Pior que Baekhyun passou uns 30 segundos parado olhando pras costas do Park enquanto ele andava em direção ao elevador do subsolo. Apressou o passo para acompanha-lo. Quando os dois entraram no elevador, Baekhyun sabia que era o momento perfeito para perguntar o que era aquilo que havia acontecido, até porque era um bom tempo até o elevador atingir o último andar, e ninguém mais o usava, ou seja, ele não pararia.
— Por que você me beijou? — perguntou mesmo, não tinha feito nenhum voto de silêncio para ficar calado — Não tinha ninguém nos olhando, não precisava fazer aquilo.
— Conversei muito com Sehun.
Isso era uma surpresa, Sehun conversava? Ele parecia ser bem calado, ou talvez Lu Han tagarelasse tanto que nem dava oportunidade para o marido falar, mas isso não importava no momento. Será que Sehun era um pervertido como Lu Han e havia falado um monte de obscenidades para Chanyeol e o incentivado a ser um pervertido que nem eles? Baekhyun poderia criar um milhão de teorias em sua cabeça. Será que o próximo passo era sexo no banheiro?
— Ele me disse que eu posso estar magoando você pela forma que me comporto, que muitas vezes ajo como se não me importasse com você e nem com o que você sente.
E essa era a mais pura verdade. Chanyeol estava cagando para qualquer coisa relacionada a ele, e cagando com força, só queria ele para fingir ser seu namoradinho pequeno e fofo, e mais nada, de resto era só trabalhado que ele lhe dava, e isso era uma grande merda, não estava sendo nada vantajoso esse relacionamento falso com seu chefe, só estava dobrando seu horário de trabalho e mais nada.
— Eu só tô tentando ser legal contigo, não precisa fazer nenhum alarde com isso.
Baekhyun fez aquela cara de desentendido, típica de quando ia fazer alguma coisa arriscada, que se desse errado fingiria demência depois. Segurou Chanyeol pelo casaco e ficou na pontinha dos pés tentando alcançar sua boca, o que era engraçado, porque mesmo na pontinha dos pés ele não conseguia. Aff, Chanyeol era grande demais!
O Park riu daquela tentativa frustrada do Byun, mas se abaixou o ajudando a alcançar seus lábios. Baekhyun queria provar que aquilo era só da boca pra fora, que no fundo aquela conversa não havia mudado nada, e que Chanyeol não conseguia ser legal com ele em momento nenhum quando estavam sozinhos. Ele só não esperava que o altão fosse corresponder ao beijo, e pior ainda, abrir a boca pedindo passagem com a língua.
Puta que pariu!
Seu coração estava acelerado, batia tão rápido que Baekhyun tinha medo dele sair do lugar. As mãos do Park foram para sua cintura a apertando, Baekhyun sentia o elevador ficar pequeno e o ar cada vez mais escasso, mas aquilo era bom, era muito bom, o beijo de Chanyeol era perfeito, era forte e agitado, fazia tudo dentro de si esquentar, o deixava bagunçado.
Quando o maior afastou suas bocas, ainda continuou o encarando por um bom tempo, suas mãos ainda apertavam o casaco de seu chefe. Mas que merda! Estava tremendo, tremendo pela só emoção de ter sido beijado por seu chefe de livre e espontânea vontade. Mas que droga! Estava apaixonado, estava caidinho por ele, e agora tinha certeza disso, havia ficado tão mexido com aquela pontinha de esperança que Chanyeol estava lhe dando.
— Depois que o Jongin começou a sair com o Kyungsoo, ele me disse que gostava de mulheres e de homens. — Chanyeol estava tentando explicar algo, e Baekhyun não conseguia tirar os olhos da boca dele — Ele é meu melhor amigo, então eu tentei entender, e ele também me disse que eu não aparento ter nojo de te beijar, e isso pode significar que eu também goste de homens e mulheres.
— Você acha que é bissexual, Channy?
— Você pode me ajudar a ter certeza?
O baixinho sorriu de lado, agora sim parecia que a maré estava virando para o seu lado. Apertou o botão vermelho fazendo o elevador parar. Mordeu o lábio inferior voltando a encarar o Park. Não dê armas para quem sabe atirar, Park Chanyeol, você pode acabar levando um tiro.
Ou vendo Baekhyun dar um tiro no próprio pé.
[...]
Baekhyun estava parado no ponto de ônibus, não parava de pensar em como havia sido as horas que passou trancado naquele elevador com Chanyeol, não havia feito nada demais, apenas se beijado, e uma mão boba aqui ou acolá. Não queria assustar o Park, além de que estava apaixonado por ele, e queria ter seu carinho, nem que fosse só aquela vez. E Chanyeol era tão carinhoso quando queria, ele havia lhe dito tantas coisas, feito tantas perguntas e também contados histórias de suas aventuras loucas com Jongin por aí. Eles era mesmo muito amigos, e Baekhyun admirava essa amizade, sem ciúme nenhum.
Um carro parou bem diante de seus olhos, conheceria aquele carro em qualquer lugar, ele havia sido palco de tantas discussões e b***s tortos. A janela abriu revelando Chanyeol ali, ele nem precisou dizer nada para Baekhyun entrar no carro e subir a janela de volta. Chanyeol se esticou até ele e Baekhyun sorriu vendo que o Park se deixaria ser beijado mais uma vez.
Aquilo parecia um sonho.
— Vou te levar pra casa, está de noite e é perigoso ir sozinho.
— Mas eu sempre vou sozinho e nada nunca me aconteceu. — Baekhyun não estava querendo ser ingrato ou nada do tipo, ele queria ouvir o motivo, queria saber porquê o Park estava ali.
— Não vamos arriscar.
Não era bem isso que esperava ouvir, ele queria que Chanyeol dissesse que ele era importante, e que não queria que nenhum m*l lhe ocorresse. Mas se contentaria com isso, ele estar ali já significava muita coisa, naquele dia ele havia ido bem mais longe do que poderia imaginar.
Não conseguia tirar os olhos dele, Chanyeol era tão bonito, tão atraente, cada traço de seu rosto era perfeito, queria tanto tocá-lo mais, conhecer todo o seu corpo, conhecer cada detalhe seu, e saber como era deitar em seu peito. c*****o! Estava muito louquinho por ele, e acabaria se machucando se continuasse a pensar tanto no Park. Uma coisa era Chanyeol gostar de garotos, outra coisa era gostar de Baekhyun.
Nem percebeu quando o carro parou frente à sua casa, estava mais concentrado em pensar como escapar daquela paixão súbita pela qual estava sendo esmagado. Sentiu beijos molhados em seu rosto, o fazendo despertar, sorriu pequeno, quase como uma careta de desgosto ao ligar seus pensamentos com a imagem do rosto de Chanyeol tão perto.
— Aquela é a sua mãe?
Ela estava no jardim regando as plantas, fazia isso quando estava entediada, ou seja, no horário que não estava passando nenhuma novela ou nada interessante na TV.
— É sim, eu vou entrar, nos vemos amanhã, Chanyeol.
O menor saiu do carro, e não havia dado nem dois passos quando sentiu uma das mãos do Park se entrelaçar com a sua, não entendeu, ele deveria estar indo embora, não havia nada para ele fazer ali.
— O que foi?
— Vou conhecer sua mãe, Jongin me disse que ela estava louca para me conhecer.
Jongin era a pessoa mais bocuda que conhecia, a fofoca em pessoa. Custava ter ficado calado? O Kim só estava piorando mais as coisas, se sua mãe conhecesse Chanyeol, era muito provável que ficasse fazendo ainda mais perguntas em relação a ele. Estava atolado na merda, e cada vez se afogando mais naquilo.
Até tentou impedir o Park de se aproximar, mas era como um Celta puxando uma BMW, não adiantava de nada, ele nem conseguia fazer efeito nenhum no caminho do altão. Chanyeol parecia muito decidido a falar com sua mãe. Merda merda merda! Ela iria fazer um interrogatório sobre a vida dele, e provavelmente sairia espalhando para todo mundo sobre o relacionamento deles.
Se apresentar para a Sra. Byun era o mesmo que colocar na rádio.
— Boa noite, Sra. Byun. — droga, ele estava sorrindo e estendendo a mão para ela — Eu sou Park Chanyeol, o namorado do seu filho.
Ela abriu aquele sorriso cheio de dentes, e nesse sorriso Baekhyun viu que sua vida estava acabada, seria agora que ela iria assusta-lo e fazer com que o Park nunca mais voltasse ali. Era sempre assim, por isso nunca trazia ninguém para casa, sua mãe agia como um abutre sobre a carniça, indo fundo atrás do máximo de informações que pudesse tirar do Park.
Socorro.
— Oh, boa noite. — ela não retribuiu o aperto de mãos, ela abraçou ele, Baekhyun queria morrer ali mesmo, já tinha flores, o velório já tava todo armado — Pensei que nunca fosse conhece-lo.
E ela não era a única, bem-vinda ao time, Sra. Byun.
— Eu sempre quis conhece-la. — ele sorriu de volta, cínico, muito cínico esse Park.
Mentiroso de uma figa, se tivesse pedido para ele ir conhecer sua mãe ele teria dado o maior ataque com certeza, e agora ficava aí se fazendo de garoto bonzinho. Ah, vai se f***r, Chanyeol!
— Quer entrar para jantar com a gente? — ela convidou com mais um sorriso no rosto, parecia muito feliz, o que era uma pena, era tudo uma mentira, uma grande mentira, ficar feliz em ver o namorado do filho era ficar feliz por nada, em breve Lu Han voltaria para a China, e aquela brincadeira acabaria.
— Adoraria.
Não aceita, i****a! É uma cilada! Uma cilada pra te prender ali dentro e nunca mais te deixar fugir. Corra para o mais longe possível antes que seja tarde demais.
— Eu vou colocar a mesa.
Ela entrou na casa, toda animada com a possiblidade de ter seu genro jantando com eles. Era seu sonho de princesa ver Baekhyun com alguém de futuro, e para ela, Chanyeol aparentava ser alguém de futuro, por mais que nem soubesse que ele era o dono da empresa em que o Byun trabalhava. Mas foi só a mãe sumir para Baekhyun virar-se desesperado para o Park.
— Vá embora, agora mesmo!
Chanyeol franziu o cenho, não esperava ser expulso daquela maneira, a expressão nervosa de Baekhyun dizia que algo muito errado estava acontecendo. Segurou o baixo pelos pulsos, mas sem machuca-lo, era só para fazê-lo parar de tentar empurra-lo.
— Por que quer que eu vá embora? — perguntou, confuso.
— Chanyeol, eu não quero que entre tanto assim na minha vida, não quero ser tão íntimo de você.
O Park abriu a boca, mas não disse nada, não sabia o que responder e nem o que aquilo significava, só sabia que não havia gostado, alguma coisa doeu dentro dele, e aquilo não era bom, não era nada bom, nunca havia sentido antes, era uma sensação muito r**m. Baekhyun estava o mandando ficar longe?
— Por que não me quer por perto?
— Porque eu estou apaixonado por você.
[...]
Mas Chanyeol não foi embora, e o pior de tudo foi não ter tido uma resposta, sua mãe apareceu logo depois os chamando para entrar, e o Park acabou na mesa de jantar com eles. Baekhyun se sentia m*l ao ver sua mãe tão animada com a ideia de ter um genro, e saber que tudo não passava de uma mentira o deixava destruído. Ela estava estão feliz, para logo em seguida ter que receber a notícia de que não havia dado certo, e que eles tinham terminado.
Não, isso não era justo, Chanyeol não estava sendo justo com ele, e ele não estava sendo justo com sua mãe. Aquilo já estava virando algo doentio, o Park sorria e conversava como se gostasse dele de verdade, como se estar ali não fosse um grande esforço. Era tudo uma mentira, uma grande mentira! Park Chanyeol estava sendo um grande filho da p**a, por permanecer ali mesmo depois de ter ouvido a verdade.
Mas que merda! Por que ele tinha que ser assim?
— Então, Chanyeol, em que você trabalha? — a Sra. Byun perguntou gentilmente, o sorriso materno ainda no rosto, ela estava tão calma, quase como se estivesse se esforçando para não estragar tudo novamente.
Ela estava, ela estava fazendo isso por ele, Baekhyun podia notar o seu esforço para não ser invasiva, para não tornar aquilo algo constrangedor. E isso só podia significar que ela havia mesmo se agradado de Chanyeol, que queria que aquele relacionamento desse mesmo certo. Isso fazia Baekhyun ficar ainda pior.
— Ah, eu sou o chefe do seu filho, sou o dono da empresa que ele trabalha.
O sorriso dela ficou tão grande que dava pra ser visto até de costas. E era até engraçado olhar aquilo, Park Chanyeol era como uma imensa garantia de fundo monetário eterno, ter aquela resposta era como completar um imenso pacote de perfeição, assinando no fim da página que ele era perfeito para o seu filho. Bonito, simpático, educado, e ainda por cima era rico.
E um raio desses não iria cair duas vezes em Baekhyun.
Isso ela tinha certeza, e Baekhyun também.
— Oh, então vocês se conheceram no trabalho?
— Sim. — ele respondeu de boca cheia, e fez um esforcinho para engolir o resto logo — As coisas foram meio complicadas no começo, Baekhyun foi o primeiro homem por quem me interessei, e o nosso relacionamento ainda não é público, estou tentando me acostumar com a ideia de gostar de um homem agora.
Merda merda merda! Ele sorria de forma tão meiga, e o jeito que ele segurou a mão do baixinho sobre a mesa fez o coração de Baekhyun se derreter ainda mais. Mas que droga, Chanyeol! Não fode ainda mais as coisas! Você sabe muito bem o que está acontecendo, e está piorando ainda mais as coisas para o lado do Byun. Aquilo... aquilo não era justo!
Baekhyun não conseguiu ficar mais na mesa, soltou sua mão da de Chanyeol de forma brusca e rapidamente foi para as escadas, subindo para o seu quarto.
Notoriamente o Park não havia entendido nada, e muito menos sua mãe, que ainda permaneceram na mesa olhando um para o outro, tentando raciocinar o que havia acabado de acontecer. Chanyeol coçou a nuca, viu a merda que havia feito, precisa resolver aquilo, se fosse embora com as coisas daquela forma, muito provavelmente Baekhyun desapareceria por um tempo, e tornaria aquilo uma imensa bola de neve.
Pediu licença e subiu as escadas também, a Sra. Byun havia informado qual era o quarto de Baekhyun, para que pudesse ir atrás dele. Bateu na porta, recendo um “vai embora” como resposta, mas ele não podia desistir assim tão fácil, sempre terminava as coisas que começava, e com Baekhyun não podia ser diferente. Mas o problema era justamente esse, o problema era ser justamente Baekhyun ali. O fato de tê-lo magoado o deixava m*l, e não era aquele “m*l” que costumava ficar, era um mal... m*l!
— Baekhyun, por favor, vamos conversar. — pediu calmamente, parado ao lado da porta.
— Conversa daí de fora, se quiser! — foi o que obteve por resposta.
Se essa era a sua única opção, acabou aceitando, sentando-se com as costas na porta. Mas o que iria dizer? Não podia mentir pra ele, não podia dizer que também estava apaixonado e que queria ficar com ele de verdade, estaria mentindo se fizesse isso. Todavia, não podia dizer que não sentia nada, porque no fundo... Lá no fundinho, Chanyeol sabia que sentia alguma coisa, que aquela dor no peito ao ver Baekhyun saindo daquela forma significava alguma coisa.
— Baek, me perdoa.
Baekhyun não havia entendido, por isso ficou em silêncio. Havia tanta coisa que Chanyeol podia ter dito, mas “me perdoa” parecia algo tão sentido naquele momento, tão pesado para se dizer.
— Me perdoa por ter deixado as coisas chegarem nesse ponto. — o pedido de perdão se seguiu, Chanyeol já havia relaxado e deixado seu peso todo sobre a porta — O que eu pedi pra você foi algo muito difícil, mas mesmo assim você me ajudou, esteve comigo em todas aquelas maluquices do Jongin, você foi um namorado muito bom para mim, me perdoa por ter deixado a mentira ultrapassar a verdade, e tornar tudo uma bagunça.
Se Chanyeol estivesse lá dentro, veria o rosto perdido de Baekhyun, o menorzinho queria chorar, ao mesmo tempo que queria sair chutando Chanyeol, o esmurrando e gritando com ele por ser assim, por tê-lo deixado assim. Park Chanyeol era um grande i*****l, que o deixava cada vez mais apaixonado fazendo aquilo.
— Baekhyun, depois que tudo isso acabar, vamos tentar nos resolver. — o Park estendeu os braços sobre os próprios joelhos, suspirou — E dessa vez só eu e você, sem nenhum Lu Han, sem nenhum Sehun e muito menos Jongin, só nós, eu e você, apenas Chanyeol e Baekhyun.
O silêncio continuou, Chanyeol já meneava a ideia de ir embora, deixar o Byun pensar um tempo, deixar ele esfriar a cabeça e só depois tocar nesse assunto de novo. Mas seu corpo acabou indo ao chão quando subitamente Baekhyun abriu a porta. O Park o olhou de baixo pra cima, sorriu perdido, o menorzinho continuava com uma expressão séria, as bochechas molhadas e os olhos vermelhos.
— Você promete? — ele perguntou.
Chanyeol afirmou com a cabeça, e logo em seguida se pôs de pé, fechando a porta por último. Encarou Baekhyun por alguns segundo esperando qualquer outra reação, e o que o deixou mais surpreso foi ter recebido um abraço, Baekhyun se encaixou em seu peito, apertando sua cintura. O Park acabou retribuindo o abraço, o abraçando por cima, com força, o deixando bem próximo ao seu coração, onde Baekhyun podia escutar cada batida.
— Seu coração está acelerado. — o menor sussurrou.
— Estou nervoso, achei que não fosse abrir aquela porta. — o altão respondeu, sussurrando também. Baekhyun sorriu sem que ele pudesse ver.
Aos poucos o Park começou a se mover, lentamente os fazendo chegar até a cama. Baekhyun era tão pequeno, e a forma como ele se encaixava entre seus braços era perfeita, o jeitinho como se encolheu em seu peito e ficou ali apenas sentindo seu cheiro deixava Chanyeol tão calmo. Quando percebeu, o menor havia dormido, e quando se deu conta, já havia decidido dormir com ele ali também.
[...]
— Onde estava? — foi a primeira pergunta de Lu Han naquela manhã, o chinês estava em seu escritório quando Chanyeol chegou, com aquela cara de curioso que ele sempre fazia — Passei a manhã toda te esperando.
O Park ocupou sua cadeira, e com um breve suspiro, respondeu:
— Desculpe, ontem eu fui conhecer a mãe do Baekhyun e acabei dormindo lá, acabamos nos atrasando.
Em situações normais, saber que seu sócio se atrasou porque dormiu na casa do namorado deixaria qualquer um irritado, mas é claro que com Lu Han as coisas eram completamente diferentes, o chinês imediatamente puxou a cadeira mais para perto, colocando os cotovelos sobre a mesa, ignorando qualquer regra de etiqueta que já tenha ouvido falar em sua vida.
— E então, como foi? — essa foi a pergunta que ele fez.
— Ah, foi tudo ótimo, ela me adorou.
É claro que Lu Han estava pronto para fazer aquele monte de perguntas que ele adorava, mas Sehun o interrompeu, o marido já sabia que caso não interrompesse as coisas sairiam do controle, de novo, e pela conversa que havia tido com Chanyeol no dia anterior, o Oh sabia o quanto ele se sentia desconfortável quando Lu Han começava a fazer perguntas invasivas demais.
Chanyeol jamais imaginou que encontraria apoio em Sehun, mas é como dizem por aí “as aparências enganam”, e enganavam muito bem, Sehun havia se mostrado uma das pessoas mais compreensivas que já havia conhecido, lhe dando conselhos que nunca recebeu nem de sua mãe.
— Trouxemos mais alguns documentos que precisam ser assinados, já estamos finalizando o processo de transferência, e em breve retornaremos ao nosso país. — Sehun explicou enquanto colocava a papelada sobre a mesa do Par, que tentava ler o que estava escrito ali. O engraçado era ver Sehun com a mão na boca de Lu Han para que ele não falasse nada.
O Park começou a ler e assinar alguns deles, Lu Han ficou emburrado depois de ser impedido de falar, Jongin estava no fundo da sala fazendo o seu papel de advogado da empresa, ou seja, ele estava mexendo no celular, com cara de quem estava jogando Candy Crush.
Depois de alguns minutos Chanyeol terminando, entregando metade dos papeis de volta para Sehun, cada lado ficaria com uma cópia do contrato. O Oh agradeceu e se despediu, e com um “deixa de birra e vamos embora”, eles saíram da sala. Ao lado ficavam os demais funcionários daquele setor, ou seja, Baekhyun estava em uma daquelas cabines, o pior de tudo mesmo era Lu Han saber qual era, e conseguir fugir de Sehun para ir falar com Baekhyun.
Mas Sehun o alcançou e saiu o puxando de volta assim que Lu Han disse o primeiro “Oi”, não podia deixar seu marido com tanta liberdade, Lu Han era invasivo demais, e depois de descobrir o quanto Chanyeol detestava aquela invasão, o trabalho de Sehun era impedi-lo de passar dos limites.
E o dia passou voando, Baekhyun havia evitado Chanyeol o dia inteiro, não estava chateado e nem nada do tipo, só não queria vê-lo, o melhor para ele naquele momento era digerir a noite passada, e tentar controlar aquelas batidas aceleradas em seu coração, ver Chanyeol era correr o risco de explodir. Kyungsoo até havia perguntado se estava tudo bem, mas Baekhyun sempre fugia do assunto,
Acabou ouvindo Kyungsoo lhe contar tudo o que andava fazendo com Jongin... Fazendo na empresa, em casa, em todo lugar, literalmente eles andavam fazendo, fazendo muito, e esses detalhes Baekhyun não estava nenhum pouco afim de ouvir. E o pior de tudo era não estar fazendo nada há um bom tempo, estava tão na seca que já começava a acreditar que seu buraquinho havia cicatrizado e fechado.
Depois do fim do expediente, acabou ficando para concluir algumas coisas que havia deixado pela metade nos últimos dias, estava com tanto trabalho acumulado que já não sabia o que fazer. Quando percebeu, estava sozinho, apenas ele e as luzes acesas.
— Vamos pra casa, Baekhyun.
Levantou a cabeça encontrando Chanyeol ali, o altão já havia posto o casaco e segurava o seu, aberto, como se esperasse que ele levantasse e vestisse logo. Baekhyun queria ter dito que não iria embora agora, queria ter dito que estava ocupado, e que Chanyeol podia embora. Mas não conseguiu, quando se deu conta já havia vestido o casaco, e caminhava ao lado do Park no estacionamento.
Entrou no carro sem dizer nada, ficando em silêncio por grande parte do trajeto. Quando o carro parou, viu que aquela não era a sua casa. Estavam parados no prédio onde Chanyeol morava. Estranhou aquilo, iria reclamar, mas quando o Park sorriu e abriu a porta do carro pra ele descer, não conseguiu dizer nada.
Chanyeol o abraçou pelos ombros no elevador, sem ligar para a senhora que os olhava torto, e involuntariamente Baekhyun sorriu com aquilo. Os dois entraram no apartamento, e só então Baekhyun abriu a boca.
— Por que me trouxe pra cá?
O Park sentou-se no sofá, batendo em sua perna esperando que Baekhyun fosse até. O menor sentou em seu colo e deitou a cabeça em seu ombro, e de uma forma até meio infantil e fofa, Chanyeol o abraçou pela barriga.
— Quero perguntar uma coisa, mas estou sem coragem. — o altão foi sincero ao dizer aquilo, Baekhyun conseguia sentir suas mãos geladas, suando frio.
— Pergunte, o máximo que pode acontecer é eu te dar um chute.
— Baekhyun, você pode t*****r comigo essa noite?