera. — É você mesmo? Minha princesa voltou para casa… Olha Antony nosso bebê cresceu… - Anna fala para o marido, se aproxima lentamente da jovem, faz menção de tocá-la, porem a mesma se afasta, não permitindo o toque. Um névoa de tristeza passou pelo olhar da Imperatriz, mas logo a postura séria retornou, mas tal lapso não passou despercebido por Ísis. — Perdão majestade, mas suponho que toda essa situação seja apenas um m*l-entendido, acompanhei o senhor Pedro apenas porque devido ao lugar em que me encontrava não tinha outra saída, mas venho apenas solicitar que me ajudem a retornar para casa - Ísis fala de forma seria. — COMO ASSIM ÍSIS? AI!!! - o grito estridente veio do corredor revelando aos presentes que não se encontravam sozinhos, um certo g***o de cavaleiros os ouviam do corredor. — Para de gritar i****a. - Heitor fala após desferir um t**a na cabeça do general. — Pensei ter falado para irem aos seus aposentos. - Pedro fala calmamente. — Vim ao castelo porque fui convocado pelo Imperador, logo imaginei que deveria cumprimentá-lo antes de me acomodar. - Artur responde entrando no salão. - E que eu saiba, não sou um de seus subordinados. — Se esse era o caso, por qual razão ficaste ouvido por detrás da porta? - Enzo questiona, deixando o general sem resposta, afinal como justificar tal ato. — Como assim pretendes retornar? - Na tentativa de mudar de assunto, Artur questiona Ísis - vistes a carta, agora estás em casa. — Não estou, preciso retornar para o lugar de onde me tiraram, tenho pacientes no hospital os quais precisam de meus cuidados, tem meus amigos, eu realmente não posso ficar aqui. — De que carta falas general Castro? - Pergunta o Imperador se sentando no trono e sinalizando que Anna realizasse o mesmo. Artur olha para Pedro que tinha posse da carta, então o marechal rapidamente entrega a carta ao imperador, o mesmo analisa a carta cuidadosamente, então entrega para imperatriz enquanto inspeciona o selo do envelope. — Karen, aquela velha bruxa, sabia todo esse tempo onde minha filha estava e não me falou nada. - Era possível sentir a tristeza em sua voz, mas não se sentia mágoa ou raiva, pois se tinha algo que ninguém no reino ousava questionar era a lealdade da bruxa Karen a família real. - ela te contaste algo, minha imperatriz? — Claro que não Antony, se eu soubesse teria lhe falado… - Ísis jamais saberia explicar, mas sentiu que algo não estava certo em toda aquela história, algo em seu interior lhe dizia para não confiar naquela mulher, mesmo com a possibilidade dela ser sua mãe. — Majestade, - Ísis chama a atenção de todos ali, tinha algo a incomodando e olhando ao redor nota que não somente a ela, mas Enzo também parece incomodado. - Perdoe-me a ignorância, mas acredito que essa não seja a forma correta de se dirigir ao imperador, ainda mais em público? - Ísis resolve alfinetar, e reforçando o que pensou rapidamente Enzo a puxa levemente para trás colocando-se um pouco mais a frente. — Quem pensas que eres para questionar minha postura? Julgas que pode sumir por anos e voltar se achando a dona de tudo? - A imperatriz dispara nervosa, então se aproxima de Ísis, mas seu caminho é bloqueado de forma sutil por Pedro, sendo esse encarado mortalmente. - Quem olha a primeira vista pode se enganar facilmente, pois a semelhança entre nós duas é surpreendente. - Fala se afastando novamente. - Mas olhando agora realmente você não é minha filha, uma princesa nunca se comportaria assim! Ao terminar de fala a Imperatriz se senta no trono ao lado do Imperador, o olhar de todos estava sobre ela, nunca haviam visto se portar de tal maneira, e Artur fora praticamente criado no castelo. Antony encarava a esposa completamente perplexo com sua atitude, mas como diz a etiqueta real não deveria questioná-la ou puni-la em público, ela ficaria desmoralizada perante o reino caso fizesse algo assim. Nesse momento Ísis teve certeza havia algo errado com a imperatriz, seu olhar cruza com o de Pedro que indica levemente o canto do salão onde o mesmo olhava pela janela antes da chegada do Imperador. Enzo toca levemente o braço de Ísis, e logo seguem juntos para a janela indicada, seguidos por Pedro, o que Ísis achou mais estranho foi ninguém notar a movimentação deles, nem mesmo os soldados que guardavam as portas. — Está explicado como sequestraram um princesa nesse castelo. - Ísis comenta baixo. — A quanto tempo ela esta ali? - A voz de Enzo próximo o seu ouvido desperta Ísis de seus pensamentos, ela olha na mesma direção deles. Ali próximo à fonte do jardim do castelo, estava uma jovem, seus cabelos eram castanhos claros e ondulados enfeitados com uma tiara simples, sua pela era tão branca quanto a neve, vestia um vestido longo lilas com discretos detalhes em preto. Ela estava apenas parada ali e olhava atentamente para a janela, contudo apesar de estar ali não parecia ser notada por ninguém mais, os soldados passavam por ela, como se fosse apenas mais um detalhe do jardim. — Desde que chegamos, não faço ideia do que planeja. — Algo está acontecendo, ela não estaria aqui se algo sério não estivesse acontecendo. Ísis não saia de perto de mim. - Enzo chama novamente a atenção de Ísis, que estava completamente absorta observando a jovem no jardim. — Quem é ela? - questiona encarando a jovem. — Ninguém sabe ao certo. - Pedro responde. - Alguns a chamam de fada, outros de bruxa. — Como assim? Porque ninguém faz nada? Tem uma estranha parada no meio do jardim. - Ísis questiona perplexa. — Não sabemos se ela está realmente aqui. - Enzo responde. - Aparentemente somente nós estamos vendo ela, o que pelo que sei não significa boa coisa. — Não significa boa coisa? Como pode se segundo vocês, ninguém sabe quem ela é? — “Era uma bela Dama, os cabelos de cor exótica, uma mistura do mais dourado do ouro com o mel mais puro ja extraído das abelhas mais raras, sua pele tão branca como a neve. Suas vestes, uma união da realeza com a simplicidade camponesa, contudo nada é mais marcante que seu olhar penetrante, mas jamais esqueça a presença de tal Dama pode ou não ser um mau presságio.” - Pedro responde - Essa é apenas uma das muitas histórias em torno da Bela Dama misteriosa. Ísis nada comentou com os cavaleiros, mas um dos motivos aos quais observava atentamente aquela dama misteriosa, era a sensação de Déjà vu que a acometia, o trio passou um tempo considerável ali apenas observando a dama que os encarava sem demonstrar nenhuma emoção ou sinal. A sensação de incômodo em Ísis apenas aumentava, sentia em seu interior que algo estava muito errado em tudo aquilo, e quando esse pensamento pareou por sua mente n******e deixar de soltar um leve sorriso, pois nada naquilo estava correto. — Qual seria a graça Vossa Alteza? — Nada, somente um pensamento que me passou, e poderia por favor não me chamar assim. — E como deveria te chamar? — Ísis. — Certo Princesa Ísis. — Somente Ísis, por favor. O marechal não teve tempo de questionar, pois nesse momento um pombo pousa no parapeito da janela, ele usava uma espécie de mochila nas costas, Pedro retira delicadamente do compartimento fixado ao animal um pequeno bilhete, então olha novamente para o salão onde o Imperador tentava de forma sutil acalmar a Imperatriz que desferia insultos e acusações direcionados a princesa. Os demais seguem o olhar de Pedro, observando um ser completamente fora de si, e um imperador dividido em r*****o à postura que deveria tomar; deveria se portar como marido e compreender a esposa? Como pai e defender a filha de tais insultos, ou como Imperador e impor ordem ao recinto? — Ela não é a imperatriz - Enzo sussurra, observando a cena a sua frente. - Tem muito tempo que não há encontro, mas a imperatriz Anna jamais se portaria de forma tão desrespeitosa para com o Imperador. — O que faremos? Precisamos descobrir onde esta a imperatriz - Fala Pedro se afastando da janela se encaminhando para o centro do salão, sendo logo seguido pelos demais. Ao se aproximarem dos demais, o general Artur logo tenta se aproximar de Ísis, mas é impedido por Enzo, levando o mesmo a fazer uma leve carranca, afinal não compreendia o motivo de tal implicância do Marechal, e muito menos a rápida confiança aparentemente adquirida pelo trio a sua frente. — Você disse ter muito tempo que não encontrava a imperatriz? - Ísis questiona Enzo, eu não diria que sua ação foi ignorando a tentativo de aproximação de Artur ou que ela não havia notado tal ato, mas algo no seu interior ficou incomodado com a fala de Enzo. — Sim desde que entrei no exército, ou seja, pouco antes de seu nascimento, princesa. - Enzo lhe responde calmamente, para o espanto da morena. — Quase 30 anos. - ela fala consigo mesmo, então olha novamente para imperatriz, que aparentemente se apresentava mais calma, apenas a encarando como se esperasse que a jovem respondesse aos seus insultos de pouco antes. - Tem certeza que ela não é a imperatriz? - Ísis pergunta a Enzo, encarando fixamente a imperatriz a sua frente, o trio conversava baixo, logo não tinha como ninguém saber o que falavam. — Absoluta. - Enzo a responde com convicção. Ísis então apenas lhe olha, logo depois com um sorriso discreto se afasta de Enzo e Pedro, se aproximando lentamente de onde se encontrava o imperador e a imperatriz, então com um sorriso discreto encarando a imperatriz fala. — Peço desculpas, mas confesso acabei não ouvindo tudo me falaste majestade. - Começa a falar calmamente. - Mas acredito que minha postura a deve ter incomodado bastante, assim como meus modos? - pergunta de forma sarcástica, se tinha uma coisa que Ísis se orgulhava da época em vivia no orfanato era do fato de saber bem como se defender, seja com palavras ou ações. - Deve ser poque não tive minha mãe ao meu lado, não sei como é aqui, mas a vida no orfanato é bem difícil. - Continua se aproximando mais da imperatriz. - Sabe, fui criada em um convento, sem qualquer contato com pessoas de fora, então talvez não tenha aprendido a ter boas maneiras, mas se tem uma coisa que aprendi bem foi identificar mentiras e blasfêmias. - Ísis para frente a “imperatriz” com um sorriso vitorioso no rosto. — Ora sua! - Anna fala e levanta mão na intensão de bater em Ísis, contudo para surpresa de todos ali presentes, Ísis foi mais rápida e agarra seu braço o torcendo para trás, em seguida coloca o joelho em suas costas a forçando-a se ajoelhar. Como se toda aquela situação não fosse surpreendente para todos ali no momento em que Ísis força a pessoa que até então todos pensavam ser a imperatriz a se ajoelhar, uma grande fumaça verde encobre às duas. Enzo e Pedro correm em direção a elas na intenção de talvez interceptar alguma tentativa de fuga, mas suas interferências não foram necessárias, pois logo a fumaça abaixa, revelando Ísis imobilizando uma mulher completamente diferente da imperatriz. Os cabelos antes negros como luar agora possuíam um tom esbranquiçado, os olhos antes azuis, assumem tom n***o como luar, a expressão para a ser macabra. De joelhos, com um dos braços imobilizados, e com o joelho de Ísis a forçando para baixo, estava Maria, uma das bruxas mais temidas do reino. Ao notar a expressão de espanto nos rostos dos Generais ali presentes e principalmente do Imperador, um sorriso maléfico é esboçado no rosto da bruxa. — Quem é você e o que fez com a tia imperial - Pergunta Uriah, o que causou um certo estranhamento por parte de Ísis, afinal nunca imaginou que Uriah poderia ser um m****o da família real. Então o corpo da mulher abaixo de Ísis treme com a gargalhada emitida pela Bruxa. — É incrível o seu poder Princesa Duarte, estou infiltrada nesse castelo a quase 30 anos e ninguém notou, mas bastou um olhar seu e meu disfarce foi descoberto, e olha que nem chegaste a conhecer sua mãe, é realmente admirável… - a Bruxa fala ainda com um sorriso maléfico no rosto. Não era possível para Ísis ver o rosto da mulher, mas conseguia identificar maldade em sua voz. — Quem é você e o que fez a imperatriz? - Ísis pergunta apertando ainda mais o braço da bruxa, que sem perceber emito um leve gemido de dor. — Por que não pergunta para sua amiga que está lá fora? Afinal passaram bestante tempo a olhando - Para espanto do Trio a bruxa fala, logo ela sabia o tempo todo da presença da dama misteriosa - Ah, acreditaste que ninguém havia notado o trio se esgueirando na janela? Mas tenho uma ideia melhor, pergunta para loira na porta, ela deve estar surpresa por descobrir a verdade. - A bruxa finaliza com um sorriso vitorioso olhando para entrada do salão onde uma linda mulher estava. — Eu já sabia a um tempo, mas precisava ter certeza de onde minha amiga estava e se estava bem antes de fazer algo. - Fala a mulher loira entrando no salão - Princesa Duarte! - Cumprimenta Ísis com uma reverência perfeita, Ísis a encara perplexa, a mulher a sua frente poderia parecer mais nova, mas ela tinha certeza de quem se tratava. — Irmã Maria! Você está aqui também! — Você conhece a Senhora Nunes? - O Duque pergunta estranhando a i********e e o nome com o qual Ísis fala com a senhora Nunes. — Claro que ela conhece, com quem Vossas Excelências pensam que ela aprendeu a montar e se defender? No convento tradicional com freiras tradicionais que não foi. — Irmã Maria, o que está acontecendo? Toda essa situação é real? — Sim, minha princesa. - Karen fala com um sorriso gentil no rosto - Creio que tenha lido a carta que lhe entreguei a alguns anos? Se tiver alguma dúvida podemos conversar depois… e General Garcia, me desculpe por mais cedo, algo deu errado durante o feitiço, era para princesa cair no rio… — Eu por acaso pareço com um rio? - Uriah exclama com seu jeito escandaloso. — Suponho que temos algo mais importante para lidar aqui - Fala Pedro, ajudando Ísis a amarrar a mulher que se passava pela imperatriz, e logo colocando-a de joelhos de frente ao imperador. - Majestade, o que deseja que façamos? — Quem é você? - Antony pergunta completamente atordoado, afinal ele conviveu com àquela mulher por quase 30 anos e não havia percebido que não era sua esposa. — Tenho muitos nomes, mas acredito que nesse tempo me conheçam por Senka. - a bruxa fala, então volta seu olhar para Ísis que se encontrava ao lado de Enzo, próximo à janela novamente. - Ela não esta mais ai. - Senka fala encarando Ísis. — Quem não está mais aí? - Artur pergunta estranhando a fala da bruxa. — Uma dama que ninguém gostaria de ver, a princesa parece bem interessada nela… — Nesse tempo? Poderia esclarecer? - O Imperador interrompe Senka. — Ai Antony, você não poderia ser mais inconveniente, não ver que estamos tendo uma conversa important..- Senka começa a falar, mas é logo lançada ao chão com forte chute desferido por Pedro, que logo recebe um rugido em resposta. — Responde vossa majestade e apenas isso! - Enzo fala calmamente. — Ahhh! Então parece que você - fala apontando para Pedro - é aquele que faz o trabalho sujo, enquanto você - aponta para Enzo - é que puxa as cordinhas. Ao ouvir a fala da Bruxa, Enzo dá um passo a frente na intenção de atacar a bruxa, mas é impedido por Ísis. — Tudo bem, responderei, afinal, parece que nossa amada Karen não lhes explicou o que está prestes a acontecer… - um sorriso macabro surge em seu rosto… - que coisa f**a… ou será que não sabes… - nesse momento o sorriso da bruxa aumenta mais ainda. — Tenho a sensação que tudo isso não passa de um blefe, uma tentativa inútil de evitar que te matemos. - Ísis fala se aproximando da bruxa. - afinal, salvo engano mentir para o imperador é um crime punível com a morte. - fala próximo ao rosto da bruxa. — A Princesa é corajosa, não n**o… estou falando da PROFECIA - grita a última palavra e logo dispara a gargalhar. - Precisa falar com sua amiga Andy com mais frequência querida Karen, e antes que me pergunte, sua amada imperatriz já não se encontra entre nós. Burnir fez questão de matá-la pessoalmente, depois do fiasco que foi matá-la antes que a princesinha nascesse. - Fala a tal Konan com um sorriso no rosto, Antony com uma expressão devastada olha para Karen que confirma com um aceno. — Por isso trouxe Ísis de volta logo que descobri que a Imperatriz Anna fora morta. - afirma Karen encarando todos no salão. - O reino precisa de uma imperatriz, levem-na para a prisão imperial. - Karen ordena aos soldados que ali apenas observava a cena, porem esse são impedidos por Ísis. — Disseste que ela não estava mais ali, - fala apontando para janela onde Enzo se encontra - disseste que ninguém deseja ver tal dama, algo me diz que sabe quem é ela? — Ahhh! Claro que sei, todos os seres que possuem alguma importância - a bruxa fala com certo orgulho em sua voz. - sabe. — De que dama falam? E quem pode ser mais importante que o Imperador? - Antony, mesmo ainda em choque com a notícia da morte de sua esposa, questiona a bruxa. — Seu nome é Sinis, não se sabe exatamente o que ela é, muito menos a dimensão de seus poderes, apenas que cruzar seu caminho pode ser desastroso. - A bruxa responde calmamente, mas Ísis sentia que essa calma era somente por fora, no fundo, ela parecia em pânico. — O que ela fazia aqui? - Enzo pergunta atrás de Ísis, o que a assusta, pois não havia notado sua movimentação. — Isso somente ela sabe, pode ser que tenha algo haver com a profecia ou não, afinal não tem como saber o que se passa na cabeça de um ser tão obscuro, muito menos de lado ela está nessa guerra. — Não podemos acreditar nessa bruxa. - Artur fala finalmente, recebendo apenas um dar de ombros da bruxa - Guardas levem-na para masmorra! — Parece que todo mundo manda aqui, menos o Imperador! - a bruxa comenta rindo ao notar os guardas se aproximando novamente. — Ninguém ousa dar um passo sem minha autorização. - Enzo fala, pela primeira vez seu tom era de comando, ali era o Marechal falando. - General Castro, peço que se contenha, estás na sala do trono e não em um acampamento militar, e não cabe ao general dizer se devemos ou não acreditar no ser interrogado. Artur não disfarçou seu desconforto com a fala do Marechal, afinal a seu ver com o retorno da Princesa ele como seu noivo seria o novo príncipe, logo estava acima daquele marechal. Notando a tensão no ar entre ambos cavaleiros Heitor se adianta em tentar apaziguar a situação de seu amigo. — Se me permitem, poderia a princesa e o marechal nos explicar de que Dama estão falando? — Da Dama Misteriosa dos cabelos cor de mel e pele branca como a neve. - Pedro responde reduzidamente, recebendo o espanto de todos presentes, nem mesmo os soldados conseguiram disfarçar seu espanto, todo alguns se dirigido a janela na tentativa de avistar a dama. — Que profecia é essa que tanto falas? - Karen resolve perguntar. —“Um grande perigo surgirá e destruirá a humanidade e os traidores de sua espécie, trazendo aos sobrenaturais leais ao sangue a liberdade, mas para que tal coisa se concretize a princesa e toda sua linhagem devera ser extinta” - a bruxa responde sorrindo então completa. - Seu fim está próximo, posso ter falhado, mas meu mestra não falhará. - ao Fala isso um forte vento invade o grande salão, e logo a bruxa outrora presa desaparece.
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