Depois de passar na casa do Byun para que ele se trocasse, os dois seguiram juntos para a empresa, e não era preciso dizer que Baekhyun estava feliz, por mais que ficasse reclamando o tempo todo com Chanyeol, dizendo que havia se arrependido de ter deixado ele fazer quatro vezes na noite passada, e que agora o seu traseiro estava doendo e ficar sentado naquela cadeira desconfortável seria como um grande filme de terror.
Mas Chanyeol ficava só rindo na dele, era engraçado ver como o menor reclamava e ficava agarrado em seu braço depois, dizendo que não conseguia ficar chateado com ele. Baekhyun era engraçado, fofo e pequeno, finalmente os olhos do Park estavam abertos para enxergar a pessoa que estava do seu lado há muito tempo, que havia se tornado seu namorado há pouco, e agora havia entrado em seu coração.
Havia se apaixonado pelo Byun também, e dormir com ele o fez perceber isso, depois de Baekhyun ter dormido em seus braços, ele ainda observou seu rosto muito tempo, notando todos os detalhes da beleza dele, e como aquele rosto parecia estar em todos os lugares que olhava, e seu nome em todas as suas conversas.
Estavam no elevador da empresa, um pouco atrasados, mas isso não importava naquele momento. Chanyeol segurava sua mão delicadamente, entrelaçando seus dedos, e Baekhyun adorava isso, sentia como se aos poucos os carinhos do Park se tornassem mais reais, e era de realidade que aquele relacionamento precisava. Quando o elevador parou, Chanyeol fez menção de sair, ainda segurando a mão do menor, que a soltou meio confuso.
— O que foi? — o Park o questionou.
— Nós vamos entrar juntos?
— E qual o problema nisso?
O menor ficou o olhando sem entender muita coisa, uma coisa era passar a noite com ele e admitir que gostava dos toques de um homem, e outra coisa bem diferente era aparecer juntos na empresa na frente de todos os funcionários. Chanyeol só podia ter batido com a cabeça na luz de um poste. E pelo tamanho dele isso era bem capaz.
— É que as pessoas vão ficar fazendo perguntas.
— Responda, então.
— Mas o que eu respondo?
— A verdade, ué.
Baekhyun balançou a cabeça como se tivesse entendido, mas ainda estava parado ao lado do elevador olhando para o chão e pensando, Chanyeol ainda o esperando com uma cara impaciente.
— Mas Chanyeol. — finalmente se tocou de um detalhe importante — Que verdade?
O Park balançou a cabeça em negativa e saiu o puxando pelo braço, Baekhyun ainda fazendo várias perguntas enquanto era levado em direção à sala que trabalhava. E para quem ainda não entendeu muito bem como é que funciona aquela empresa, para entrar na sala de Chanyeol, era necessário passar pela sala onde Baekhyun trabalhava, ele e mais uma porrada de pessoas que trabalhavam naquele setor, todos em suas cabines azuis bastante enfeitadas, parecidas com aquelas que vemos em novelas ou séries sobre empresas.
E o menor até tentou se soltar e ir para sua mesa, porém foi impedido pelas mãos do Park, que puxavam em direção à sua sala. Nessa altura todo mundo já estava olhando a interação, e não tinha como não olhar, não era todos os dias que seu chefe aparecia agarrando um homem bem na sua frente.
Só foi preciso fechar a porta do escritório para que os dois começassem a se atracar por ali mesmo, Baekhyun se perguntava que botão ele havia apertado para despertar esse lado de Chanyeol, e em breve descobriria que o Park estava sem tocar em ninguém —a não ser nele — desde que aquele falso namoro havia começado, o que era estranho de se pensar, ele estava mesmo sendo fiel em algo que nem era real, e não sabia dizer o motivo disso.
— Sr. Park?
Deveriam estar lá para ouvir o gritinho agudo que Chanyeol soltou ao procurar a voz e dar de cara com todos os seus sócios ali presentes, cara um com uma careta diferente, porém ambos com os olhos saltados para fora, todos encarando aquela cena com cara de quem viu um unicórnio montado na Shakira.
Chanyeol queria ser um avestruz e enfiar a cabeça em um buraco, tipo assim, para sempre. E por favor, ninguém diga a ele que esse lance do avestruz enfiar a cabeça num buraco é apenas mito, e que eles apenas abaixam a cabeça até ficar no chão, dando a impressão de que estão num buraco. Ah, sei lá, eu precisava repassar essa informação pelo mundo. Avestruz não enfia a cabeça num buraco!
Lu Han estava lá, é claro que o Lu Han estava lá, com a mesma cara que os outros, afinal, ele era o culpado daquele flagra ter acontecido, pois foi ele mesmo quem convocou aquela reunião e fez todos aparecem ali naquele dia. Com certeza Chanyeol esqueceria que ele era o dono do dinheiro que a empresa precisava e o jogaria pela janela.
É, absoluta certeza.
— Eu preciso voltar para a China ainda hoje, por isso convoquei essa reunião, para acertarmos os detalhes finais com todos. — e o chinês até coçou a cabeça, claramente nervoso, dando uns passinhos para trás tentando se esconder atrás de Sehun — Tentei te ligar, mas você não atendia.
Não atendia porque estava ocupado demais com Baekhyun, não tinha nem uma desculpa decente para dar, se todo mundo já estava assustado por ter visto os dois se beijando, imagina se ele abre a boca e fala “desculpe, estava transando quando você me ligou, aliás, transando com o Baekhyun, e Baekhyun é esse aqui, ta-da!”.
E Baekhyun, como o bom namorado que era, foi embora pela mesma porta que entrou, e não disse nem “tchau”.
— Ah, tudo bem então, vamos começar a reunião?
[...]
Depois que a reunião acabou e todos os contratos foram assinados, como era pessoas muito ocupadas, os sócios foram embora, restando apenas ChanYeol — sua cara de cu —, Jongin — rindo pra si mesmo —, Lu Han — com o cu na mão, e Sehun — tentando tirar Lu Han de trás dele.
Por um bom tempo tudo o que permaneceu no ambiente foi um clima estranho, ninguém dizia nada, m*l respiravam, pra falar a verdade, olhando um pra cara do outro como se esperassem que alguém tomasse alguma atitude quanto ao que aconteceu. Nada. Nenhum manifesto foi feito por um bom tempo, até a risada de Jongin começar a ecoar pela sala, fazendo todos perderem suas posturas defensivas.
— O seu gritinho foi hilário. — o moreno comentou enquanto ria — E tinha que ter visto a cara que vocês dois fizeram.
— Chanyeol, por favor, me desculpa, eu não imaginava que isso fosse acontecer. — o chinês, mesmo estando ainda atrás de Sehun, implorava por sua vida, seriamente acreditando que poderia descobrir o que acontece quando se joga uma camisa xadrez pela janela, só que com ele dentro.
O Park suspirou deixando sua cabeça descansar sobre as palmas de suas mãos, enquanto seus cotovelos se apoiavam na mesa, ele não parecia bravo e nem nada do tipo, para falar a verdade, a expressão de Chanyeol era de puro tédio e cansaço.
— Tudo bem, isso não tem importância agora.
Obviamente todos se assustaram com sua resposta, principalmente Lu Han, que já estava com os olhos fechados e esperando receber um sapato na cabeça. Jongin até se ajeitou na cadeira em extremo interesse no assunto.
— Aconteceu, né? — Chanyeol coçou a cabeça, talvez meio incerto ou inseguro — Uma hora todo mundo ia ficar sabendo de qualquer jeito, não quero mais esconder o meu relacionamento com o Baek.
Depois disso outro clima estranho rolou, Jongin coçou a nuca, olhou para o relógio em seu pulso e depois para Chanyeol, que parecia meio perdido vendo aquelas reações.
— Chanyeol, eles sabem. — o Kim o informou, mordendo os lábios como se estivesse com medo de dizer a verdade para o amigo. — Hoje mais cedo nós conversamos, e eles me disseram.
— Eu soube que era mentira desde o começo. — Lu Han começou a falar, finalmente saindo de trás de Sehun, e andando na direção da mesa de Chanyeol, deixando suas mãos repousarem sobre a mesma — Ah, qual é, Chanyeol? Você é o cara mais hétero que eu já vi.
O Park ficou nervoso, não fazia sentindo nenhum Lu Han saber da verdade desde o começo. Se ele sabia, por que deixou tudo acontecer? Começou a imaginar que os contratos eram falsos, e que tudo não passasse de uma vingança do chinês, o engando por tê-lo enganado, deixando que ele acreditasse e continuasse com seu teatrinho. Park Chanyeol se encontrava envergonhado, como quem é pego com as calças na mão.
— Mas por que você...
— Porque eu queria ver até onde você iria. — Sehun finalmente se manifestou, todos olharam pra ele, afinal, era raro o ver falando de qualquer forma, e tão sério daquele jeito, se colocando como o culpado de tudo — Então convenci o Lu Han a deixar as coisas rolarem, e curioso do jeito que é, ele logo concordou e tomou as rédeas do que fazer com vocês.
Envergonhado, era assim que ele estava, e o estranho era que quando parava para pensar no que havia acontecido na noite passada, ele não conseguia se arrepender de tudo, talvez de algumas partes, como a mentira e coisas assim, mas não conseguia se arrepender de ter se envolvido com Baekhyun.
Não, nunca se arrependeria de Baekhyun, e esse pensamento instantaneamente o fez sorrir.
— Mas por que assinaram os contratos?
— Por que se tornou real, não foi?
Por dois segundos, Chanyeol pensou na pergunta de Sehun, a resposta era óbvia, sim, havia se tornado real, bem mais real do que esperava, todos os toques do menor ainda ardiam em seu corpo, o queimava de vontade de estar com ele de novo, e só de pensar nisso, ele já se sentia bem. Havia se apaixonado por Baekhyun, e essa era a maior verdade daquela história cheia de mentiras.
— Se tornou real. — Lu Han respondeu por ele — O que vimos hoje mais cedo foi real, as conversas que tive com Baekhyun foram reais, ele gosta de você de verdade, isso dava pra ver de longe, e quanto a você...
— Você percebeu que podia gostar dele quando tivemos aquela conversa, não foi? — Sehun perguntou.
Aquela bendita conversa, falando mais sobre seu relacionamento com o Byun do que sobre negócios. Semanas atrás, jamais imaginaria que uma conversa com Oh Sehun pudesse mudar tanto as coisas.
— Estamos voltando pra China depois do almoço, surgiu um problema que precisamos resolver. — Lu Han informou, com um rostinho alegre, como se estivesse louco para sair daquele clima pesado que havia se formado ali — Adoraríamos que você e o Baekhyun, e o Jongin também, nos acompanhassem até o portão de embargue, afinal, acho que somos amigos agora.
Chanyeol sorriu e assentiu com a cabeça, afinal, poderia chamar aqueles dois chineses de amigos.
[...]
Baekhyun queria morrer no momento em que soube que os chineses sempre souberam de tudo, mas optou por bancar a egípcia enquanto estavam no mesmo carro, indo com eles para o aeroporto. Lu Han tagarelava sobre diversas coisas, e Baekhyun conversava com ele tentando ser o mais natural possível. Chanyeol achava isso muita cara de p*u mesmo, e Jongin nem comentava nada, estava jogando no celular.
Eles quase se atrasaram para o embargue, chegaram no aeroporto tendo que correr para pegar o voo, que já estava quase saindo, só deu tempo para que apertassem as mãos uma ultima vez, e Lu Han abraçar Baekhyun enquanto trocavam palavras de despedidas bem exageradas, dignas do Lu Han, diria Sehun.
— E não olhe pra trás, isso é clichê e cafona! — o Byun gritou enquanto Lu Han e Sehun subiam pela escada rolante, mas o chinês menor ainda virou-se e mostrou a língua pra ele.
Era o fim, Lu Han e Sehun estavam saindo do país, os contratos estavam assinados e agora ninguém mais seria obrigado a mentir, tudo o que viesse a acontecer a partir daí seria real e por vontade própria. Baekhyun não queria começar com nenhuma paranoia, queria acreditar que tudo o que ocorreu na noite passada havia sido real, e que Chanyeol gostava dele de verdade.
O maior passou seus braços em redor dos ombros de Baekhyun e de Jongin, os guiando para fora.
— Vamos voltar pra empresa, preguiçosos, temos que trabalhar muito e fazer o projeto acontecer. — o Park sorriu, aparentava estar animado — E vão se preparando pra aguentar meu mau humor, me estresso muito em época de grande produção, e meu melhor e meu namorado precisam me aguentar.
Baekhyun sorriu pra si mesmo, e mesmo mau humorado, ele sempre iria estar lá por Chanyeol.