O sol ainda queimava o asfalto quando eu cheguei na creche. O calor do meio da tarde grudava na pele, e o ar parecia mais pesado do que o normal. Talvez fosse cansaço. Ou o peso de mais um dia que tinha dado errado. Entrei pelo portão tentando sorrir, mesmo com o coração apertado. Ítalo veio correndo assim que me viu, os cachinhos balançando e o rosto suado. — Mãe! — gritou, pulando no meu colo. Segurei ele firme, sentindo o corpo pequeno e quente, aquele cheirinho doce de sabão e infância. Beijei o topo da cabeça dele e fingi que o mundo não tava me esmagando. — Como foi o dia, meu amor? — A tia deixou a gente desenhar! Fiz um sol bem grande. — Que lindo. — Forço um sorriso, mesmo sem ânimo pra sorrir de verdade. — Depois você me mostra, tá? A professora apareceu na porta, sorrind

